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A faculdade não te prepara para tratar a obesidade!

No cenário contemporâneo, marcado por avanços científicos e informações acessíveis sobre saúde, a obesidade permanece como um desafio global em constante crescimento. Apesar das diretrizes que enfatizam a importância de equilibrar a ingestão calórica com o gasto energético, os números continuam a aumentar. 

Surge, então, uma inquietante interrogação: por que, mesmo em meio a uma era de conhecimento sem precedentes, a obesidade continua a afligir indivíduos e comunidades em todo o mundo? Alguns questionam se as abordagens convencionais são realmente eficazes, levantando até mesmo debates sobre a influência da indústria farmacêutica e das práticas médicas atuais. 

A ligação entre a obesidade e a saúde pública é inegável. Governos e organizações de saúde têm repetidamente transmitido mensagens sobre a importância de reduzir o consumo excessivo de calorias e aumentar a atividade física. Entretanto, a realidade é que, apesar desses esforços, as taxas de obesidade continuam a subir. O paradoxo entre o conhecimento disponível e os resultados alcançados levanta questões sobre a eficácia dessas recomendações padrão.



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Você nunca aprendeu a tratar um paciente com obesidade

Por um lado, alguns argumentos dão ênfase que a excessiva na prescrição de moduladores de apetite e antidepressivos não estaria apenas mascarando o problema. Paralelamente, a formação nas faculdades de medicina é, por vezes, alvo de críticas por se concentrar demais em soluções farmacêuticas em detrimento da promoção de mudanças no estilo de vida. Ao passo que, na clínica, essa abordagem levanta suspeitas de que, ao tratar apenas os sintomas sem abordar as causas subjacentes, equivale a possíveis perdas de oportunidade para alcançar resultados duradouros e eficazes.

À medida que adentramos essa investigação sobre a obesidade e suas abordagens de combate, é crucial considerar uma variedade de perspectivas. A obesidade é um problema que transcende a mera matemática calórica e exige uma compreensão profunda das complexas interações entre fatores genéticos, sociais, econômicos e psicológicos.

Os desafios no tratamento da obesidade

A obesidade, de fato, está longe de ser uma condição de resolução espontânea. Ela apresenta-se como um desafio complexo e de tratamento intrincado. Nesse mundo onde soluções rápidas muitas vezes são valorizadas, fica evidente que a obesidade não se enquadra nesse paradigma. 

Trata-se de um transtorno que vai além da ingestão e gasto calórico, envolvendo uma gama de fatores genéticos, comportamentais, psicológicos e ambientais. A desafiante natureza dessa condição é realçada por um estudo recentemente publicado, que revela a lacuna existente entre o ensino médico contemporâneo e as habilidades necessárias para tratar efetivamente a obesidade. Surge, assim, uma disparidade preocupante entre a complexidade do problema e a preparação dos profissionais de saúde para enfrentá-lo de maneira adequada e abrangente.

Obesidade e Medicina na Literatura

O estudo “Use of medications associated with weight change among participants in the All of Us research programme”, publicado em 16 de Julho de 2023 na Revista Clinical Obesity, observou que somente 1% daqueles que enfrentam a obesidade estavam se submetendo a algum tipo de tratamento medicamentoso direcionado para a condição. Adicionalmente, outros 14% utilizavam medicamentos que, embora de maneira discreta, induzem à perda de peso, como é o caso da metformina.

Mais surpreendente ainda é a constatação de que 36% das pessoas que lidam com a obesidade estão utilizando medicamentos que, alarmantemente, têm como efeito colateral o ganho de peso. Isso significa que, além de enfrentarem os desafios biológicos inerentes a essa condição, estão sendo prescritos tratamentos que potencialmente agravam ainda mais a situação. Esse cenário ressalta a urgente necessidade de uma abordagem mais abrangente e informada na formação médica para enfrentar os desafios complexos da obesidade.

Esses dados se apresentam como um alerta incontestável: quando comparadas, é alarmantemente duas vezes mais provável que para uma pessoa com obesidade seja prescrita com um medicamento associado ao ganho de peso, ao invés de algum outro com a probabilidade de tratar a obesidade. 

Prática Clínica

Diante dessa discrepância, certamente você pensa com clareza que há uma evidência da necessidade de aprimorar a preparação dos profissionais médicos para lidar de forma mais eficaz com essa população. Afinal, no contexto brasileiro, onde 26% da população é afetada pela obesidade, a importância de uma abordagem médica mais informada e abrangente se torna ainda mais premente.

À medida que busca-se um futuro mais saudável e sustentável, é essencial quebrar o ciclo de prescrições inadequadas e abraçar uma abordagem que reconheça a complexidade da obesidade e busque soluções verdadeiramente eficazes.

Referências Bibliográficas

Artigo: ALMAZAN, Erik; SCHWARTZ, Jessica L.; GUDZUNE, Kimberly A.. Use of medications associated with weight change among participants in the All of Us research programme. Clinical Obesity, [S.L.], v. 13, n. 5, p. 1, 16 jul. 2023. Wiley. http://dx.doi.org/10.1111/cob.12609.

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