Eficácia do neurofeedback para compulsão alimentar: revisão sistemática e metanálise de ensaios randomizados
Efficacy of brain-based neurofeedback interventions for binge eating: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials.
Publicado em
Grau de evidência · Padrão GRADE
Evidência baixa, limitada, use cautela
Confiança limitada no resultado. Mesmo padrão de avaliação usado por Cochrane e OMS.
- Tipo de estudo
- Revisão sistemática e metanálise de ensaios clínicos randomizados
- Amostra
- 7 ensaios clínicos randomizados com 251 participantes no total
- Certeza do resultado
- Baixause cautela
- Aplicável na prática?
- Com ressalvas
- Risco de superinterpretação
- Alto · 4 de 5
Bottom line
O neurofeedback demonstrou efeito moderado sobre fissura alimentar e frequência de episódios de compulsão, com perfil de segurança favorável, mas sem efeito significativo sobre gravidade e autoeficácia. A evidência é preliminar e geradora de hipóteses, posicionando o NFB como possível opção adjuvante, não como tratamento isolado.
O que o estudo mostrou
O NFB foi associado a melhora na fissura alimentar (SMD = -0,45; IC 95% -0,78 a -0,12) e na frequência de compulsão alimentar (SMD = -0,54; IC 95% -1,00 a -0,08), ambos com tamanhos de efeito moderados. Não houve efeito significativo sobre a gravidade da compulsão (SMD = -0,22; IC 95% -0,56 a 0,12) nem sobre a autoeficácia (SMD = 0,21; IC 95% -0,33 a 0,75). Para fissura alimentar, o efeito foi maior em populações não clínicas (SMD = -0,58; IC 95% -0,98 a -0,17) do que em participantes com TCAP (SMD = -0,20; IC 95% -0,84 a 0,44).
Método
Busca sistemática em MEDLINE, CENTRAL, EMBASE, ClinicalTrial.gov e PubMed para identificar ECRs de intervenções com neurofeedback (NFB) para compulsão alimentar. Desfecho primário: fissura alimentar (food craving). Desfechos secundários: gravidade da compulsão, frequência de episódios e autoeficácia. Síntese por metanálise de efeitos aleatórios com cálculo de diferença média padronizada (SMD).
Aplicação clínica
O neurofeedback pode ser considerado como opção adjuvante não invasiva para redução de fissura alimentar e frequência de episódios de compulsão, especialmente em populações não clínicas. Não deve substituir tratamentos estabelecidos para TCAP. A decisão deve considerar a heterogeneidade de protocolos e a ausência de efeito demonstrado sobre gravidade clínica.
Limitações
Número pequeno de estudos e participantes; heterogeneidade e variabilidade dos protocolos de NFB; generalização limitada; ausência de efeito significativo em população clínica com TCAP para fissura alimentar; desfechos secundários de gravidade e autoeficácia sem efeito significativo; possível risco de viés não detalhado no abstract.
O que não afirmar
Não afirmar que o neurofeedback cura ou trata isoladamente o transtorno de compulsão alimentar periódica. Não afirmar eficácia comprovada em populações clínicas com TCAP para fissura alimentar. Não afirmar redução da gravidade da compulsão ou aumento de autoeficácia, pois não houve efeito significativo. Não extrapolar os resultados para crianças, adolescentes ou outros transtornos alimentares. Não apresentar como substituto de terapias de primeira linha.
Fonte
Psychiatry research · 01 de abr. de 2026
DOI: 10.1016/j.psychres.2026.116979Publicado no periódico: 01 de abr. de 2026 · Publicado na Science Play: 19 de jul. de 2026
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