Eficácia clínica de uma ferramenta de realidade virtual para o tratamento da obesidade: ensaio clínico randomizado
Assessing the Clinical Efficacy of a Virtual Reality Tool for the Treatment of Obesity: Randomized Controlled Trial.
Publicado em
Grau de evidência · Padrão GRADE
Evidência baixa, limitada, use cautela
Confiança limitada no resultado. Mesmo padrão de avaliação usado por Cochrane e OMS.
- Tipo de estudo
- Ensaio clínico randomizado controlado, com três braços (aberto, com avaliações seriadas)
- Amostra
- 68 participantes distribuídos em grupo controle (n=22), grupo experimental 1 (n=24) e grupo experimental 2 (n=22)
- Certeza do resultado
- Baixause cautela
- Aplicável na prática?
- Com ressalvas
- Risco de superinterpretação
- Alto · 4 de 5
Bottom line
Autoconversas motivacionais em realidade virtual, baseadas em princípios de entrevista motivacional, podem apoiar pessoas com obesidade ao aumentar prontidão para mudança de hábitos e autoeficácia, além de reduzir comportamentos alimentares disfuncionais e ansiedade, como ferramenta complementar ao tratamento usual.
O que o estudo mostrou
Nos desfechos primários, EG1 e EG2 mostraram melhora significativa na confiança para perder peso em relação ao controle em todos os pontos de avaliação (β=-0,16; P=0,02), e o EG1 apresentou aumento significativo na prontidão para se exercitar mais após a intervenção versus controle (β=-0,17; P=0,03). Nos desfechos secundários, o EG1 mostrou redução significativa em alimentação descontrolada (β=0,71; P=0,01) e alimentação emocional (β=0,29; P=0,03) versus controle, além de redução na ansiedade versus EG2 e controle (β=0,65; P=0,01). Os grupos experimentais relataram alta adesão e satisfação com a plataforma (EG1: média 59,82, DP 4,00; EG2: média 58,43, DP 5,22; d=0,30, IC 95% -0,30 a 0,89).
Método
Participantes foram randomizados em: grupo controle (tratamento usual da unidade de obesidade); grupo experimental 1 (EG1), que após treinamento intensivo em entrevista motivacional realizou 4 sessões de autoconversas motivacionais em realidade virtual com a plataforma ConVRself, com técnicas de embodiment e body-swapping; e grupo experimental 2 (EG2), que realizou 4 sessões em RV conduzidas por um conselheiro virtual com discurso pré-gravado e apenas técnica de embodiment. Nos dois grupos experimentais as intervenções foram assistidas por pesquisador clínico. Prontidão para mudança de hábitos, hábitos alimentares e variáveis psicológicas, além de adesão e satisfação, foram medidas no baseline, pós-intervenção, 1 semana e 4 semanas após a intervenção.
Aplicação clínica
Como estratégia complementar ao tratamento padrão, ferramentas de realidade virtual com autoconversas motivacionais podem ser exploradas por equipes multidisciplinares de obesidade para trabalhar motivação, autoeficácia e regulação do comportamento alimentar em pacientes selecionados, especialmente em contexto pré-cirúrgico. A aplicação depende de disponibilidade de tecnologia e de apoio clínico presencial durante as sessões.
Limitações
Amostra pequena e de centro único; população restrita a candidatos à cirurgia bariátrica, limitando generalização; seguimento de apenas 4 semanas, sem avaliação de manutenção de longo prazo; ausência de desfecho objetivo de perda de peso; intervenções assistidas por pesquisador, o que pode influenciar resultados; desenho aberto sem cegamento de participantes.
O que não afirmar
Não afirmar que a realidade virtual promove perda de peso, pois esse desfecho não foi avaliado. Não afirmar eficácia de longo prazo nem manutenção de mudança de hábitos além de 4 semanas. Não afirmar que a ferramenta substitui a cirurgia bariátrica, o tratamento clínico usual ou a psicoterapia convencional. Não extrapolar os resultados para populações fora do contexto pré-bariátrico.
Fonte
Journal of medical Internet research · 05 de abr. de 2024
DOI: 10.2196/51558Publicado no periódico: 05 de abr. de 2024 · Publicado na Science Play: 29 de jul. de 2026
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