Efeito do consumo de tomate na esteatose hepática em MASLD: ensaio clínico randomizado (Estudo POMOSANO)
Effect of Tomato Consumption on Liver Steatosis in MASLD: A Randomized Controlled Trial (POMOSANO Study).
Publicado em
Grau de evidência · Padrão GRADE
Evidência baixa, limitada, use cautela
Confiança limitada no resultado. Mesmo padrão de avaliação usado por Cochrane e OMS.
- Tipo de estudo
- Ensaio clínico randomizado controlado, aberto, com duração de 6 semanas
- Amostra
- 79 adultos randomizados: 42 no grupo intervenção (tomate) e 37 no grupo controle (dieta sem tomate)
- Certeza do resultado
- Baixause cautela
- Aplicável na prática?
- Com ressalvas
- Risco de superinterpretação
- Alto · 4 de 5
Bottom line
O consumo diário de tomate cru e molho de tomate por 6 semanas reduziu a esteatose hepática medida por CAP em adultos com MASLD não obesos, sugerindo estratégia nutricional complementar, sem efeito significativo sobre rigidez hepática, peso ou marcadores metabólicos.
O que o estudo mostrou
O CAP diminuiu em ambos os grupos, com redução maior no grupo intervenção (mediana de mudança: -35,00 vs -18,00 dB/m). A interação tratamento por tempo foi significativa (β = -26,63; IC 95% -44,00 a -9,25; p = 0,0030), indicando redução significativamente maior da esteatose hepática no grupo tomate. Valores de CAP também foram significativamente menores no grupo intervenção no seguimento (p = 0,0433). Não houve diferenças significativas entre grupos para rigidez hepática, índice FIB-4, peso corporal, composição corporal ou maioria dos marcadores metabólicos e bioquímicos.
Método
Participantes do grupo intervenção consumiram 200 g/dia de tomate cru e 50 g/dia de molho de tomate por 6 semanas; o controle seguiu dieta livre de tomate. O desfecho primário foi a esteatose hepática avaliada pelo controlled attenuation parameter (CAP) do FibroScan. Desfechos secundários incluíram medidas antropométricas, composição corporal, rigidez hepática e marcadores metabólicos e bioquímicos. Modelos lineares de efeitos mistos avaliaram mudanças ao longo do tempo.
Aplicação clínica
Em adultos com MASLD e IMC não obeso, a inclusão de tomate (cru e molho) na dieta pode ser considerada como componente de um padrão alimentar mediterrâneo voltado ao manejo da esteatose hepática, sempre integrada às modificações de estilo de vida já recomendadas. Não substitui as recomendações padrão de perda de peso e atividade física.
Limitações
Amostra pequena e unicêntrica; intervenção curta (6 semanas); desenho aberto sem cegamento; uso de desfecho substituto (CAP por FibroScan) em vez de histologia ou desfechos clínicos; restrição a pacientes com IMC menor ou igual a 30 kg/m2, limitando a generalização para obesos; redução de CAP também observada no controle; ausência de efeito significativo em desfechos secundários; não informado no estudo o seguimento a longo prazo.
O que não afirmar
Não afirmar que o tomate trata ou cura a MASLD, nem que reduz fibrose hepática, peso corporal ou marcadores metabólicos, pois não houve efeito nesses desfechos. Não afirmar benefício em pacientes obesos (IMC maior que 30) nem efeitos além de 6 semanas. Não extrapolar redução do CAP para melhora histológica ou desfechos clínicos como cirrose ou mortalidade.
Fonte
Nutrients · 30 de jul. de 2026
DOI: 10.3390/nu18152476Publicado no periódico: 30 de jul. de 2026 · Publicado na Science Play: 14 de ago. de 2026
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