Suplementação de creatina isolada ou combinada com exercício na dor musculoesquelética crônica em contexto reumatológico: revisão sistemática
Impact of creatine supplementation alone or combined with exercise on inflammatory and clinical outcomes in chronic musculoskeletal pain treated in the rheumatological field: a systematic review.
Publicado em
Grau de evidência · Padrão GRADE
Evidência baixa, limitada, use cautela
Confiança limitada no resultado. Mesmo padrão de avaliação usado por Cochrane e OMS.
- Tipo de estudo
- Revisão sistemática (PRISMA) de ensaios clínicos randomizados e não randomizados
- Amostra
- 8 estudos incluídos, totalizando 189 participantes
- Certeza do resultado
- Baixause cautela
- Aplicável na prática?
- Com ressalvas
- Risco de superinterpretação
- Alto · 4 de 5
Bottom line
A creatina isolada parece insuficiente para obter benefícios clínicos, enquanto combinada com exercício resistido pode oferecer benefícios potenciais para força muscular, massa muscular e certos aspectos da qualidade de vida nessas condições. A evidência sobre dor e inflamação permanece limitada e a resposta entre condições é heterogênea.
O que o estudo mostrou
Creatina combinada com treinamento resistido pode melhorar força, massa muscular esquelética e qualidade de vida além do exercício isolado na osteoartrite. Em fibromialgia, os estudos sugerem aumento de força muscular, mas efeitos inconsistentes sobre a dor. Em artrite reumatoide, há sugestão de ganho de massa muscular esquelética e, em estudos piloto, redução da atividade da doença. Não foram relatados eventos adversos graves. A creatina isolada mostrou-se possivelmente insuficiente para benefício clínico.
Método
Buscas em MEDLINE, Web of Science, CINAHL, Scopus e EMBASE até julho de 2026. Foram elegíveis ensaios clínicos randomizados ou não randomizados que forneceram creatina isolada ou combinada com exercício, comparados a grupo controle ou placebo. Doses variaram de baixa dose crônica a protocolos de carga (20 g/dia; 2-5 g/dia). Desfechos avaliados: dor, função física/incapacidade, qualidade de vida, força muscular, massa muscular esquelética e marcadores inflamatórios.
Aplicação clínica
Em pacientes reumatológicos com sarcopenia ou perda funcional, a creatina pode ser considerada como adjuvante ao treinamento resistido para apoiar ganhos de força e massa muscular, sem substituir o exercício. Não deve ser indicada isoladamente com expectativa de controle de dor ou de inflamação. A decisão deve considerar a condição específica, o perfil do paciente e a supervisão profissional.
Limitações
Número reduzido de estudos e amostra total pequena; inclusão de ensaios não randomizados e piloto; heterogeneidade de condições clínicas, doses e protocolos; escassez de dados robustos sobre dor e marcadores inflamatórios; seguimento e padronização de desfechos limitados.
O que não afirmar
Não afirmar que a creatina reduz a dor na fibromialgia ou em outras condições reumatológicas; não afirmar efeito anti-inflamatório comprovado; não afirmar que a creatina isolada, sem exercício, gera benefício clínico; não afirmar benefício uniforme entre as diferentes doenças; não extrapolar redução de atividade de doença na artrite reumatoide, baseada apenas em estudos piloto.
Fonte
Nutrition (Burbank, Los Angeles County, Calif.) · 11 de jun. de 2026
DOI: 10.1016/j.nut.2026.113330Publicado no periódico: 11 de jun. de 2026 · Publicado na Science Play: 24 de jul. de 2026
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