Vitamina D na prevenção e manejo da rinossinusite crônica: revisão sistemática e metanálise
Assessing the role of vitamin D in the prevention and management of chronic rhinosinusitis: a systematic review and meta-analysis.
Publicado em
Grau de evidência · Padrão GRADE
Evidência baixa, limitada, use cautela
Confiança limitada no resultado. Mesmo padrão de avaliação usado por Cochrane e OMS.
- Tipo de estudo
- Revisão sistemática e metanálise de ensaios clínicos randomizados e estudos observacionais (coorte, caso-controle, transversais)
- Amostra
- 12 estudos, 1.236 participantes
- Certeza do resultado
- Baixause cautela
- Aplicável na prática?
- Com ressalvas
- Risco de superinterpretação
- Alto · 4 de 5
Bottom line
A deficiência de vitamina D está fortemente associada a maior gravidade e recorrência da CRS, e a suplementação pode representar um adjunto promissor à terapia padrão, mas ensaios clínicos randomizados de alta qualidade ainda são necessários para definir dose e recomendações de diretriz.
O que o estudo mostrou
Pacientes com CRS apresentaram níveis séricos de vitamina D significativamente menores que controles (MD = -12,09 ng/mL; IC95%: -23,07 a -1,12), com taxa de deficiência superior a 90% entre pacientes com pólipos nasais. Níveis menores de vitamina D associaram-se de forma consistente a maior gravidade da doença, com correlação inversa significativa (r = -0,52; IC95%: -0,66 a -0,34). A suplementação foi associada a redução da recorrência pós-operatória (24,1% vs. 51,6%) e a melhora em sintomas, qualidade de vida e escores radiológicos. Não houve diferença estatisticamente significativa no desfecho combinado de SNOT-22. A suplementação foi bem tolerada, sem efeitos adversos significativos relatados.
Método
Revisão sistemática conforme PRISMA, com busca em PubMed, MEDLINE, Embase e Web of Science, protocolo registrado no PROSPERO (CRD420251001899). Metanálise com modelo de efeitos aleatórios. Qualidade metodológica avaliada pela Newcastle-Ottawa Scale e pela ferramenta Cochrane Risk of Bias 2. Síntese também narrativa.
Aplicação clínica
A avaliação do status de vitamina D pode ser considerada em pacientes com CRS, especialmente naqueles com pólipos nasais, dada a alta prevalência de deficiência. A correção da deficiência pode ser ponderada como adjunto ao tratamento padrão e no cuidado pós-operatório, sem substituir terapias estabelecidas, enquanto se aguardam dados de dosagem definidos por ensaios randomizados.
Limitações
Predomínio de estudos observacionais, heterogeneidade estatística elevada, intervalos de confiança amplos, número limitado de estudos e participantes (12 estudos, 1.236 pacientes), variabilidade de desenhos e desfechos, e ausência de significância no desfecho combinado de SNOT-22. Esquemas de dose ótima não definidos.
O que não afirmar
Não afirmar que a vitamina D previne ou cura a rinossinusite crônica, nem que a suplementação reduz comprovadamente a recorrência de forma causal. Não afirmar que a suplementação substitui corticosteroides, antibióticos ou cirurgia. Não extrapolar os achados para crianças, pois a população foi de adultos. Não definir dose terapêutica com base neste estudo.
Fonte
Frontiers in immunology · 2026
DOI: 10.3389/fimmu.2026.1859469Publicado no periódico: 2026 · Publicado na Science Play: 09 de ago. de 2026
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