Suplementação de vitamina D e mudanças em 12 meses na função muscular e no desempenho físico em idosos com deficiência
Vitamin D Supplementation and 12-Month Changes in Muscle Function and Physical Performance in Older Adults with Vitamin D Deficiency: A Prospective Observational Cohort Study.
Publicado em
Grau de evidência · Padrão GRADE
Evidência baixa, limitada, use cautela
Confiança limitada no resultado. Mesmo padrão de avaliação usado por Cochrane e OMS.
- Tipo de estudo
- Estudo de coorte observacional prospectivo
- Amostra
- 194 participantes: 164 com deficiência de vitamina D (25(OH)D <20 ng/mL, grupo suplementação) e 30 com insuficiência (20 a 29 ng/mL, grupo comparação)
- Certeza do resultado
- Baixause cautela
- Aplicável na prática?
- Com ressalvas
- Risco de superinterpretação
- Alto · 4 de 5
Bottom line
Em idosos com deficiência de vitamina D, a suplementação em cuidado de rotina associou-se a desfechos funcionais mais favoráveis em múltiplos domínios musculoesqueléticos ao longo de 12 meses, embora o desenho observacional não permita atribuir causalidade.
O que o estudo mostrou
A suplementação elevou o 25(OH)D em 142,9% versus 5,4% no grupo comparação (p < 0,001). No desfecho primário, o grupo suplementação apresentou aumento de 16,2% na força de preensão palmar versus nenhuma mudança no comparador (p < 0,001; eta parcial ao quadrado da ANCOVA = 0,284). Nos desfechos secundários, o grupo comparação teve declínio funcional significativo em relação ao grupo suplementação: mudança mediana no SPPB de 0,0% (IQR: -8,7, 0,0; p entre grupos < 0,001) e piora de +3,2% no TUG (p entre grupos < 0,001), enquanto o grupo suplementação permaneceu estável. A ANCOVA indicou diferenças entre grupos no SPPB (p < 0,001) e no TUG (p = 0,002). A velocidade de marcha não mostrou diferença significativa.
Método
O grupo suplementação recebeu vitamina D visando 25(OH)D >30 ng/mL como parte do cuidado clínico de rotina; o grupo comparação (insuficiência) não recebeu suplementação. Foram avaliados no início e aos 12 meses: força de preensão palmar (HGS), teste de velocidade de marcha (GST), Short Physical Performance Battery (SPPB) e Timed Up and Go (TUG). Análises por ANCOVA para diferenças entre grupos.
Aplicação clínica
Reforça a relevância de identificar e corrigir a deficiência de vitamina D em idosos como parte do cuidado, com monitoramento de força de preensão e desempenho físico ao longo do tempo. Os achados devem ser interpretados como associação e complementar, não substituir, avaliação clínica individualizada e outras estratégias de manejo da função muscular.
Limitações
Desenho observacional sem randomização nem cegamento; grupos de comparação com estados basais diferentes de vitamina D (deficiência vs insuficiência) e tamanhos amostrais desbalanceados; ausência de grupo placebo; possíveis confundidores como atividade física, ingestão proteica e comorbidades não totalmente controlados; dose, formulação e adesão à suplementação não detalhadas no resumo; resultado de velocidade de marcha sem diferença significativa.
O que não afirmar
Não afirmar que a vitamina D causa aumento de força muscular ou previne quedas e sarcopenia; não afirmar superioridade sobre outras intervenções; não extrapolar para idosos com níveis suficientes de vitamina D nem para populações mais jovens; não recomendar doses específicas com base neste estudo.
Fonte
Nutrients · 31 de jul. de 2026
DOI: 10.3390/nu18152477Publicado no periódico: 31 de jul. de 2026 · Publicado na Science Play: 14 de ago. de 2026
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