Efeitos de curto e longo prazo da semaglutida 2,4 mg sobre ingestão energética, apetite e recompensa alimentar: ensaio clínico randomizado de 60 semanas
Short- and long-term effects of semaglutide 2.4 mg on energy intake, appetite, and food reward: a 60-week, double-blind randomized controlled trial.
Publicado em
Grau de evidência · Padrão GRADE
Evidência moderada, boa, com ressalvas
Confiança moderada no resultado. Mesmo padrão de avaliação usado por Cochrane e OMS.
- Tipo de estudo
- Ensaio clínico randomizado, duplo-cego, controlado por placebo
- Amostra
- 120 adultos randomizados na proporção 3:2 para semaglutida 2,4 mg ou placebo
- Certeza do resultado
- Moderadaprovável, mas pode mudar
- Aplicável na prática?
- Vale, com critério
- Risco de superinterpretação
- Moderado · 3 de 5
Bottom line
A semaglutida 2,4 mg manteve a redução da ingestão calórica nas semanas 20, 40 e 60, mesmo com declínio de alguns benefícios subjetivos sobre apetite, sugerindo que a menor ingestão energética é um mecanismo central pelo qual o fármaco induz e mantém a perda de peso.
O que o estudo mostrou
O grupo semaglutida teve reduções significativamente maiores na ingestão energética ad libitum em relação ao placebo nas semanas 20, 40 e 60, consumindo em média 291,9 ± 64,4, 240,2 ± 87,8 e 269,5 ± 83,6 kcal a menos, respectivamente. Na semana 20, a semaglutida associou-se a maior supressão do apetite após o café da manhã padronizado (diferença média = 2197 ± 823), maior redução da fome na semana anterior (DM = -17,4 ± 4,8) e da preocupação com comida (DM = -14,9 ± 4,5), mas essas diferenças de apetite não foram significativas nas semanas 40 e 60. A resposta ao valor recompensador da comida teve maior redução com semaglutida nas semanas 20 e 40 (DM = -0,4 ± 0,2 e -0,6 ± 0,2).
Método
Ensaio de 60 semanas com avaliações laboratoriais nas semanas 0, 20, 40 e 60. Os participantes avaliaram o apetite em jejum e por 4 horas após um café da manhã padronizado. A ingestão energética foi medida durante um almoço ad libitum. A recompensa alimentar foi avaliada com a Power of Food Scale. Dados faltantes foram estimados por imputação múltipla jump-to-reference, e análises de covariância compararam a mudança entre os grupos em cada avaliação, controlando pelo basal.
Aplicação clínica
Os achados reforçam que a persistência da redução da ingestão calórica, e não apenas os relatos subjetivos de apetite, sustenta a perda de peso com semaglutida ao longo do tratamento. Isso pode orientar a expectativa clínica de que o benefício sobre o consumo alimentar se mantém mesmo quando o paciente relata que os efeitos sobre fome e saciedade parecem diminuir com o tempo.
Limitações
Amostra pequena (120 participantes), avaliações em ambiente laboratorial que podem não representar o consumo habitual, uso de imputação múltipla para dados faltantes, e ausência de significância nos desfechos de apetite nas semanas 40 e 60. Duração de 60 semanas não permite conclusões sobre manutenção após interrupção do tratamento.
O que não afirmar
Não afirmar que a semaglutida elimina a fome de forma sustentada ao longo do tratamento, pois os benefícios subjetivos de apetite não se mantiveram significativos após a semana 20. Não afirmar que os efeitos sobre ingestão persistem após a suspensão do fármaco, pois o estudo não avaliou esse cenário. Não extrapolar os resultados para populações não incluídas no estudo nem para outras doses de semaglutida.
Fonte
The American journal of clinical nutrition · 01 de ago. de 2026
DOI: 10.1016/j.ajcnut.2026.101403Publicado no periódico: 01 de ago. de 2026 · Publicado na Science Play: 04 de ago. de 2026
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