Efeito da canagliflozina na sensibilidade à insulina em equinos com desregulação insulínica avaliada por clamp euglicêmico hiperinsulinêmico: ensaio randomizado e controlado por placebo
Effect of canagliflozin on insulin sensitivity in insulin-dysregulated horses as assessed by euglycemic hyperinsulinemic clamp: a randomized, placebo-controlled trial.
Publicado em
Grau de evidência · Padrão GRADE
Evidência moderada, boa, com ressalvas
Confiança moderada no resultado. Mesmo padrão de avaliação usado por Cochrane e OMS.
- Tipo de estudo
- Ensaio clínico randomizado, duplo-cego, controlado por placebo
- Amostra
- 20 éguas com desregulação insulínica (10 canagliflozina, 10 placebo)
- Certeza do resultado
- Moderadaprovável, mas pode mudar
- Aplicável na prática?
- Vale, com critério
- Risco de superinterpretação
- Moderado · 3 de 5
Bottom line
Em éguas com desregulação insulínica, a canagliflozina reduziu a responsividade das células beta e aumentou a depuração de insulina, apesar de uma aparente menor sensibilidade à insulina. Os autores sugerem que maior produção endógena de glicose nos animais tratados pode ter subestimado a sensibilidade à insulina medida.
O que o estudo mostrou
A sensibilidade à insulina (M/I) foi menor com canagliflozina do que com placebo (1,5 ± 0,2 vs 2,7 ± 0,2 [mg/kg/min × 10³]/[µIU/mL]; diferença de médias LS, -1,3 [IC 95%, -1,9 a -0,6]; P < 0,001). A depuração metabólica da insulina foi maior (6,5 ± 0,3 vs 5,4 ± 0,3 mL/kg/min; diferença, 1,0 [IC 95%, 0,3 a 1,8]; P = 0,01). A responsividade das células beta (ΔI vs ΔG) foi 43,3% menor com canagliflozina (20,8 [IC 95%, 16,9-25,5] vs 36,7 [29,9-45,1] mIU/mmol; razão das médias geométricas LS, 0,57 [IC 95%, 0,42-0,76]; P < 0,001).
Método
As éguas receberam canagliflozina (0,4 mg/kg, n=10) ou placebo (n=10) por via oral, uma vez ao dia, durante 4 semanas. A sensibilidade à insulina (M/I) e a taxa de depuração metabólica da insulina (MCR) foram avaliadas por clamp euglicêmico hiperinsulinêmico (EHC); a responsividade das células beta foi avaliada por teste de infusão gradual de glicose (GGI).
Aplicação clínica
Em medicina equina, os achados ajudam a compreender os mecanismos pelos quais a canagliflozina reduz a hiperinsulinemia em cavalos com desregulação insulínica, apontando para menor responsividade das células beta e maior depuração de insulina, mais do que para melhora direta da sensibilidade à insulina. A interpretação da sensibilidade à insulina sob tratamento com inibidores de SGLT2 deve considerar a contribuição da produção endógena de glicose.
Limitações
Amostra pequena (20 animais); inclusão apenas de éguas, limitando a generalização a machos; duração curta de 4 semanas; possível subestimação da sensibilidade à insulina devido a maior produção endógena de glicose nos animais tratados; ausência de desfechos clínicos como laminite ou peso.
O que não afirmar
Não afirmar que a canagliflozina melhora a sensibilidade à insulina em equinos; o estudo observou aparente redução da sensibilidade medida. Não afirmar benefício clínico sobre laminite ou outros desfechos, não avaliados. Não extrapolar para machos, outras espécies ou uso humano. Não afirmar segurança ou eficácia de longo prazo além das 4 semanas estudadas.
Fonte
Journal of veterinary internal medicine · 01 de set. de 2026
DOI: 10.1093/jvimsj/aalag285Publicado no periódico: 01 de set. de 2026 · Publicado na Science Play: 30 de out. de 2026
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