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A Bariátrica não resolve o problema: Limitações e alternativas

A cirurgia bariátrica, muitas vezes considerada o padrão ouro no tratamento da obesidade mórbida, oferece esperança de uma vida mais saudável e uma redução significativa de peso para muitos pacientes. No entanto, apesar de seus benefícios inegáveis, surgem preocupações em relação ao ganho de peso após o procedimento. Por isso, há uma questão controversa sobre a cirurgia bariátrica ser realmente a solução definitiva para a obesidade ou se é apenas um paliativo temporário.



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A cirurgia bariátrica é um tratamento paliativo da obesidade?

A cirurgia bariátrica, que inclui procedimentos como o bypass gástrico e o sleeve, tem sido aclamada por sua capacidade de ajudar pacientes com obesidade mórbida a alcançar uma perda significativa de peso e melhorar sua saúde. Ela atua alterando o sistema digestivo, como uma cirurgia metabólica, limitando a ingestão de alimentos e a absorção de nutrientes, levando à redução do peso corporal. Você já percebeu onde está o erro?

No entanto, um dos desafios mais significativos associados à cirurgia bariátrica é o sucesso do paciente em manter o peso perdido e evitar reganho de peso. No entanto, estudos têm documentado que, ao longo do tempo, alguns pacientes recuperam parte ou mesmo a totalidade do peso perdido após a cirurgia. Isso levanta questões sobre a eficácia a longo prazo do procedimento como uma solução definitiva para a obesidade.

A cirurgia bariátrica é o tratamento mais eficaz para a obesidade?

O estudo “How to address weight regain after bariatric surgery in an individualized way”, publicado na Revista Reviews in Endocrine & Metabolic Disorders, explica que, por ser uma doença crônica e progressiva, a resposta à perda de peso à cirurgia varia individualmente. Assim, perda ou recuperação insuficiente de peso pode ocorrer após a cirurgia, mas carece de uma definição padrão. 

Existem diferentes mecanismos subjacentes ao reganho de peso e/ou perda de peso insuficiente, como a genética e os comportamentos alimentares desadaptativos. Dessa forma, pacientes com reganho de peso ou perda de peso insuficiente devem ser submetidos a avaliação individualizada e abrangente por equipe multidisciplinar. Isso pode ajudar a identificar as causas e direcionar o tratamento adequado individualmente.

Infelizmente, ainda vivemos na época que apenas o índice de massa corpórea (IMC) é a única variável oficial para definir a obesidade, ou seja, a composição corporal não entra na jogada. Por exemplo, o ator The Rock – Dwayne Johnson possui um dos físicos mais bem estruturados e apresenta o IMC de obeso. Entretanto, os pacientes avaliados pelo estudo brasileiro haviam se submetido à cirurgia bariátrica há pelo menos três anos, sofriam de obesidade graus II e III (os tipos mais graves) e apresentaram reganho de peso superior a 10% do valor inicialmente perdido após a cirurgia.

O cálculo do reganho de peso foi obtido ao subtrair o peso atual do paciente (conhecido como recidiva) do seu ponto de perda de peso mais significativo após a cirurgia, conhecido como “nadir”. Esse período é frequentemente referido como a “lua de mel pós-cirúrgica”, abrangendo aproximadamente 18 meses após a realização do procedimento.

Durante esse intervalo, as pessoas tendem a perder peso de forma mais acentuada, mostram maior motivação e disposição para seguir as orientações médicas e nutricionais. No entanto, após esse período, o apetite, que inicialmente diminuiu, tende a aumentar, o peso se estabiliza e, eventualmente, começa a aumentar novamente.

A conta da cirurgia bariátrica não fehca

Infelizmente, a cirurgia bariátrica muitas vezes se concentra predominantemente na equação simplista de “comer menos e gastar mais” como a chave para o sucesso no tratamento da obesidade. Embora essa abordagem possa ser eficaz durante o período inicial, ela frequentemente deixa de abordar as complexas questões subjacentes à obesidade, como os fatores psicológicos, comportamentais e emocionais que desempenham um papel fundamental no longo prazo. 

Como resultado, o procedimento tende a enfrentar desafios significativos após esse estágio inicial, uma vez que não aborda adequadamente os aspectos multidimensionais da obesidade e a necessidade de apoio contínuo e estratégias mais abrangentes para manter a perda de peso a longo prazo.

Certamente, o centro regulador do apetite é fundamental na compreensão da obesidade e de transtornos alimentares. No entanto, a relação entre esses problemas e os transtornos psiquiátricos é complexa e exige uma abordagem medicamentosa para o tratamento. A cirurgia bariátrica pode ser uma ferramenta eficaz, mas o sucesso a longo prazo depende da avaliação e tratamento adequados dos aspectos psicológicos, além das intervenções físicas e mudanças do estilo de vida. 

A base de qualquer tratamento eficaz para a obesidade reside na mudança substancial do estilo de vida. Isso inclui a adoção de hábitos alimentares saudáveis, a prática regular de atividade física e a gestão do estresse. No entanto, reconhecemos que essa transformação não ocorre da noite para o dia, e é aí que entra o papel crucial do suporte psicológico.

Pessoas que lutam contra a obesidade muitas vezes enfrentam desafios emocionais e psicológicos significativos, como a depressão, a ansiedade e a compulsão alimentar. O suporte psicológico não apenas ajuda a abordar esses problemas, mas também oferece orientação e motivação para manter as mudanças no estilo de vida a longo prazo.

Prática Clínica

Portanto, a mensagem fundamental deste estudo é que o tratamento da obesidade deve ser uma jornada abrangente e contínua, na qual a cirurgia bariátrica, quando indicada, pode ser apenas um componente. A verdadeira chave para o sucesso reside na combinação de mudanças no estilo de vida, apoio psicológico e uma abordagem com médico e nutricionista, que saibam tratar inclusive as complicações intestinais após o procedimento, proporcionando às pessoas as ferramentas necessárias para enfrentar essa doença crônica de maneira eficaz e sustentável.

Referências Bibliográficas

Cohen RV, Petry TB. How to address weight regain after bariatric surgery in an individualized way [published online ahead of print, 2023 May 12]. Rev Endocr Metab Disord. 2023;10.1007/s11154-023-09806-4.

Artigo: COHEN, Ricardo V; PETRY, Tarissa Bz. How to address weight regain after bariatric surgery in an individualized way. Reviews In Endocrine And Metabolic Disorders, [S.L.], p. 1, 12 maio 2023. Springer Science and Business Media LLC. http://dx.doi.org/10.1007/s11154-023-09806-4. 

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