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Alimentos ultraprocessados e mortalidade no Brasil 

Devido a falta de tempo para se alimentar, o consumo de alimentos ultraprocessados vem se tornando frequente. Este é um dos fatores agravantes para o aumento do número de mortes por ano no Brasil, vinculadas a saúde metabólica. Ainda, segundo especialistas, existe um notório histórico de prioridades erradas no país, ou seja, tem-se uma maior acessibilidade a produtos industrializados e pouco apoio à produção de alimentos in natura, em especial de pequenos produtores. 



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Os alimentos ultraprocessados e os dados de consumo

Nesse contexto, os alimentos ultraprocessados, os quais comumente podem ser nutricionalmente desbalanceados, trazem um impacto negativo na saúde, quando consumidos de forma desregrada. Foram responsáveis pela morte de 57 mil pessoas no Brasil, com base em dados de 2019. Além disso, a fabricação e composição desses alimentos envolve diversas etapas e técnicas de processamento e muitos ingredientes, incluindo sal, açúcar, óleos e gorduras e substâncias de uso exclusivamente industrial. Dependendo da quantidade, podem ser prejudiciais para o bom funcionamento do organismo. 

Diante desses dados vale destacar que, segundo o Ministério da Saúde, o consumo de alimentos ultraprocessados:

  1. aumenta em 26% o risco de obesidade;

  2. eleva o risco de sobrepeso em 23%,;

  3. eleva o risco de síndrome metabólica em 79%;

  4. eleva o risco de colesterol alto em 102%;

  5. eleva o risco de doenças cardiovasculares em 29% a 34%;

  6. eleva o risco da mortalidade por todas as causas em 25%.

Grau de processamento e qualidade 

A Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia) expõe que a qualidade do alimento deve ser definida de acordo com a sua composição nutricional, e não devido ao seu grau de processamento ou quantidade de ingredientes. Um dos embasamentos para a afirmação envolve um um estudo feito por 150 especialistas franceses em alimentação e nutrição. Resumidamente, os autores concluem que a classificação dos processamento dos alimentos utilizados atualmente não reflete a intensidade dos processos utilizados, sendo esta principalmente baseada em aspectos socioculturais do que os aspectos físico-químicos do processamento.

Por outro lado, o Guia Alimentar da População Brasileira deixa explícito que a base da alimentação deve ser de alimentos in natura ou minimamente processados, preferencialmente de origem vegetal. Visto que, estes “são base para uma alimentação nutricionalmente balanceada, saborosa, culturalmente apropriada e promotora de um sistema alimentar socialmente e ambientalmente sustentável”.

Outrossim, mais uma sugestão do guia é de que se evite os alimentos ultraprocessados, pois os principais ingredientes desses alimentos trazem uma composição nutricional habitualmente ricos em gorduras e ou açúcares e, muitas vezes, simultaneamente ricos em gorduras e açúcares. Além disso, é comum ter elevadas adições de sal, aditivos e outras substâncias que visam maior sabor e vida de prateleira.  

Ultraprocessados: apoio público e preço 

Apesar de derrubada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), um exemplo de apoio público para o setor foi o decreto do ano de 2022 que zerou o Imposto sobre Produtos Industrializados para extratos e concentrados usados na produção de refrigerantes. 

Ademais, dados mostram que o preço dos alimentos in natura no ano de 2022 subiu mais do que os alimentos processados e ultraprocessados. Exemplificando, a inflação da cebola e da maçã, em relação ao mesmo período do ano anterior, teve um aumento de 114,66% e 57,53%, respectivamente. Enquanto, os maiores aumentos entre processados e ultraprocessados foram na da maionese com 32,25%  e do macarrão instantâneo com 19,73%. Nesse aspecto, segundo um economista da FGV, uma forma de desestimular esse consumo é por via das taxações dos produtos em questão. 

Prática Clínica sobre alimentos ultraprocessados

A preferência pelo alimento ultraprocessado a um alimento in natura pode ser resultado da ação cultural, bem como pela falta de tempo, a qual pode ser explicada pela praticidade, ou seja, não é preciso fazer o pré-preparo e cozinhar. Em contrapartida, esse frequente consumo de alimentos ultraprocessados está associado a uma maior incidência de doenças crônicas não transmissíveis, como a obesidade.  

Nesse contexto, o papel do profissional de saúde, em especial do nutricionista, é apresentar saídas para o enfrentamento desse problema complexo. Como exemplo, trazer o tema nutrição para dentro das escolas, bem como instrumentar a população com conhecimento necessário para identificar os produtos ultraprocessados, como pela interpretação adequada dos rótulos nutricionais. Aprenda mais sobre: Rótulo Do Queijo De Búfala, Carne Vegetal Ou Carne 100% Bovina e Golden. 

Referências Bibliográficas

Ultraprocessados e mortes no Brasil: BBC News. “Salgadinho é mais barato que fruta”: subsidiados no Brasil, ultraprocessados causam 57 mil mortes no país, diz estudo – BBC News Brasil. BBC News Brasil. Published March 3, 2023. Accessed March 6, 2023. https://www.bbc.com/portuguese/brasil-63881335

Risco do consumo de ultraprocessados: Ministério da Saúde. Qual é a relação entre consumo de ultraprocessados e risco de mortalidade? Ministério da Saúde. Published June 7, 2022. ‌

Guia Alimentar. Brasil. Ministério da Saúde. Guia Alimentar Para População Brasileira. Ministério da Saúde, Brasília, 2014.156p.

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