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Ansiedade: Entenda o Papel dos Fitoterápicos

A ansiedade é uma antecipação de ameaça futura que apresenta sintomatologia. A tensão muscular, estados de vigilância ou preparação para perigos iminentes e comportamentos de cautela ou esquiva são alguns dos sintomas. Além disso, pode apresentar-se sedimentada em medo (resposta emocional a ameaça iminente real ou percebida) e preocupação (pensamentos desagradáveis ou desconfortáveis que não podem ser controlados conscientemente).


Nessa perspectiva, seu tratamento não se restringe apenas ao uso de medicamentos. Isso ocorre, pois é necessário a atividade conjunta de profissionais da área da saúde para que se obtenha resultados satisfatórios. No que se trata do nutricionista, a partir do entendimento do que se trata o quadro clínico e qual foco fisiológico atuar, é possível utilizar-se de intervenções dietéticas, suplementos, fitoterápicos e abordagens comportamentais. Entenda um pouco sobre o papel do nutricionista nesse contexto e as aplicações de fitoterápicos nesses casos.



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Epidemiologia


A ocorrência de transtornos relacionados à ansiedade são comuns entre os 10 e 14 anos e, prevalentemente, por volta dos 30 anos de idade. Sendo mais comum em mulheres, brancos não hispânicos, adultos mais velhos, viúvos, separados ou divorciados. Embora existam diversos tipos de ansiedade, o transtorno de ansiedade generalizada, popularmente conhecido como TAG, é o transtorno mental mais comum em crianças e adolescentes. 


No entanto, seu desenvolvimento não está associado a disfunções biológicas. Os fatores de risco como histórico familiar ou pessoal da própria ansiedade ou transtornos do humor, sexo feminino, estilo de vida, características socioeconômicas, histórico de abuso de substâncias também influenciam seu desenvolvimento. Além disso, um componente de ordem biológica é o polimorfismo G do gene C do receptor da serotonina 1A. Em contrapartida, é comum apresentar-se associada a outras condições como transtorno de ansiedade social, transtorno depressivo maior, transtorno por uso de substâncias, transtorno bipolar, TDAH e transtorno de personalidade.


Anamnese


Inicialmente, antes da adoção de qualquer conduta, é importante investigar os tipos de medicamentos usados e possíveis mudanças medicamentosas recentes. Além de avaliar o uso de benzodiazepínicos, álcool, cafeína e drogas ilícitas. No que se trata de medicamentos, é importante entender que paradas abruptas podem ocasionar efeitos rebotes, ou seja, quadros ansiosos mais intensos. Além disso, condições médicas como distúrbios endócrinos, cardiopulmonares e neurológicos influenciam no surgimento e intensidade da sintomatologia. 


Exames Complementares


São indicados apenas para quadros que há justificativa clínica, como quando o paciente apresenta tontura e taquicardia, por exemplo. Dentre eles podem ser solicitados hemograma completo, perfil lipídico e glicose em jejum, dosagem de eletrólitos, TSH, enzimas hepáticas, toxicológico de urina para uso de substâncias e hemoglobina para anemia. 


Alvo Terapêutico


O tratamento se dá a partir de estratégias que podem ser via alimentação, suplementação e até mesmo uso de fitoterápicos que visem regular a função de neurotransmissores. Dentre eles serotonina, GABA, noradrenalina e glutamato nas regiões responsáveis por sintomas como medo (circuito centrado na amígdala) e preocupação (circuito córtico estriado talamocortical), visto que a inibição de neurônios que apresentam-se excitados em decorrência a diversos estímulos diminui a atividade neuronal, funcionando como uma sedação ansiolítica.


Prática Clínica


Alguns fitoterápicos auxiliam na promoção da sedação ansiolítica. Eles são: Matricaria recutita com dose de 4 a 24mg de apigenina atuando na inibição neural através do GABA; Piper methysticum com dose de 60 a 120mg de kavalactonas atuando como antagonista da dopamina; Withania somnifera atuando na atividade gabaérgica e serotoninérgica com dose segura de 1000mg por até 12 semanas. Além disso, Passiflora incarnata, Valeriana officinalis e Melissa officinalis também podem ser indicados. Entretanto, o ciclo da vida, a toxicidade e os efeitos colaterais devem ser considerados antes da prescrição. 


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Referências Bibliográficas


Yeung KS, Hernandez M, Mao JJ, Haviland I, Gubili J. Herbal medicine for depression and anxiety: A systematic review with assessment of potential psycho-oncologic relevance. Phytother Res. 2018 May;32(5):865-891. doi: 10.1002/ptr.6033. Epub 2018 Feb 21. PMID: 29464801; PMCID: PMC5938102.

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