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Ansiedade e Nutrição: Entenda a relação

O termo ansiedade descreve a experiência de preocupação, apreensão ou nervosismo em associação com sintomas físicos, cognitivos e comportamentais. Esta pode ser experimentada ocasionalmente como parte da vida normal, assim como pode ser adaptativa quando se tem um aumento da preparação para novas situações. Por outro lado, a partir do momento que os sintomas tornam-se persistentes, excessivos ou interferirem no funcionamento do organismo, começam se tornar patológicos.

Neste contexto, estudos citam a nutrição como uma terapia a ser utilizada de forma adjuvante ou alternativa a outros tratamentos. Logo, é preciso compreender que indivíduo com transtornos de ansiedade relatam alto grau de sofrimento psicológico, incapacidade significativa e redução da qualidade de vida.

Diante disso, a psiquiatria nutricional é um campo de estudo emergente relacionado ao uso de intervenções nutricionais na prevenção e tratamento de transtornos de saúde mental. Mesmo que se tenha crescentes evidências de efeitos benéficos, as recomendações nutricionais são raramente fornecidas a pacientes psiquiátricos, caracterizando assim pouca frequência na prática clínica.



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Ansiedade e Padrões Alimentares

As evidências sugerem que determinados tipos de padrões alimentares podem influenciar o desenvolvimento e a progressão dos transtornos de ansiedade. Sendo que, as dietas associadas à menor ansiedade incluem padrões alimentares saudáveis, dieta mediterrânea, dietas tradicionais, dieta anti-inflamatória e dietas com maior variedade. Ou seja, todos esses padrões partilham elementos em comum e possuem um ênfase nos vegetais e frutas, bem como uma limitação do consumo de açúcar, grãos refinados e maior consumo de alimentos minimamente processados.

Vale destacar que os prováveis mecanismos pelos quais os padrões alimentares afetam os sintomas de ansiedade podem ser o resultado de uma combinação dos fatores mecanicistas discutidos a seguir.

Carboidratos e Ansiedade

A alta ingestão de açúcar e carboidratos refinados pode contribuir para os sintomas de ansiedade. Em relação ao mecanismo existem evidências de que a regulação saudável do açúcar no sangue é um fator importante no bem-estar mental. Assim, essa relação pode explicar as associações entre fatores que melhoram a regulação do açúcar no sangue e níveis mais baixos de sintomas de ansiedade. Isso inclui menor ingestão de açúcar e carboidratos refinados, maior ingestão de fibras, refeições regulares e restrição calórica.

Destaca-se que mais estudos envolvendo os carboidratos são necessários, ou seja, tem-se uma necessidade de estudos de intervenção que avaliem o impacto de diferentes níveis de ingestão de carboidratos em participantes com transtornos de ansiedade.

Proteínas e Ansiedade

Apesar de serem preliminares, evidências encontradas na literatura sugerem que o consumo de proteínas pode ter relação com os sintomas de ansiedade. Isto é, a proteína dietética e, em particular, o triptofano adequado, podem ser importantes para melhorar os sintomas de ansiedade. 

Isso se deve ao fato de os aminoácidos servem como blocos de construção para a síntese de neurotransmissores e o triptofano é necessário para a produção de serotonina, hormônio da felicidade. Dessa forma, o papel estabelecido da serotonina na patogênese dos transtornos de ansiedade pode explicar o dano potencial associado à ingestão inadequada de proteína e consequentemente de triptofano.

Gorduras e Ansiedade

Existem evidências significativas em animais e humanos de que ácidos graxos ômega-3 adequados podem ter efeitos benéficos no tratamento da ansiedade. Enquanto evidências iniciais sugerem que dietas ricas em gordura total, colesterol ou gordura trans podem ter um efeito contrário.

Em relação ao mecanismo, primeiramente é importante entender que possivelmente a inflamação desempenha um papel importante na patogênese dos transtornos psiquiátricos, incluindo ansiedade, e que as gorduras dietéticas podem influenciar os níveis de inflamação. Com isso, os ácidos graxos ômega-3 contribuem para níveis mais baixos de inflamação devido aos seus efeitos nas vias enzimáticas envolvidas na produção de citocinas anti-inflamatórias.

Ao mesmo tempo que, os ácidos graxos ômega-6 aumentam os níveis de inflamação por meio do aumento da produção de citocinas pró-inflamatórias. Ademais, os ácidos graxos ômega-3 podem afetar o estresse oxidativo, neurotransmissão e neuroplasticidade, os quais são mecanismos conhecidos ou hipotéticos para seu uso no tratamento de transtornos de ansiedade.

Ansiedade, Vitaminas e Minerais 

Estudos sugerem que várias vitaminas e minerais, bem como fórmulas suplementares que fornecem uma combinação ou ampla gama de micronutrientes possuem um efeito ansiolítico. Exemplificando, micronutrientes como zinco e selênio são necessários como coenzimas na síntese e regulação de neurotransmissores e fatores neurotróficos, o que pode explicar sua importância na manutenção do bem-estar mental. Além disso, as vitaminas do complexo B e o ácido fólico contribuem para o equilíbrio da metilação, que é considerado relevante para a fisiopatologia das doenças psiquiátricas.

Outrossim, devido a presença de micronutrientes em alimentos integrais e não processados, como vegetais, frutas e grãos integrais, essas descobertas acrescentam evidências à importância de uma dieta saudável contendo uma variedade de alimentos não processados.

Microbiota Intestinal na Ansiedade

Os possíveis mecanismos benéficos potenciais para o impacto do microbioma no bem-estar psiquiátrico incluem a modulação da produção de peptídeos intestinais envolvidos no eixo intestino-cérebro e síntese de neurotransmissores. Além disso, estudos preliminares mostram que a ingestão de microrganismos benéficos e fibras prebióticas e algumas cepas probióticas podem ser benéfica no tratamento da ansiedade. 

Prática Clínica

Diante disso, é notório a associação entre padrões alimentares saudáveis e sintomas de ansiedade reduzidos. Assim, na ausência de uma contraindicação, como alergia ou condição médica específica, às intervenções dietéticas são consideradas de baixo risco e custo-efetivas, e podem conferir um benefício secundário aos aspectos físicos da saúde.

Referências Bibliográficas

Sugestão de leitura: Ansiedade 

Assista o vídeo na Science Play: Fitoterápicos no Manejo de Estados de Ansiedade

Artigo Ansiedade e nutrição: Aucoin M, LaChance L, Naidoo U, Remy D, Shekdar T, Sayar N, Cardozo V, Rawana T, Chan I, Cooley K. Diet and Anxiety: A Scoping Review. Nutrients. 2021 Dec 10;13(12):4418. doi: 10.3390/nu13124418. PMID: 34959972; PMCID: PMC8706568.

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