Efeitos aditivos de estratégias nutricionais ao treino de força sobre composição corporal, força muscular e densidade mineral óssea em mulheres na pós-menopausa: revisão sistemática
Analysis of the Additive Effects of Nutritional Strategies in Strength Training Interventions on Body Composition, Muscle Strength and Bone Mineral Density in Postmenopausal Women: A Systematic Review.
Publicado em
Grau de evidência · Padrão GRADE
Evidência baixa, limitada, use cautela
Confiança limitada no resultado. Mesmo padrão de avaliação usado por Cochrane e OMS.
- Tipo de estudo
- Revisão sistemática (sem metanálise), conforme PRISMA, com registro PROSPERO
- Amostra
- 34 estudos incluídos, totalizando 1.541 mulheres na pós-menopausa; 31 estudos com escore PEDro igual ou maior que 6
- Certeza do resultado
- Baixause cautela
- Aplicável na prática?
- Com ressalvas
- Risco de superinterpretação
- Alto · 4 de 5
Bottom line
O treino de força é a intervenção com evidência mais robusta para melhorar composição corporal, força e densidade mineral óssea na pós-menopausa. Restrição calórica moderada favorece a perda de gordura e a ingestão proteica adequada é recomendável, mas o acréscimo de proteína acima de 0,8 g/kg e de suplementos específicos não demonstrou benefício aditivo consistente.
O que o estudo mostrou
O treino de força sistemático melhorou de forma consistente composição corporal, força muscular e densidade mineral óssea. Onze estudos avaliaram déficit calórico adicional (250 a 750 kcal/dia), que potencializou a redução de massa gorda. A ingestão proteica foi examinada em nove estudos, sem efeito adicional significativo sobre força muscular e massa magra quando já havia ingestão mínima de 0,8 g/kg de peso corporal. As demais estratégias foram escassas: três estudos com aminoácidos, quatro com cálcio e vitamina D, quatro com creatina, um com Zataria multiflora, um com ômega-3 e um com Shatavari, sem evidência conclusiva.
Método
Busca em três bases (PubMed, Web of Science e SPORTDiscus) seguindo as diretrizes PRISMA. A qualidade metodológica e o risco de viés foram avaliados pela escala PEDro. Os desfechos analisados foram composição corporal, força muscular e densidade mineral óssea, comparando treino de força isolado versus treino de força combinado a estratégias nutricionais ou de suplementação.
Aplicação clínica
Reforça priorizar o treino de força estruturado como base do manejo de perda muscular, ganho de gordura e redução de densidade óssea na pós-menopausa. Um déficit calórico moderado (250 a 750 kcal/dia) pode ser considerado quando o objetivo for reduzir massa gorda, e a ingestão proteica deve atingir ao menos 0,8 g/kg/dia. Não há base para recomendar rotineiramente suplementos (aminoácidos, creatina, cálcio e vitamina D, ômega-3, fitoterápicos) como potencializadores do treino, dada a escassez de dados.
Limitações
Ausência de metanálise; heterogeneidade de protocolos de treino, dietas e desfechos; número pequeno de estudos por estratégia nutricional; amostra total relativamente limitada; possível viés de publicação e restrição a três bases de dados. A revisão não permite quantificar magnitude de efeito das estratégias combinadas.
O que não afirmar
Não afirmar que qualquer suplemento (creatina, aminoácidos, cálcio e vitamina D, ômega-3, Shatavari ou Zataria multiflora) potencializa comprovadamente os efeitos do treino de força nesta população. Não afirmar que ingestão proteica acima de 0,8 g/kg gera ganho adicional de força ou massa magra. Não afirmar relações causais definitivas nem extrapolar os achados para mulheres na pré-menopausa ou homens.
Fonte
Sports medicine - open · 14 de jan. de 2026
DOI: 10.1186/s40798-025-00954-2Publicado no periódico: 14 de jan. de 2026 · Publicado na Science Play: 20 de jul. de 2026
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