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Alta carga cardiometabólica em pessoas com HIV e obesidade no Peru

High cardiometabolic burden among people with HIV and obesity in Peru.

Publicado em

C

Grau de evidência · Padrão GRADE

Evidência baixa, limitada, use cautela

Confiança limitada no resultado. Mesmo padrão de avaliação usado por Cochrane e OMS.

Tipo de estudo
Estudo observacional transversal
Amostra
126 participantes; 77,7% homens; idade média 50,6 anos; tempo médio em terapia antirretroviral 12,4 anos; CD4 médio 759,8 células/µL; 97,6% com HIV-RNA menor que 200 cópias/µL; IMC médio 34,0
Certeza do resultado
Baixause cautela
Aplicável na prática?
Com ressalvas
Risco de superinterpretação
Alto · 4 de 5

Bottom line

Nesta população de meia-idade com HIV e obesidade clinicamente estável, houve carga substancial de aterosclerose subclínica e anormalidades metabólicas, mesmo com baixa história relatada de doença cardiovascular. As estimativas de risco variaram muito entre escores, e o escore específico para HIV classificou proporção bem maior de pacientes como alto risco do que os escores de população geral.

O que o estudo mostrou

Apesar de história clínica de doença cardiovascular incomum (2,4%), o Doppler de carótidas mostrou alterações ateroscleróticas em 34,4%, associadas a idade mais avançada e maior tempo de terapia antirretroviral. Metabolismo glicêmico anormal foi identificado em 89,7%, dislipidemia em 82,5%, síndrome metabólica em 50,8%, marcadores inflamatórios elevados em 28,2% e apolipoproteína A1 baixa em 22,6%. Apenas 8,1% tiveram achados normais em todas as avaliações. Alto risco cardiovascular foi observado em 19,4% por Framingham, 9,4% por ACC/AHA e 75,4% pelo escore HIV-CARDIO-PREDICT.

Método

Avaliação transversal de doença cardiovascular aterosclerótica, anormalidades metabólicas, marcadores de inflamação e escores de risco cardiovascular. Foi utilizado Doppler de carótidas para identificar alterações ateroscleróticas (aumento do CIMT ou placa carotídea). O risco cardiovascular foi estimado por Framingham, ACC/AHA e pelo escore HIV-CARDIO-PREDICT.

Aplicação clínica

Em pessoas com HIV e obesidade, mesmo clinicamente estáveis e com baixa história de doença cardiovascular, pode haver aterosclerose subclínica e anormalidades metabólicas frequentes. Avaliação direcionada (incluindo rastreio de aterosclerose carotídea, metabolismo glicêmico e perfil lipídico) e manejo preventivo oportuno podem ser considerados. A escolha do escore de risco influencia a classificação dos pacientes, o que merece atenção na prática.

Limitações

Desenho transversal sem grupo controle, não permite inferir causalidade. Amostra pequena, de único local (Lima-Callao) e predominantemente masculina, limitando a generalização. A concordância e a validade dos diferentes escores de risco nesta população não foram estabelecidas de forma prospectiva e não há desfechos clínicos de seguimento.

O que não afirmar

Não afirmar que a terapia antirretroviral causa aterosclerose, pois a associação observada é transversal e não estabelece causalidade. Não afirmar que o escore HIV-CARDIO-PREDICT é superior aos demais para prever eventos, pois não houve desfecho clínico prospectivo. Não extrapolar os achados para pessoas com HIV sem obesidade, para menores de 35 anos ou para outras populações e regiões.

Fonte

HIV research & clinical practice · 31 de dez. de 2026

DOI: 10.1080/25787489.2026.2746807

Publicado no periódico: 31 de dez. de 2026 · Publicado na Science Play: 24 de out. de 2026

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