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Índice triglicerídeo-glicose e índices derivados na síndrome cardiovascular-renal-metabólica (estágios 0-3): metanálise dose-resposta de mortalidade e risco cardiovascular

Mortality and cardiovascular risk of triglyceride-glucose and derived indices in cardiovascular-kidney-metabolic syndrome stages 0-3: a dose-response meta-analysis.

Publicado em

C

Grau de evidência · Padrão GRADE

Evidência baixa, limitada, use cautela

Confiança limitada no resultado. Mesmo padrão de avaliação usado por Cochrane e OMS.

Tipo de estudo
Revisão sistemática e metanálise dose-resposta de estudos observacionais
Amostra
80 estudos observacionais incluídos; número total de participantes não informado no estudo
Certeza do resultado
Baixause cautela
Aplicável na prática?
Com ressalvas
Risco de superinterpretação
Alto · 4 de 5

Bottom line

Índices derivados do TyG, sobretudo TyG-WC, TyG-WHtR e CTI, mostraram associações de risco cardiovascular mais robustas que o TyG isolado em populações CKM, enquanto a utilidade clínica do TyG-BMI é relativamente limitada. Elevações moderadas do TyG associaram-se a menor risco de mortalidade dentro de certa faixa, com associação não linear em U confirmada apenas para mortalidade por todas as causas.

O que o estudo mostrou

Índices derivados do TyG apresentaram associações de risco mais fortes que o TyG isolado. Na análise por categoria mais alta, o TyG-WC teve o risco mais pronunciado para mortalidade cardiovascular (RR = 1,52; IC95%: 1,35-1,70; IP95%: 1,26-1,82). O CTI associou-se a aumento de 57% na incidência de DCV (RR = 1,57; IC95%: 1,33-1,85; IP95%: 1,00-2,46). O TyG-BMI não mostrou associação significativa com desfechos de mortalidade (P > 0,05), mas previu aumento de 51% na incidência de DCV (RR = 1,51; IC95%: 1,36-1,67; IP95%: 1,05-2,16). As associações positivas foram evidentes nos estágios CKM 1-3 e não significativas no estágio 0. A dose-resposta revelou associação não linear em U do TyG com mortalidade por todas as causas (P não linearidade < 0,0001; nadir = 8,90), enquanto para incidência de DCV houve tendência monotônica crescente (P geral = 0,0014). Em análises de sensibilidade excluindo câncer, doenças consumptivas e estágio 0, o padrão em U manteve-se estável (nadir de mortalidade deslocado para 9,1).

Método

Revisão sistemática com metanálise dose-resposta usando abordagem de efeitos mistos em uma etapa (one-stage), avaliando os índices TyG, TyG-BMI, TyG-WC, TyG-WHtR e CTI para desfechos de mortalidade por todas as causas, mortalidade cardiovascular e incidência de DCV (AVC, doença coronariana, insuficiência cardíaca e eventos cardiovasculares adversos maiores). Análises contínuas (por incremento de 1-DP) e categóricas (maior vs. menor categoria), complementadas por subgrupos, metarregressão, leave-one-out e trim-and-fill. Registro PROSPERO CRD420251111362.

Aplicação clínica

Em populações nos estágios 1-3 da síndrome CKM, índices que incorporam adiposidade abdominal (TyG-WC, TyG-WHtR) e o CTI podem agregar informação na estratificação de risco cardiovascular além do TyG isolado. O comportamento em U do TyG para mortalidade sugere cautela ao interpretar valores muito baixos ou muito altos; o nadir observado situou-se em torno de 8,9 a 9,1.

Limitações

Estudos observacionais não estabelecem causalidade; possível confundimento residual e heterogeneidade entre estudos. Número total de participantes não informado no estudo. Achados no estágio CKM 0 e análises de mortalidade para TyG-BMI foram não significativos. Pontos de corte, faixas de valores e definições variaram entre estudos. Associações em U podem sofrer influência de causalidade reversa apesar das análises de sensibilidade.

O que não afirmar

Não afirmar que TyG ou seus derivados causam mortalidade ou eventos cardiovasculares. Não afirmar que valores baixos de TyG protegem contra mortalidade. Não afirmar superioridade definitiva de um índice sobre outro para uso clínico rotineiro. Não afirmar aplicabilidade ao estágio CKM 0, onde as associações foram não significativas. Não usar como recomendação de rastreamento ou meta terapêutica sem validação prospectiva.

Fonte

Frontiers in endocrinology · 2026

DOI: 10.3389/fendo.2026.1927610

Publicado no periódico: 2026 · Publicado na Science Play: 02 de set. de 2026

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