Impacto do Ciclo Menstrual na Recuperação Física após Jogos Reduzidos: Estudo Cruzado em Jogadoras de Futebol
Impact of The Menstrual Cycle on Physical Recovery after Small-Sided Games: A Crossover Study in Women's Soccer Players.
Publicado em
Grau de evidência · Padrão GRADE
Evidência baixa, limitada, use cautela
Confiança limitada no resultado. Mesmo padrão de avaliação usado por Cochrane e OMS.
- Tipo de estudo
- Estudo cruzado (crossover) com medidas repetidas
- Amostra
- 20 jogadoras amadoras de futebol (idade: 21,4 ± 1,8 anos)
- Certeza do resultado
- Baixause cautela
- Aplicável na prática?
- Com ressalvas
- Risco de superinterpretação
- Alto · 4 de 5
Bottom line
A fadiga neuromuscular e a resposta inflamatória aos jogos reduzidos parecem ser moduladas pela fase do ciclo menstrual, com respostas mais desfavoráveis na fase lútea média e no formato 1v1, o que pode ter implicações para individualização de treino e recuperação em atletas mulheres.
O que o estudo mostrou
Houve interação significativa entre fase do ciclo, formato e tempo para RSI (p = 0,040; ηp² = 0,154) e IL-6 (p < 0,001; ηp² = 0,773), mas não para DOMS (p = 0,121; ηp² = 0,283). O RSI foi significativamente menor e a IL-6 significativamente maior na fase lútea média, especialmente nas sessões 1v1 (RSI: p < 0,001; IL-6: p < 0,001).
Método
Estudo cruzado com 20 jogadoras aleatorizadas em dois grupos, avaliadas após formatos de jogos reduzidos (SSG) 1v1 e 5v5 em duas fases do ciclo menstrual (folicular precoce e lútea média, estimadas por calendário), com intervalo de 15 dias entre sessões. Avaliações em quatro momentos: repouso, imediatamente pós-sessão, 24h e 48h pós. Desfechos: índice de força reativa (RSI) por drop jump, interleucina-6 (IL-6) salivar e dor muscular tardia (DOMS) por escala Likert. Análise por ANOVA de medidas repetidas de três vias (formato, fase hormonal, tempo).
Aplicação clínica
Profissionais que atuam com futebol feminino podem considerar a fase do ciclo menstrual e o formato do jogo reduzido ao planejar carga e janelas de recuperação, monitorando marcadores neuromusculares (ex.: RSI) e sinais de fadiga, especialmente em torno da fase lútea média e em formatos de alta demanda como 1v1.
Limitações
Amostra pequena (n = 20); fases do ciclo definidas por estimativa de calendário, sem confirmação por dosagem hormonal; população restrita a jogadoras amadoras jovens; possíveis confundidores individuais (dieta, sono, carga de treino) não plenamente controlados; IL-6 medida em saliva; ausência de dados sobre uso de contraceptivos hormonais não informada no estudo.
O que não afirmar
Não afirmar que o ciclo menstrual prejudica o desempenho competitivo de forma definitiva; não afirmar relação causal generalizável a atletas de elite ou outras modalidades; não recomendar suspensão ou ajuste de treino baseado apenas neste estudo; não afirmar que a fase folicular garante melhor recuperação em todas as atletas; não extrapolar para usuárias de contraceptivos hormonais.
Fonte
Journal of sports science & medicine · 01 de set. de 2025
DOI: 10.52082/jssm.2025.532Publicado no periódico: 01 de set. de 2025 · Publicado na Science Play: 26 de jul. de 2026
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