Hiperglicemia aguda na internação, suporte nutricional e desfechos cardiovasculares de longo prazo: coorte nacional de dados reais
Acute hyperglycemia during hospitalization, nutritional support, and longer-term cardiovascular outcomes: a nationwide real-world data cohort study.
Publicado em
Grau de evidência · Padrão GRADE
Evidência baixa, limitada, use cautela
Confiança limitada no resultado. Mesmo padrão de avaliação usado por Cochrane e OMS.
- Tipo de estudo
- Coorte retrospectiva de dados reais (real-world data), base nacional dos EUA (National Clinical Cohort Collaborative)
- Amostra
- 5.174.261 pacientes; idade média 55 anos (DP 21); 48,9% homens; 67,2% brancos; 1.390.281 (26,8%) com hiperglicemia aguda
- Certeza do resultado
- Baixause cautela
- Aplicável na prática?
- Com ressalvas
- Risco de superinterpretação
- Alto · 4 de 5
Bottom line
A hiperglicemia aguda durante a internação em adultos sem diabetes prévio associou-se a maior risco de eventos cardiovasculares no longo prazo, com associação mais pronunciada entre pacientes que receberam nutrição parenteral ou enteral.
O que o estudo mostrou
A hiperglicemia aguda associou-se a maior risco de eventos cardiovasculares incidentes (HR ajustado 1,82; IC95%: 1,80 a 1,84). As interações entre hiperglicemia aguda e suporte nutricional foram estatisticamente significativas para nutrição parenteral (P < 0,01) e enteral (P = 0,026). Os HR estratificados foram 2,11 (IC95%: 2,06 a 2,16) com nutrição parenteral, 1,95 (IC95%: 1,92 a 1,98) com nutrição enteral e 1,35 (IC95%: 1,32 a 1,38) sem suporte nutricional.
Método
Hiperglicemia aguda definida como glicemia maior que 180 mg/dL sem diabetes pré-existente. Suporte nutricional definido como recebimento de nutrição enteral ou parenteral durante a internação. Desfecho primário: composto de eventos cardiovasculares ocorridos mais de 30 dias pós-alta (doenças cerebrovasculares, disritmias, doença isquêmica do coração, insuficiência cardíaca e distúrbios trombóticos diagnosticados por médico). Modelos de Cox estimaram hazard ratios ajustados para demografia, hipertensão, obesidade, doença arterial coronariana, doença renal crônica, doença pulmonar crônica e uso de medicação cardiovascular. Seguimento mediano de 2,3 anos (IIQ: 1,8 a 3,4 anos)
Aplicação clínica
Em pacientes hospitalizados sem diabetes prévio, a hiperglicemia aguda pode sinalizar maior risco cardiovascular após a alta, o que reforça o valor de monitorar glicemia na internação e considerar vigilância cardiovascular pós-alta, especialmente entre os que receberam nutrição enteral ou parenteral. Os achados podem subsidiar atenção ao controle glicêmico durante o suporte nutricional, sem definir conduta terapêutica específica a partir deste estudo.
Limitações
Desenho observacional e retrospectivo que impede conclusões de causalidade. Possível confusão por indicação, já que o suporte nutricional é marcador de gravidade. Confusão residual apesar dos ajustes. Dependência de dados de prontuário e de diagnósticos médicos registrados, sujeitos a erro de classificação. Período coincide com a pandemia de COVID-19, o que pode afetar generalização. Não informado no estudo detalhamento sobre dose, duração ou composição do suporte nutricional e sobre controle glicêmico intra-hospitalar.
O que não afirmar
Não afirmar que a hiperglicemia aguda ou o suporte nutricional causam eventos cardiovasculares. Não afirmar que tratar a hiperglicemia reduz o risco cardiovascular, pois o estudo não avaliou intervenção. Não afirmar que a nutrição parenteral ou enteral aumenta o risco cardiovascular por si, já que a associação reflete contexto de maior gravidade e possível confusão por indicação. Não extrapolar para pacientes com diabetes ou doença cardiovascular prévia, excluídos da coorte. Não transformar os HR em benefício clínico de qualquer conduta.
Fonte
The American journal of clinical nutrition · 01 de nov. de 2026
DOI: 10.1016/j.ajcnut.2026.101518Publicado no periódico: 01 de nov. de 2026 · Publicado na Science Play: 04 de nov. de 2026
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