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A Endocrinologia do Atleta: Os Benefícios Hormonais da Atividade Física

A complexidade da regulação hormonal é frequentemente subestimada, levando a uma compreensão limitada. Este texto explora os intricados mecanismos dos hormônios, suas respostas e ajustes no organismo, bem como os impactos positivos e negativos da sua atuação no desempenho atlético.


Os hormônios são elaborados pelas células do organismo para estabelecer comunicação entre si, desempenhando uma variedade de funções, tanto endócrinas (como a testosterona e a progesterona) quanto intracrina (envolvendo hormônios, fatores de crescimento, citocinas e outras substâncias bioativas). A presença de receptores apropriados é fundamental para que os hormônios exerçam suas funções. Esta comunicação hormonal se inicia no momento da fecundação, sendo a eficácia dos hormônios dependente dessa interação inicial.

 

Endocrinologia e suas Relações com o Atletismo 


No âmbito atlético, as a endocrinologia representa um papel crucial na otimização dos sistemas corporais e no aprimoramento do condicionamento físico. Entre elas, destacam-se as exercinas e miocinas, que são citocinas geradas pelos músculos em resposta ao exercício. Além dos músculos, essas substâncias também são liberadas por outros tecidos, como o fígado, o sistema cardiovascular e o nervoso. As exercinas, proteínas geradas a partir da prática de exercícios físicos, e as miocinas, proteínas liberadas pelos músculos esqueléticos durante a contração muscular, exercem efeitos autócrinos e parácrinos. Elas estimulam a biogênese mitocondrial e promovem o crescimento muscular por meio da inflamação aguda.


Durante o treinamento, no eixo gonadotrófico, observa-se um aumento da testosterona e uma diminuição da progesterona nas mulheres, com variações de acordo com a fase do ciclo menstrual ou menopausa. Nos homens, o treinamento promove um aumento do estradiol e do FSH, dependendo da intensidade do exercício. Além disso, as glândulas adrenais também alteram os níveis de cortisol e ACTH em resposta ao treino.


A intensidade do exercício é um preditor importante da liberação de cortisol, o qual está associado à liberação de CPK após 24 horas. Antes de um treino intenso, há uma maior liberação de adrenalina, preparando o corpo para o exercício. As atividades físicas também impactam a tireoide, com um aumento na liberação de T3 durante atividades leves e uma redução nos níveis de TSH, T3L e T4L durante atividades de alta intensidade.

 

Hormônios e Exercício: Impactos Multissistêmicos e Desafios na Compreensão Integral

 

A paratireoide, o cálcio, a vitamina D e os ossos respondem de acordo com a intensidade do exercício, refletindo alterações nos níveis de PTH, 1,25(OH)D, osteocalcina e CTX. No eixo somatotrófico, o GH e IGF-1 aumentam após exercícios de alta intensidade. Quanto à ocitocina e à prolactina, sua liberação basal e em resposta ao treino varia, dependendo da intensidade do esforço. 


O sistema incretínico também responde ao treino, com mudanças nos níveis de insulina e glucagon de acordo com a intensidade do exercício, afetando hormônios como GLP-1 e GIP. Além disso, outros hormônios, como leptina, adiponectina, ADH e copeptina, também sofrem variações em resposta ao treino, contribuindo para adaptações no condicionamento físico, cardiovascular, musculoesquelético e no sistema nervoso autônomo, e promovendo a saúde geral do atleta.


O condicionamento físico dos atletas está intrinsecamente ligado ao equilíbrio hormonal e ao funcionamento dos múltiplos sistemas corporais, gerando benefícios tanto hormonais quanto para a saúde global do indivíduo. Em resumo, enquanto os hormônios contrarreguladores da insulina são mais bem estabelecidos como aumentando em resposta ao exercício, as alterações em outros hormônios ainda não estão completamente compreendidas. Contudo, é inegável que os benefícios do exercício físico vão muito além do que é comumente reconhecido.


Prática Clínica


Compreender a complexidade da regulação hormonal é crucial para otimizar a saúde e o desempenho dos atletas. Hormônios, como exercinas e miocinas, são gerados pelos músculos e outros tecidos em resposta ao exercício, promovendo biogênese mitocondrial e crescimento muscular. Durante o treinamento, as respostas hormonais variam, com alterações na testosterona, progesterona, estradiol e cortisol, influenciadas pela intensidade do exercício. Essas mudanças hormonais impactam múltiplos sistemas corporais, incluindo o eixo gonadotrófico, tireoide, paratireoide e o sistema somatotrófico. Recomendo monitorar regularmente os níveis hormonais dos atletas e ajustar os planos de treinamento conforme necessário para garantir um equilíbrio hormonal adequado e maximizar os benefícios do exercício para a saúde geral e o condicionamento físico.


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Referências Bibliográficas


WAGNER, Amy K.; MCCULLOUGH, Emily H.; NIYONKURU, Christian; OZAWA, Haishin; LOUCKS, Tammy L.; DOBOS, Julie A.; BRETT, Christopher A.; SANTARSIERI, Martina; DIXON, C. Edward; BERGA, Sarah L.. Acute Serum Hormone Levels: characterization and prognosis after severe traumatic brain injury. Journal Of Neurotrauma, [S.L.], v. 28, n. 6, p. 871-888, jun. 2011. Mary Ann Liebert Inc.

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