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A deficiência de vitamina D é um fator de risco para afta recorrente?

Afta de recorrência (estomatite aftosa recorrentes) consiste em uma das principais causas de ulceração na mucosa oral. Essa condição afeta até 25% da população em geral, principalmente adolescentes e adultos jovens, podendo ocorrer em qualquer idade. As aftas são caracterizadas por úlceras ovais ou redondas, dolorosas e recorrentes na mucosa oral, especialmente naquela que não é queratinizada. Elas podem ser únicas ou múltiplas e afetar significativamente a qualidade de vida dos pacientes, interferindo em atividades cotidianas como comer, engolir e falar.



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Aftas recorrentes e deficiência de vitamina D

Nos últimos anos, o papel da vitamina D na patogênese de várias doenças bucais, incluindo a afta recorrente, tem despertado grande interesse. A vitamina D é uma vitamina lipossolúvel que desempenha papéis biológicos importantes na homeostase do cálcio-fósforo e no metabolismo ósseo. Evidências recentes indicam que a vitamina D desempenha um papel na inibição de processos inflamatórios, modulando o sistema imunológico e estabelecendo um equilíbrio entre os diferentes componentes do sistema imunológico.

Além disso, a deficiência de vitamina D tem sido associada a diversos distúrbios sistêmicos, como hipertensão, doenças musculoesqueléticas, obesidade, câncer e doenças autoimunes. No que diz respeito à saúde bucal, cada vez mais evidências relacionam a deficiência de vitamina D a várias doenças da mucosa oral, como a afta recorrente. Vários estudos recentes investigaram a associação entre a vitamina D e o risco de afta recorrente, porém, os resultados têm sido inconsistentes.

Embora muitas pesquisas tenham sido realizadas sobre o assunto, a patogênese exata da afta recorrente ainda é desconhecida. Acredita-se que uma reação imunológica a um gatilho desconhecido seja o mecanismo mais plausível envolvido no desenvolvimento da doença. Diversos fatores sistêmicos e locais podem aumentar a predisposição para a afta recorrente, incluindo estresse psicológico, predisposição genética, disfunção imunológica, traumatismo da mucosa, distúrbios gastrointestinais, fatores hematológicos e deficiências nutricionais.

Deficiência de Vitamina D e Aftas na Literatura Científica 

Uma meta-análise recente que incluiu 14 estudos caso-controle mostrou uma associação significativa entre baixos níveis séricos de vitamina D e o risco de afta recorrente. Essa análise demonstrou que os pacientes com afta recorrente apresentaram níveis séricos de vitamina D significativamente mais baixos em comparação aos controles. Além disso, uma análise sequencial de ensaios clínicos reforçou a confiabilidade dessas diferenças.

Com base nessas evidências disponíveis, sugere-se que a deficiência de vitamina D possa desempenhar um papel na patogênese da afta recorrente. Portanto, é recomendado que a avaliação dos níveis de vitamina D seja considerada em pacientes com este quadro. Além disso, os resultados apoiam a possibilidade do uso de suplementos de vitamina D no tratamento desses pacientes que apresentam níveis inadequados de vitamina D no sangue. No entanto, estudos intervencionais futuros são necessários para avaliar os benefícios da reposição de vitamina D na prevenção e tratamento da afta recorrente.

Prática Clínica 

Diante de um paciente com afta recorrente, é importante considerar a possibilidade de deficiência de vitamina D como um fator de risco potencial. Caso seja identificada uma deficiência, é fundamental que sejam adotadas estratégias como a suplementação, orientação a respeito de uma exposição solar adequada e uma dieta balanceada rica em alimentos fontes. Em alguns casos, pode ser necessário o uso de suplementos em uma dosagem mais elevada, sob prescrição médica, para corrigir a deficiência.

Referências Bibliográficas

Assista o vídeo na Science Play com Fábio dos Santos: Vitamina D: Muito além de uma vitamina 

Artigo: Vitamina D e Aftas – AL-MAWERI, Sadeq Ali; AL-QADHI, Gamilah; HALBOUB, Esam; ALAIZARI, Nader; ALMESLET, Asma; ALI, Kamran; OSMAN, Safa A. Azim. Vitamin D deficiency and risk of recurrent aphthous stomatitis: updated meta-analysis with trial sequential analysis. Frontiers In Nutrition, v. 10, n., 22 jun. 2023. Frontiers Media SA. http://dx.doi.org/10.3389/fnut.2023.1132191.

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