Treino resistido e suplementação proteica no câncer gastroesofágico incurável: ensaio de viabilidade randomizado
Resistance training and protein supplementation in patients with incurable gastroesophageal cancer: a randomized feasibility trial.
Publicado em
Grau de evidência · Padrão GRADE
Evidência baixa, limitada, use cautela
Confiança limitada no resultado. Mesmo padrão de avaliação usado por Cochrane e OMS.
- Tipo de estudo
- Ensaio clínico randomizado de viabilidade, aberto, de grupos paralelos, dois braços
- Amostra
- 20 participantes randomizados (5 mulheres, 15 homens, idade média 65 anos), de 106 potencialmente elegíveis; alocação 2:1 (intervenção vs controle)
- Certeza do resultado
- Baixause cautela
- Aplicável na prática?
- Com ressalvas
- Risco de superinterpretação
- Alto · 4 de 5
Bottom line
A combinação de treino resistido com suplementação proteica não foi viável durante a quimioterapia de primeira linha nessa população, principalmente por baixo recrutamento e baixa adesão à suplementação proteica.
O que o estudo mostrou
Taxa de recrutamento de 19% e retenção de 90% (18 de 20 concluíram). Adesão mediana ao treino resistido de 63% (P25-P75: 43; 77) e à suplementação proteica de 39% (17; 76). Apenas 5 participantes (38%) atingiram os critérios mínimos de viabilidade de ambas as intervenções. Não houve eventos adversos graves relacionados à intervenção. Não houve diferenças entre grupos em composição corporal, desempenho físico, qualidade de vida ou tolerabilidade ao tratamento.
Método
Participantes randomizados 2:1 para treino resistido três vezes por semana mais suplementação proteica diária ou para controle. Desfecho primário: viabilidade, avaliada por recrutamento, retenção, adesão e danos. Desfechos secundários: composição corporal, desempenho físico, qualidade de vida e tolerabilidade ao tratamento. Registro ClinicalTrials.gov NCT05650827.
Aplicação clínica
Os achados indicam que, na forma testada, o protocolo de treino resistido mais suplementação proteica enfrenta barreiras importantes de adesão e recrutamento durante a quimioterapia de primeira linha no câncer gastroesofágico incurável. Resultados úteis para informar refinamentos de desenho e logística em estudos futuros antes de avaliar eficácia.
Limitações
Amostra muito pequena (20 participantes) e estudo de viabilidade, sem poder para desfechos secundários; desenho aberto (open-label) com risco de viés; baixa taxa de recrutamento (19%) e baixa adesão à suplementação proteica (mediana 39%); predominância masculina; ausência de diferenças entre grupos pode refletir falta de poder e não ausência real de efeito.
O que não afirmar
Não afirmar que treino resistido e suplementação proteica melhoram ou pioram composição corporal, desempenho físico, qualidade de vida ou sobrevida nessa população; não afirmar eficácia ou ineficácia clínica da intervenção; não generalizar para outros tipos de câncer, outras fases de tratamento ou pacientes com doença curável; não concluir segurança definitiva a partir de amostra pequena.
Fonte
Supportive care in cancer : official journal of the Multinational Association of Supportive Care in Cancer · 05 de nov. de 2026
DOI: 10.1007/s00520-026-11430-2Publicado no periódico: 05 de nov. de 2026 · Publicado na Science Play: 06 de nov. de 2026
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