Treinamento autorregulado de 12 semanas combinado com melatonina no estresse oxidativo, inflamação, hiperlipidemia e composição corporal na esclerose múltipla: ensaio clínico randomizado
Benefits of 12-week self-paced training combined with melatonin supplementation on oxidative stress, inflammation, hyperlipidemia, and body composition in multiple sclerosis patients: A randomized controlled trial.
Publicado em
Grau de evidência · Padrão GRADE
Evidência baixa, limitada, use cautela
Confiança limitada no resultado. Mesmo padrão de avaliação usado por Cochrane e OMS.
- Tipo de estudo
- Ensaio clínico randomizado controlado, paralelo, com quatro grupos
- Amostra
- 49 participantes distribuídos em quatro grupos: treinamento + melatonina (TMG, n=11), treinamento + placebo (TPG, n=11), melatonina (MG, n=15) e placebo (PG, n=12)
- Certeza do resultado
- Baixause cautela
- Aplicável na prática?
- Com ressalvas
- Risco de superinterpretação
- Alto · 4 de 5
Bottom line
Neste ECR, o treinamento concorrente combinado com melatonina apresentou efeitos antioxidantes, anti-inflamatórios e hipolipemiantes maiores do que cada intervenção isolada e foi mais benéfico que o treinamento isolado para composição corporal em pessoas com esclerose múltipla.
O que o estudo mostrou
No TMG, glutationa reduzida, bilirrubina total e ácido úrico aumentaram versus TPG (todos p<0,001) e MG (p=0,002; p=0,0002; p<0,001). Malondialdeído, produtos avançados de oxidação proteica e LDL colesterol diminuíram no TMG versus TPG (p<0,001; p=0,038; p=0,0003) e MG (p=0,0034; p=0,004; p<0,001). Contagens de leucócitos, neutrófilos e linfócitos reduziram no TMG versus TPG (p=0,0005; p=0,0001; p=0,014) e MG (p=0,023; p=0,007; p=0,026). A massa magra aumentou (p=0,025) enquanto massa gorda (p=0,0013) e IMC (p=0,034) diminuíram no TMG comparado ao TPG.
Método
Durante 12 semanas, todos os grupos ingeriram melatonina ou placebo (3 mg/noite). Os grupos TMG e TPG realizaram adicionalmente treinamento concorrente combinando dois exercícios aeróbicos intervalados de alta intensidade e quatro exercícios resistidos (3 vezes/semana, à tarde). Parâmetros bioquímicos, hematológicos e de composição corporal foram avaliados antes e após a intervenção.
Aplicação clínica
Os achados sugerem hipótese de que associar melatonina (3 mg/noite) a um programa de treinamento concorrente aeróbico e resistido pode potencializar marcadores antioxidantes, anti-inflamatórios e de perfil lipídico e melhorar a composição corporal em pessoas com esclerose múltipla, servindo como base para discussão em contexto de reabilitação supervisionada e para estudos maiores. Não substitui o tratamento modificador da doença.
Limitações
Amostra pequena com grupos desbalanceados; desfechos limitados a marcadores biológicos e composição corporal sem avaliação de desfechos clínicos; intervenção de apenas 12 semanas; ausência de dados sobre acompanhamento a longo prazo; possível heterogeneidade nos fenótipos e estágios da esclerose múltipla não detalhados no resumo.
O que não afirmar
Não afirmar que a melatonina isolada ou combinada trata a esclerose múltipla, reduz recidivas, retarda progressão de incapacidade ou substitui terapias modificadoras da doença. Não afirmar benefício clínico funcional (fadiga, mobilidade, qualidade de vida) pois não foram avaliados. Não extrapolar a dose ou o protocolo para populações não estudadas nem para uso não supervisionado.
Fonte
Brain research bulletin · 01 de set. de 2026
DOI: 10.1016/j.brainresbull.2026.111968Publicado no periódico: 01 de set. de 2026 · Publicado na Science Play: 28 de jul. de 2026
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