N-acetilcisteína em alta dose na MASLD sem diabetes: ensaio randomizado sem benefício sobre estresse oxidativo e resistência insulínica
Effect of high dose N-acetyl cysteine supplementation on markers of oxidative stress and insulin resistance in non-diabetic patients with metabolic dysfunction associated steatotic liver disease: a randomized controlled trial.
Publicado em
Grau de evidência · Padrão GRADE
Evidência baixa, limitada, use cautela
Confiança limitada no resultado. Mesmo padrão de avaliação usado por Cochrane e OMS.
- Tipo de estudo
- Ensaio clínico prospectivo, randomizado, controlado e aberto (open-label)
- Amostra
- 60 participantes (30 no grupo NAC + intervenção no estilo de vida; 30 no grupo apenas intervenção no estilo de vida)
- Certeza do resultado
- Baixause cautela
- Aplicável na prática?
- Com ressalvas
- Risco de superinterpretação
- Alto · 4 de 5
Bottom line
Em pacientes não diabéticos com MASLD, a suplementação de NAC em alta dose (2400 mg/dia) por 3 meses não melhorou de forma significativa o estresse oxidativo, a resistência insulínica ou a esteatose e fibrose hepáticas quando comparada apenas à intervenção no estilo de vida.
O que o estudo mostrou
Não houve diferença significativa entre os grupos em MDA sérico, leptina, insulina de jejum ou HOMA-IR (todos p > 0,05). Parâmetros do FibroScan e escores não invasivos de esteatose e fibrose também não diferiram significativamente. Houve redução significativa dos escores de esteatose hepática no grupo controle (p = 0,004) e melhora do índice de esteatose hepática em ambos os grupos (p = 0,008). Os triglicerídeos reduziram significativamente no grupo controle, enquanto o HDL-colesterol aumentou significativamente no grupo NAC. A qualidade de vida global permaneceu inalterada, exceto por aumento significativo no domínio emocional no grupo NAC. A NAC foi segura e bem tolerada.
Método
Participantes foram randomizados para receber NAC oral 2400 mg/dia associada a intervenção no estilo de vida ou intervenção no estilo de vida isolada, por 12 semanas. Desfecho primário: variação do malondialdeído (MDA) sérico. Desfechos secundários: marcadores de resistência insulínica (leptina, insulina de jejum, HOMA-IR), perfil lipídico, esteatose e fibrose hepática por FibroScan e escores não invasivos, e qualidade de vida.
Aplicação clínica
Os achados não sustentam a indicação de NAC em alta dose como intervenção para reduzir estresse oxidativo, resistência insulínica ou esteatose/fibrose hepática em pacientes não diabéticos com MASLD. A intervenção no estilo de vida permanece como base do manejo. A NAC mostrou-se segura e bem tolerada no período estudado.
Limitações
Amostra pequena (60 participantes); desenho aberto sem cegamento, sujeito a viés; curta duração de 12 semanas; ausência de avaliação histológica (biópsia); restrição a pacientes não diabéticos, limitando generalização; alguns achados favoráveis ocorreram no grupo controle, dificultando interpretação de benefício da NAC.
O que não afirmar
Não afirmar que a NAC melhora estresse oxidativo, resistência insulínica ou reverte esteatose/fibrose na MASLD. Não afirmar eficácia em pacientes diabéticos ou em desfechos de longo prazo. Não extrapolar para redução de risco de progressão para cirrose ou eventos hepáticos. Não interpretar as reduções observadas no grupo controle como efeito da NAC.
Fonte
BMC gastroenterology · 12 de ago. de 2026
DOI: 10.1186/s12876-026-05157-xPublicado no periódico: 12 de ago. de 2026 · Publicado na Science Play: 14 de ago. de 2026
Science Play · Camada de ação
Agora transforme essa evidência em ação
Aplique, ensine ou comunique este estudo, com responsabilidade científica.
O que fazer com essa evidência?
Escolha sua profissão e contexto e receba a aplicação prática, sem exagero, respeitando as ressalvas do estudo.
Transforme esta evidência em conteúdo
Ciência aplicada, sem hype. Cada peça respeita o grau de evidência da análise.