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Prescrição de treinamento resistido para função muscular, hipertrofia e desempenho físico em adultos saudáveis: posicionamento do ACSM baseado em revisão de revisões

American College of Sports Medicine Position Stand. Resistance Training Prescription for Muscle Function, Hypertrophy, and Physical Performance in Healthy Adults: An Overview of Reviews

Publicado em

A

Grau de evidência · Padrão GRADE

Evidência alta, sólida

Alta confiança no resultado. Mesmo padrão de avaliação usado por Cochrane e OMS.

Tipo de estudo
Revisão guarda-chuva (overview of reviews) de revisões sistemáticas de ensaios randomizados, base do posicionamento oficial do ACSM
Amostra
137 revisões sistemáticas sintetizadas, abrangendo mais de 30.000 participantes
Certeza do resultado
Altaresultado consistente
Aplicável na prática?
Direta
Risco de superinterpretação
Baixo · 1 de 5

Bottom line

Adultos saudáveis devem realizar treinamento resistido progressivo, ajustando as variáveis conforme o objetivo (força, hipertrofia, potência ou função física), pois o efeito principal do treinamento é robusto, enquanto o ajuste fino das variáveis produz ganhos adicionais específicos.

O que o estudo mostrou

Comparado a nenhum exercício, o treinamento resistido melhorou significativamente força, tamanho (hipertrofia), potência, resistência, velocidade de contração, velocidade de marcha, equilíbrio e múltiplos desfechos de função física. Poucas variáveis de prescrição afetaram as adaptações primárias. A força voluntária foi favorecida por cargas mais altas (≥80% de 1RM), amplitude de movimento completa, 2 a 3 séries, execução no início da sessão e ≥2 sessões por semana. A hipertrofia foi favorecida por volumes maiores (≥10 séries por semana) e sobrecarga excêntrica. A potência foi favorecida por cargas moderadas (30% a 70% de 1RM), volume baixo a moderado (≤24 repetições por séries), levantamento de peso olímpico e treinamento de potência (fase concêntrica rápida), sendo este último capaz de melhorar a função física. Treino até a falha momentânea, tipo de equipamento, complexidade do exercício, estrutura das séries, tempo sob tensão, restrição de fluxo sanguíneo e periodização não impactaram os desfechos de forma consistente.

Método

Síntese de evidências a partir de revisões sistemáticas de ensaios randomizados, com busca em Ovid MEDLINE, Ovid Emcare, Ovid Embase, Cochrane Database of Systematic Reviews, EBSCOhost SPORTDiscus e Web of Science Core Collection, atualizada até outubro de 2024. Foram elegíveis revisões que compararam treinamento resistido com nenhum exercício ou com programa de treinamento resistido alternativo, reportando mudança em função muscular, tamanho muscular ou desempenho físico. Atualiza o posicionamento do ACSM de 2009 sobre modelos de progressão.

Aplicação clínica

Para força: priorizar cargas ≥80% de 1RM, amplitude completa, 2 a 3 séries, exercício no início da sessão e ≥2 sessões semanais. Para hipertrofia: buscar volumes ≥10 séries semanais por grupo muscular e considerar sobrecarga excêntrica. Para potência e função física: usar cargas moderadas (30% a 70% de 1RM), volume baixo a moderado, movimentos com fase concêntrica rápida e, quando apropriado, levantamento olímpico. A progressão deve ser mantida ao longo do tempo.

Limitações

Trata-se de síntese de revisões sistemáticas, sujeita à qualidade e heterogeneidade dos estudos primários e à possível sobreposição entre revisões. A população é restrita a adultos saudáveis, limitando extrapolação para populações clínicas, idosos frágeis ou atletas de elite. A duração dos protocolos variou de 6 a 52 semanas, limitando conclusões sobre efeitos de longo prazo. Vários achados sobre variáveis específicas apoiam-se em número menor de estudos.

O que não afirmar

Não afirmar que exista um protocolo único ideal para todos os objetivos e indivíduos. Não afirmar que treino até a falha, restrição de fluxo sanguíneo, periodização, tipo de equipamento ou tempo sob tensão sejam determinantes dos resultados, pois não tiveram impacto consistente. Não extrapolar estes achados para populações não saudáveis, com doenças crônicas descompensadas ou em reabilitação, nem interpretar como recomendação clínica individual sem avaliação profissional.

Fonte

Medicine & Science in Sports & Exercise · 05 de mar. de 2026

DOI: 10.1249/mss.0000000000003897

Publicado no periódico: 05 de mar. de 2026 · Publicado na Science Play: 24 de ago. de 2026

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