Consumo de ultraprocessados e risco de doença hepática gordurosa não alcoólica: revisão sistemática e metanálise
Total ultra-processed food intake and selected food-group exposures in relation to non-alcoholic fatty liver disease: a systematic review and meta-analysis.
Publicado em
Grau de evidência · Padrão GRADE
Evidência baixa, limitada, use cautela
Confiança limitada no resultado. Mesmo padrão de avaliação usado por Cochrane e OMS.
- Tipo de estudo
- Revisão sistemática e metanálise de estudos observacionais
- Amostra
- 24 estudos na revisão sistemática; 9 estudos (5 coortes prospectivas, 4 transversais) com 250.349 participantes para ingestão total de UPF; 6 estudos para carne vermelha/processada; 3 estudos para bebidas açucaradas
- Certeza do resultado
- Baixause cautela
- Aplicável na prática?
- Com ressalvas
- Risco de superinterpretação
- Alto · 4 de 5
Bottom line
A ingestão total de ultraprocessados associa-se a aumento moderado do risco de DHGNA, com associações mais fortes para carne vermelha/processada e bebidas açucaradas, sugerindo priorizar esses grupos alimentares nas recomendações dietéticas.
O que o estudo mostrou
Maior consumo total de ultraprocessados associou-se a aumento de 26% no risco de DHGNA (OR agrupado = 1,26; IC 95%: 1,16-1,37; I2 = 53%; P < 0,001). Carne vermelha/processada mostrou associação mais forte (OR = 1,70; IC 95%: 1,29-2,24; I2 = 76%; P < 0,001). Bebidas açucaradas associaram-se a aumento de 50% do risco (OR = 1,50; IC 95%: 1,23-1,84; I2 = 0%; P < 0,001). Análises de sensibilidade confirmaram robustez.
Método
Busca em PubMed, Web of Science e Cochrane Library até 31 de março de 2026, incluindo estudos observacionais com estimativas ajustadas. Qualidade avaliada por Newcastle-Ottawa Scale (NOS) ou critérios AHRQ. Modelos de efeitos aleatórios agruparam odds ratios comparando maior vs. menor categoria de consumo. Análises de subgrupo e sensibilidade exploraram heterogeneidade.
Aplicação clínica
Os dados reforçam orientar redução de carne vermelha/processada e bebidas açucaradas em pacientes com risco de DHGNA, priorizando esses grupos de maior risco em vez de evitar indiscriminadamente todos os ultraprocessados.
Limitações
Heterogeneidade moderada a alta entre estudos; inclusão de estudos transversais que limitam temporalidade; possível confusão residual; poucos estudos para subgrupos (3 para bebidas açucaradas, 6 para carne); variabilidade na definição e mensuração de exposição alimentar; desenho observacional impede causalidade.
O que não afirmar
Não afirmar que ultraprocessados causam DHGNA, pois os dados são observacionais. Não afirmar que evitar todos os UPFs previne DHGNA, já que o próprio estudo indica que a evitação em bloco não é diretamente sustentada pelos dados. Não extrapolar os achados para populações pediátricas ou para desfechos hepáticos específicos não avaliados.
Fonte
Frontiers in nutrition · 2026
DOI: 10.3389/fnut.2026.1876449Publicado no periódico: 2026 · Publicado na Science Play: 24 de set. de 2026
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