Dapagliflozina associada à pioglitazona no DM2 com ou sem MASLD: revisão sistemática e metanálise (estudo PRO-2)
Dapagliflozin & pioglitazone combination therapy in T2DM with or without MASLD - a systematic review and meta-analysis: PRO-2 study.
Publicado em
Grau de evidência · Padrão GRADE
Evidência baixa, limitada, use cautela
Confiança limitada no resultado. Mesmo padrão de avaliação usado por Cochrane e OMS.
- Tipo de estudo
- Revisão sistemática e metanálise de estudos randomizados e observacionais
- Amostra
- 13 estudos, n = 1411 participantes
- Certeza do resultado
- Baixause cautela
- Aplicável na prática?
- Com ressalvas
- Risco de superinterpretação
- Alto · 4 de 5
Bottom line
Em adultos com DM2, com ou sem MASLD, a terapia combinada dapagliflozina mais pioglitazona associou-se a melhora do controle glicêmico e de marcadores não invasivos de esteatose hepática, mantendo perfil de segurança favorável. Pela predominância de desfechos substitutos e dados limitados confirmados por biópsia, os achados devem ser interpretados com cautela.
O que o estudo mostrou
A combinação dapagliflozina mais pioglitazona reduziu a HbA1c (diferença média -0,49%; IC95% -0,64 a -0,34), a glicemia de jejum (-11,96 mg/dL; IC95% -16,30 a -7,62) e a glicemia pós-prandial (-21,54 mg/dL; IC95% -30,84 a -12,24). Nos desfechos hepáticos, houve redução do conteúdo de gordura hepática (diferença média padronizada -0,42; IC95% -0,61 a -0,22) e do NAS (diferença média padronizada -0,39; IC95% -0,56 a -0,22), além de maior taxa de resolução de esteato-hepatite (risco relativo 1,48; IC95% 1,13 a 1,92). O perfil de segurança foi descrito como favorável.
Método
Revisão sistemática e metanálise com busca em PubMed, Embase, Cochrane Central, Scopus e Web of Science atualizada até janeiro de 2026, incluindo estudos randomizados e observacionais que compararam dapagliflozina mais pioglitazona versus cuidado padrão ou monoterapia. Desfecho primário: controle glicêmico (HbA1c, glicemia de jejum e pós-prandial). Desfechos secundários: peso corporal, índices de resistência à insulina, conteúdo de gordura hepática, NAFLD activity score (NAS), resolução de esteato-hepatite, enzimas hepáticas, índices não invasivos de fibrose, parâmetros lipídicos e segurança. Registro PROSPERO CRD420251117019.
Aplicação clínica
Os dados sugerem que a associação dapagliflozina mais pioglitazona pode ser considerada como estratégia para melhorar o controle glicêmico e marcadores de esteatose hepática em adultos com DM2, com ou sem MASLD. A decisão deve considerar o perfil individual do paciente, incluindo risco de retenção hídrica, ganho de peso e outros efeitos associados à pioglitazona, e ser interpretada à luz da certeza de evidência moderada a baixa.
Limitações
Predominância de desfechos hepáticos substitutos (marcadores não invasivos) em vez de histologia; dados limitados confirmados por biópsia; certeza de evidência baixa para desfechos histológicos; inclusão de estudos observacionais além de randomizados; amostra total relativamente modesta (n = 1411); ausência de dados de desfechos clínicos de longo prazo como progressão de fibrose, eventos cardiovasculares ou mortalidade.
O que não afirmar
Não afirmar que a combinação reverte fibrose hepática ou cirrose; não afirmar redução de desfechos clínicos duros (eventos cardiovasculares, mortalidade, progressão para cirrose ou carcinoma hepatocelular); não afirmar superioridade definitiva sobre outras terapias com base em desfechos histológicos, dado o baixo grau de certeza; não extrapolar os resultados para pacientes sem DM2 ou para uso em populações não estudadas.
Fonte
Frontiers in clinical diabetes and healthcare · 2026
DOI: 10.3389/fcdhc.2026.1733995Publicado no periódico: 2026 · Publicado na Science Play: 05 de ago. de 2026
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