A suplementação de vitamina D modula fatores de risco metabólicos da doença cardiovascular? Revisão sistemática e metanálise de ensaios clínicos
Does vitamin D supplementation modulate metabolic risk factors of cardiovascular disease? A systematic review and meta-analysis of clinical trials.
Publicado em
Grau de evidência · Padrão GRADE
Evidência baixa, limitada, use cautela
Confiança limitada no resultado. Mesmo padrão de avaliação usado por Cochrane e OMS.
- Tipo de estudo
- Revisão sistemática e metanálise de ensaios clínicos randomizados
- Amostra
- 45 ECRs incluídos, identificados a partir de 14.051 resumos
- Certeza do resultado
- Baixause cautela
- Aplicável na prática?
- Com ressalvas
- Risco de superinterpretação
- Alto · 4 de 5
Bottom line
A suplementação de vitamina D pode melhorar modestamente alguns fatores de risco cardiometabólicos, mas a magnitude é pequena e a relevância clínica permanece incerta.
O que o estudo mostrou
A suplementação de vitamina D reduziu de forma significativa o LDL-C em 0,136 mmol/L (IC 95%: -0,215 a -0,056), a pressão arterial sistólica em 2,79 mm Hg (IC 95%: -4,65 a -0,94), a glicemia de jejum em 0,11 mmol/L (IC 95%: -0,19 a -0,04) e a HbA1c em 0,164% (IC 95%: -0,32 a -0,01) versus placebo. Nos subgrupos, houve redução de PAS e LDL-C em participantes com 55 anos ou mais, enquanto a glicemia de jejum foi reduzida nos menores de 55 anos. Efeitos favoráveis sobre glicemia de jejum e HbA1c ocorreram com nível basal de vitamina D inferior a 50 nmol/L
Método
Revisão sistemática e metanálise de ECRs comparando vitamina D oral com placebo em adultos. Buscas em PubMed, Cochrane Library e ClinicalTrials.gov. Risco de viés avaliado pela ferramenta Cochrane. Tamanhos de efeito combinados com IC 95% estimados por modelos de efeitos aleatórios. Análises de subgrupo por idade e concentração sérica basal de vitamina D
Aplicação clínica
Os achados sugerem que a suplementação de vitamina D não deve ser posicionada como intervenção primária para controle de lipídios, pressão arterial ou glicemia. Possíveis benefícios modestos podem ser mais relevantes em subgrupos específicos, como pessoas com deficiência basal (menos de 50 nmol/L) para parâmetros glicêmicos, mas isso requer confirmação em ensaios dedicados.
Limitações
Heterogeneidade entre os ECRs incluídos em doses, duração e populações; magnitude dos efeitos pequena com significância clínica incerta; análises de subgrupo por idade e status basal são exploratórias e sujeitas a confundimento; os autores destacam necessidade de novos ECRs bem desenhados. Detalhes sobre doses e tempo de intervenção não informados no texto disponível.
O que não afirmar
Não afirmar que a vitamina D previne eventos cardiovasculares ou reduz mortalidade; não afirmar que substitui estatinas, anti-hipertensivos ou antidiabéticos; não afirmar que as reduções observadas se traduzem em benefício clínico relevante; não generalizar os efeitos de subgrupo como recomendação universal.
Fonte
Asia Pacific journal of clinical nutrition · 01 de ago. de 2026
DOI: 10.6133/apjcn.202608_35(4).0007Publicado no periódico: 01 de ago. de 2026 · Publicado na Science Play: 01 de ago. de 2026
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