Testes não invasivos na doença hepática esteatótica associada a disfunção metabólica (MASLD): estudo prospectivo multicêntrico de acurácia diagnóstica LITMUS
Non-invasive tests in metabolic dysfunction-associated steatotic liver disease: the LITMUS prospective multicentre diagnostic accuracy study.
Publicado em
Grau de evidência · Padrão GRADE
Evidência moderada, boa, com ressalvas
Confiança moderada no resultado. Mesmo padrão de avaliação usado por Cochrane e OMS.
- Tipo de estudo
- Estudo prospectivo multicêntrico de acurácia diagnóstica
- Amostra
- 1590 participantes com biópsia hepática pontuada centralmente e ao menos uma medida de biomarcador; 609 (38%) com MASH de risco, 678 (43%) com MASH, 585 (37%) com fibrose avançada e 164 (10%) com cirrose
- Certeza do resultado
- Moderadaprovável, mas pode mudar
- Aplicável na prática?
- Vale, com critério
- Risco de superinterpretação
- Moderado · 3 de 5
Bottom line
Em MASLD confirmada por biópsia, painéis multimarcadores, com destaque para o painel proteômico SomaSignal, e combinações sequenciais superaram marcadores isolados para identificar MASH de risco, fibrose avançada e cirrose, podendo apoiar estratégias de teste não invasivo e o desenho de ensaios clínicos.
O que o estudo mostrou
Para MASH de risco, o SomaSignal teve o maior desempenho (AUC 0,83; IC95% 0,80-0,85), superando o MAC, enquanto nenhum outro teste atingiu o MAC para MASH isolada. Para fibrose avançada, SomaSignal liderou (AUC 0,92; 0,90-0,94), seguido por FibroMeter-VCTE (0,87), Agile 3+ e TSP2 (ambos 0,84) e NIS4 (0,82). Para cirrose, FibroMeter-VCTE teve o maior desempenho (AUC 0,94; 0,90-0,97), seguido por SomaSignal (0,92) e Agile 3+ (0,88). Abordagens sequenciais em duas etapas usando gama-glutamil transferase como teste de primeira linha atingiram o MAC tanto para fibrose avançada quanto para MASH de risco. Marcadores isolados tiveram desempenho variável e limitado para MASH de risco, enquanto painéis multimarcadores, especialmente o painel proteômico, mostraram desempenho mais robusto.
Método
Foram avaliados 12 marcadores isolados e 18 painéis multimarcadores contra o padrão de referência de histologia hepática pontuada centralmente pelo NASH Clinical Research Network Scoring System. Alvos: MASH (NAS maior ou igual a 4 com ao menos 1 ponto por componente), MASH de risco (MASH com fibrose significativa F maior ou igual a 2), fibrose avançada (F maior ou igual a 3) e cirrose (F4). Desempenho medido pela área sob a curva ROC (AUC), com critério mínimo aceitável (MAC) de AUC maior que 0,80 para potencial substituição da biópsia. Período de recrutamento: 1 de janeiro de 2018 a 30 de junho de 2023.
Aplicação clínica
Os achados podem orientar a seleção de estratégias de testagem não invasiva em MASLD para estratificar fibrose avançada e cirrose e para enriquecer a seleção de pacientes em ensaios clínicos. Abordagens sequenciais iniciando por testes simples e amplamente disponíveis, como a GGT, antes de testes mais complexos, podem ser úteis em cenários de recursos limitados. A disponibilidade e o custo de painéis proteômicos e de elastografia precisam ser considerados na prática local.
Limitações
População composta por pacientes já indicados a biópsia, com alta prevalência das condições-alvo, limitando a generalização para atenção primária ou rastreamento populacional. Padrão de referência histológico sujeito a variabilidade e erro amostral. Desempenho para MASH isolada permaneceu abaixo do limiar aceitável. Validação externa e avaliação de desfechos clínicos e de impacto não foram o foco. Coorte restrita a Europa e EUA.
O que não afirmar
Não afirmar que qualquer teste não invasivo substitui definitivamente a biópsia hepática. Não afirmar que esses biomarcadores diagnosticam ou tratam MASLD de forma isolada. Não extrapolar o desempenho para populações de baixo risco ou rastreamento geral. Não afirmar benefício sobre desfechos clínicos (progressão, mortalidade), que não foram avaliados. Não afirmar superioridade de um teste específico fora dos alvos e contextos estudados.
Fonte
Lancet (London, England) · 31 de out. de 2026
DOI: 10.1016/s0140-6736(26)01145-1Publicado no periódico: 31 de out. de 2026 · Publicado na Science Play: 31 de out. de 2026
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