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Amamentação e Epigenética: A Influência do Leite Materno no Desenvolvimento

O período de aleitamento é uma fase de grande importância no desenvolvimento humano e o leite materno é reconhecido como um alimento completo, proporcionando não apenas macro e micronutrientes, mas também anticorpos, hormônios e fatores de crescimento benéficos. A Organização Mundial de Saúde (OMS) destaca a importância da oferta exclusiva de leite materno nos primeiros seis meses de vida, evidenciando seus benefícios na redução do risco de doenças infecciosas, desenvolvimento cognitivo e prevenção de condições como obesidade e diabetes na idade adulta. Veja abaixo mais sobre esse tema!


Aleitamento – Benefícios para mãe e bebê


Além dos benefícios diretos para o bebê, a amamentação também demonstra vantagens para as mães, contribuindo para uma recuperação pós-parto mais eficiente, redução do risco de depressão pós-parto e até mesmo menor probabilidade de desenvolvimento de câncer de mama a longo prazo. No entanto, a conexão entre amamentação e programação epigenética é um campo emergente e intrigante que tem capturado a atenção dos pesquisadores.


Embora a maioria dos estudos epigenéticos se concentre nos efeitos da dieta durante a gestação, recentes investigações começam a revelar mecanismos epigenéticos associados aos benefícios da amamentação. Por exemplo, estudos apontam que a amamentação prolongada está associada à hipometilação do DNA em genes relacionados ao desenvolvimento da obesidade. Essa descoberta abre caminho para uma compreensão mais profunda de como a amamentação influencia a expressão gênica e, por conseguinte, o desenvolvimento da criança.


Surpreendentemente, a resposta à amamentação varia entre os sexos dos neonatos. A pesquisa sugere que o desmame precoce aumenta o risco de obesidade em neonatos do sexo masculino, enquanto no sexo feminino está associado ao aumento da adiposidade abdominal, sem estar diretamente relacionado ao excesso de peso. Essa diferenciação revela a complexidade da interação entre a nutrição fornecida pelo leite materno e a expressão genética, especialmente durante as fases iniciais da vida.


Composição do Leite Materno


A composição dinâmica do leite materno também desempenha um papel crucial na programação epigenética. A concentração de anticorpos e proteínas defensoras pode ser alterada por fatores externos, como a separação precoce da mãe e o desmame rápido. Além disso, eventos estressantes na vida da mãe podem influenciar a composição de hormônios e citocinas no leite, afetando não apenas a saúde física, mas também a saúde mental do bebê.


Embora o leite materno seja, indiscutivelmente, o melhor alimento para o bebê, sua composição não está isenta da influência da dieta materna. Dietas ricas em calorias e alimentos ultraprocessados podem aumentar a concentração de gorduras e açúcares no leite, introduzindo assim elementos que podem afetar a saúde do bebê a longo prazo. Estas descobertas destacam a importância não apenas da amamentação, mas também de uma dieta materna equilibrada para garantir um início de vida saudável e uma programação epigenética favorável.


Prática Clínica 


Em suma, a relação entre amamentação e programação epigenética revela uma interconexão fascinante entre a nutrição fornecida pelo leite materno e a regulação genética que molda o futuro do neonato. Essa compreensão mais profunda não apenas destaca a importância da promoção da amamentação, mas também ressalta a necessidade de apoiar as mães em suas escolhas nutricionais, reconhecendo o papel que a amamentação desempenha no desenvolvimento saudável e no bem-estar a longo prazo de seus filhos. Trabalhar essa temática através de uma equipe multidisciplinar desde o planejamento familiar até o nascimento é essencial, a fim de garantir que cada dia mais os bebês tenham acesso ao aleitamento materno e que as futuras mamães sejam encorajadas e que tenham conhecimento sobre esse ato de amor. 


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Referências Bibliográficas


LISBOA, Patricia C.; MIRANDA, Rosiane A.; SOUZA, Luana L.; MOURA, Egberto G.. Can breastfeeding affect the rest of our life? Neuropharmacology, [S.L.], v. 200, p. 108821, dez. 2021. Elsevier BV.

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