Índice de massa corporal em mulheres pós-menopáusicas com câncer de mama inicial RE-positivo, HER2-negativo: análise exploratória do estudo LORELEI
Body mass index in postmenopausal women with estrogen receptor-positive, HER2-negative early breast cancer: An exploratory analysis of the LORELEI trial.
Publicado em
Grau de evidência · Padrão GRADE
Evidência baixa, limitada, use cautela
Confiança limitada no resultado. Mesmo padrão de avaliação usado por Cochrane e OMS.
- Tipo de estudo
- Análise exploratória de subgrupo de ensaio clínico randomizado (fase II, neoadjuvante)
- Amostra
- 329 pacientes: 98 (29,8%) peso normal, 125 (38%) sobrepeso, 106 (32,2%) obesidade
- Certeza do resultado
- Baixause cautela
- Aplicável na prática?
- Com ressalvas
- Risco de superinterpretação
- Alto · 4 de 5
Bottom line
Nesta análise exploratória, a obesidade associou-se a menor resposta objetiva ao letrozol isolado, associação que não foi observada nas pacientes tratadas com taselisibe, sugerindo interação entre IMC, via PI3K e resposta ao tratamento que requer confirmação.
O que o estudo mostrou
No braço placebo (letrozol isolado), IMC mais alto associou-se a menor ORR (OR 0,90; IC 95% 0,83-0,97), associação não observada no braço taselisibe (OR 1,03; IC 95% 0,96-1,11; p de interação 0,007 não ajustado, 0,013 ajustado). Em pacientes com obesidade, a incidência de hiperglicemia foi 15,1% e de diarreia 24,5%. Níveis mais altos de pS6 associaram-se a maior ORR em pacientes com obesidade no braço placebo (p de interação 0,011). Pacientes com obesidade tinham menor densidade mamária basal (p < 0,001), sem associação com ORR. Obesidade associou-se a maior expressão de IL6, maior infiltração de células imunes e assinatura de metabolismo de ácidos graxos.
Método
Análise exploratória do ensaio randomizado LORELEI (NCT02273973), que comparou taselisibe (inibidor de PI3K) mais letrozol versus placebo mais letrozol em regime neoadjuvante. Pacientes classificados por IMC em peso normal (18,5-24,9 kg/m²), sobrepeso (25-29,9 kg/m²) ou obesidade (≥30 kg/m²). Regressão logística testou associação do IMC com taxa de resposta objetiva (ORR) por braço de tratamento; eventos adversos analisados descritivamente por categoria de IMC; composição imune e perfis de expressão gênica avaliados por sequenciamento de RNA.
Aplicação clínica
Os dados reforçam a hipótese de que a obesidade pode modular a resposta à terapia endócrina isolada e a relevância da via PI3K nesse contexto. No momento, não alteram a conduta clínica padrão, mas apoiam a inclusão do IMC como variável de estratificação e investigação em estudos futuros com inibidores de PI3K.
Limitações
Análise exploratória e post hoc, sem poder estatístico planejado para esses desfechos; amostra pequena por subgrupo; múltiplas comparações aumentam risco de achados casuais; desfecho substituto (ORR neoadjuvante) em vez de sobrevida; taselisibe não foi aprovado para uso clínico; ausência de dados de seguimento de longo prazo; possíveis fatores de confusão não totalmente controlados.
O que não afirmar
Não afirmar que a obesidade causa resistência à terapia endócrina nem que o taselisibe supera esse efeito; não afirmar benefício em sobrevida; não recomendar uso de taselisibe na prática (não aprovado); não extrapolar para pré-menopausa, HER2-positivo ou doença metastática; não sugerir que a perda de peso melhora a resposta ao tratamento com base neste estudo.
Fonte
European journal of cancer (Oxford, England : 1990) · 26 de ago. de 2026
DOI: 10.1016/j.ejca.2026.116880Publicado no periódico: 26 de ago. de 2026 · Publicado na Science Play: 08 de ago. de 2026
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