Suplementação de vitamina D e frequência de crises na epilepsia farmacorresistente: revisão sistemática e metanálise
Impact of vitamin D supplementation and status on seizure frequency and quality of life in drug-resistant epilepsy: A systematic review and meta-analysis.
Publicado em
Grau de evidência · Padrão GRADE
Evidência baixa, limitada, use cautela
Confiança limitada no resultado. Mesmo padrão de avaliação usado por Cochrane e OMS.
- Tipo de estudo
- Revisão sistemática com metanálise
- Amostra
- Onze estudos incluídos na revisão; quatro estudos (n = 183) na metanálise dos desfechos de suplementação
- Certeza do resultado
- Baixause cautela
- Aplicável na prática?
- Com ressalvas
- Risco de superinterpretação
- Alto · 4 de 5
Bottom line
A suplementação de vitamina D é uma terapia adjuvante segura que pode reduzir a frequência de crises na epilepsia farmacorresistente, mas são necessários ensaios de maior porte para confirmar a eficácia e definir o uso ideal.
O que o estudo mostrou
A suplementação de vitamina D associou-se a redução significativa na frequência de crises (MD = -8,31 crises/mês, IC 95% [-13,38, -3,25], p = 0,001) e aumento significativo dos níveis séricos de vitamina D (MD = 18,4 nmol/L, IC 95% [4,26, 32,54], p = 0,01). Não houve diferença significativa nos níveis basais de vitamina D entre epilepsia farmacorresistente e responsiva (MD = 0,79 nmol/L, IC 95% [-0,31, 1,89], p = 0,16). Achados qualitativos sugeriram possível melhora em qualidade de vida e fadiga com suplementação de longo prazo, embora efeitos de curto prazo e mudanças em marcadores neuroinflamatórios tenham sido inconsistentes.
Método
Busca em PubMed, Scopus e Web of Science desde o início até março de 2026. Elegíveis estudos que avaliaram suplementação de vitamina D ou níveis séricos em pacientes com DRE. Desfechos: frequência de crises, parâmetros bioquímicos e qualidade de vida. Dados combinados por diferença de médias (MD).
Aplicação clínica
Em pacientes com epilepsia farmacorresistente, a correção e suplementação de vitamina D pode ser considerada como medida adjuvante de baixo risco, especialmente diante de deficiência documentada, sem substituir a terapia antiepiléptica estabelecida. A decisão deve ser individualizada enquanto se aguardam ensaios confirmatórios.
Limitações
Número reduzido de estudos na metanálise (quatro) e amostra pequena (n = 183); heterogeneidade metodológica entre os estudos; achados sobre qualidade de vida e marcadores neuroinflamatórios apenas qualitativos e inconsistentes; ausência de definição de dose, duração e níveis-alvo ideais; não informado no estudo detalhamento sobre risco de viés individual.
O que não afirmar
Não afirmar que a vitamina D substitui ou reduz a necessidade de fármacos antiepilépticos; não afirmar que níveis basais baixos de vitamina D causam ou predizem farmacorresistência (sem diferença significativa entre grupos); não afirmar eficácia comprovada em redução de crises de forma definitiva; não extrapolar benefício para qualidade de vida como estabelecido; não definir dose ou meta sérica específica com base neste estudo.
Fonte
Epileptic disorders : international epilepsy journal with videotape · 01 de out. de 2026
DOI: 10.1002/epd2.70294Publicado no periódico: 01 de out. de 2026 · Publicado na Science Play: 25 de out. de 2026
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