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  • Foto do escritorKcal da Science Play

Aspectos nutricionais do ferro na saúde e na doença

O ferro desempenha um papel crucial na saúde humana, sendo essencial para prevenir estados deficientes em ferro e comorbidades relacionadas, como a anemia. No entanto, a biodisponibilidade desse micronutriente é geralmente baixa, enquanto sua absorção e metabolismo são rigorosamente controlados para atender às necessidades metabólicas e prevenir a toxicidade do acúmulo excessivo. Além disso, sua entrada na corrente sanguínea é limitada pela hepcidina, seu hormônio regulador. O que faz com que a deficiência de hepcidina devido a mutações nos genes reguladores upstream cause a hemocromatose hereditária, distúrbio endócrino que induz uma sobrecarga caracterizada por hiperabsorção crônica, com complicações clínicas prejudiciais se não tratadas.



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Ferro na Saúde e na Doença 

O ferro é um nutriente essencial necessário para funções biológicas críticas, como transporte de oxigênio e respiração celular. O corpo humano adulto contém 3-5 g desse mineral, com aproximadamente 70% sendo utilizado na hemoglobina dos glóbulos vermelhos. Suas necessidades diárias para ocorrência da eritropoiese são atendidas principalmente pelo ferro reciclado de glóbulos vermelhos senescentes, que são eliminados por macrófagos teciduais. Quando em excesso, tende a ser armazenado no fígado e mobilizado sob demanda.

Além disso, como não há mecanismo de excreção, a absorção dietética de 1 a 2 mg de ferro por dia é essencial para compensar as perdas inespecíficas. Deve-se notar que, sob condições fisiológicas, apenas uma pequena fração (~ 15-20%) do ferro luminal ingerido acaba sendo absorvida. Isso depende do tipo de dieta, com uma estimativa de 14 a 18% sendo absorvido de dietas mistas e 5 a 12% de dietas vegetarianas.

No mais, há evidências de estudos epidemiológicos que indicam que a alta ingestão de ferro heme através do consumo de carne aumenta o risco de efeitos adversos à saúde, principalmente diabetes tipo 2, diabetes gestacional, doença arterial coronariana, doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer, como câncer colorretal, esofágico e de mama. Esses efeitos podem ser atribuídos, pelo menos parcialmente, ao acúmulo excessivo devido ao aumento da biodisponibilidade do ferro heme. No entanto, também é possível que fatores de confusão presentes nos produtos de carne tenham contribuído para esses resultados, uma vez que, na maioria dos casos, os valores de risco foram relativamente baixos (abaixo de 2), indicando correlações fracas. Além disso, a qualidade das evidências também foi considerada baixa. Essas possíveis limitações podem ser compensadas pelos grandes conjuntos de dados obtidos a partir de coortes de estudo com um grande número de participantes e pacientes.

Análises dos Níveis de Ferro

É razoável supor que os efeitos adversos do ferro heme sejam mais evidentes em condições associadas a altos níveis de ferro no organismo, como síndrome metabólica, diabetes gestacional e alguns tipos de câncer, especialmente o colorretal. No entanto, uma relação causal clara entre a ingestão de ferro heme e o risco de doenças ainda não foi estabelecida. Portanto, são necessários estudos experimentais adicionais para corroborar os dados epidemiológicos e explorar os mecanismos subjacentes à sua patogenicidade.

Contudo, é válido ressaltar que não há evidências de que a ingestão dietética de ferro inorgânico, mesmo proveniente de alimentos fortificados ou suplementos, contribua para o ônus de doenças na população em geral. Porém, é importante entender seu impacto no microbioma intestinal, especialmente no contexto de doenças inflamatórias e infecciosas. Sendo assim, o ferro desempenha um papel vital na saúde humana, mas seu equilíbrio e metabolismo adequados são essenciais para prevenir deficiências e complicações relacionadas ao excesso. 

Prática Clínica

Para indivíduos diagnosticados com deficiência, uma abordagem terapêutica adequada inclui a suplementação via oral ou intravenosa, dependendo da gravidade do quadro clínico. Além disso, é importante incentivar uma dieta equilibrada, rica em fontes de ferro não heme, como feijões, lentilhas, espinafre e alimentos fortificados. Como também fontes de ferro heme, que são alimentos de origem animal, especialmente carnes vermelhas, aves e peixes. No entanto, pacientes com condições que apresentam sobrecarga, como a hemocromatose, o manejo nutricional deve ser direcionado para limitar a ingestão do tipo heme proveniente de carnes e promover uma dieta balanceada, com controle adequado de sua absorção.

Referências Bibliográficas

Assista o vídeo na Science Play com Rodrigo Manda: Deficiência de ferro

Artigo: Ferro – Charlebois E, Pantopoulos K. Nutritional Aspects of Iron in Health and Disease. Nutrients. 2023; 15(11):2441. https://doi.org/10.3390/nu15112441

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