Biomarcadores de vitamina D pré-concepcionais de cada parceiro e risco de pré-eclâmpsia em casais em tratamento de fertilidade: análise secundária do FAZST
Preconception Partner-Specific Vitamin D Biomarkers and Risk of Preeclampsia Among Couples Undergoing Fertility Treatment: A Secondary Cohort Analysis of FAZST.
Publicado em
Grau de evidência · Padrão GRADE
Evidência baixa, limitada, use cautela
Confiança limitada no resultado. Mesmo padrão de avaliação usado por Cochrane e OMS.
- Tipo de estudo
- Análise secundária de coorte prospectiva, derivada de ensaio clínico multicêntrico (FAZST)
- Amostra
- 2370 casais inscritos no FAZST; 1054 alcançaram gestação documentada; população analítica primária de 826 gestações que atingiram 20 semanas ou mais, incluindo 98 com pré-eclâmpsia e 728 sem pré-eclâmpsia
- Certeza do resultado
- Baixause cautela
- Aplicável na prática?
- Com ressalvas
- Risco de superinterpretação
- Alto · 4 de 5
Bottom line
Nesta coorte de casais em tratamento de fertilidade, categorias baixas e altas de 25(OH)D materna (total, livre e biodisponível) associaram-se a maior chance de pré-eclâmpsia em relação a categorias intermediárias, padrão compatível com possível curva em U, sem estabelecer relação dose-resposta não linear. Os achados paternos foram limitados e exploratórios.
O que o estudo mostrou
Em análises categóricas, a 25(OH)D total materna mostrou padrão compatível com curva em U. Comparado com 30 a menos de 50 ng/mL: concentrações menores ou iguais a 20 ng/mL associaram-se a maior chance de pré-eclâmpsia (aOR 2,58; IC95% 1,13-5,88) e concentrações maiores ou iguais a 50 ng/mL também (aOR 5,45; IC95% 1,71-17,41). Padrões semelhantes ocorreram para 25(OH)D livre materna (menor ou igual a 8,25 pg/mL: aOR 2,23; IC95% 1,13-4,43; maior ou igual a 12,5 pg/mL: aOR 4,71; IC95% 1,97-11,29) e 25(OH)D biodisponível materna (menor ou igual a 3,5 ng/mL: aOR 2,61; IC95% 1,19-5,72; maior ou igual a 5,0 ng/mL: aOR 5,38; IC95% 2,15-13,46). Menor 25(OH)D biodisponível paterna associou-se a menor chance de pré-eclâmpsia (aOR 0,50; IC95% 0,28-0,89), achado considerado exploratório.
Método
Dosagem pré-concepcional de 25-hidroxivitamina D total sérica, globulina ligadora de vitamina D (VDBG), albumina, 25(OH)D livre e 25(OH)D biodisponível em ambos os parceiros. Regressão logística multivariável estimou odds ratios ajustados (aOR) e intervalos de confiança de 95%. Análises categóricas usaram categoria intermediária como referência.
Aplicação clínica
Reforça a relevância de avaliar o status de vitamina D materno no período pré-concepcional em contexto de tratamento de fertilidade, considerando que tanto deficiência quanto concentrações muito elevadas podem estar associadas a maior risco de pré-eclâmpsia. Não sustenta conduta de suplementação em altas doses buscando prevenir pré-eclâmpsia. Decisões sobre reposição devem seguir diretrizes vigentes e individualização clínica.
Limitações
Análise secundária e observacional, não desenhada primariamente para este desfecho; população selecionada de casais em tratamento de infertilidade, limitando a generalização; número reduzido de casos nas categorias extremas com intervalos de confiança amplos; achados paternos limitados e exploratórios; possibilidade de confusão residual; padrão em U observado em análises categóricas não comprova relação dose-resposta não linear; medida única pré-concepcional dos biomarcadores.
O que não afirmar
Não afirmar que a suplementação de vitamina D previne pré-eclâmpsia. Não afirmar relação causal entre níveis de vitamina D e pré-eclâmpsia. Não afirmar que existe um valor alvo ideal comprovado de 25(OH)D para reduzir pré-eclâmpsia. Não afirmar que os biomarcadores paternos influenciam o risco (achado exploratório). Não extrapolar resultados para gestantes fora do contexto de tratamento de fertilidade nem para a população geral.
Fonte
Nutrients · 08 de ago. de 2026
DOI: 10.3390/nu18162597Publicado no periódico: 08 de ago. de 2026 · Publicado na Science Play: 29 de ago. de 2026
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