top of page
  • Foto do escritorKcal da Science Play

Canabinóides: Uso Terapêutico em Doenças Neurodegenerativas

O potencial dos canabinoides como uma alternativa de tratamento para doenças neurodegenerativas como Parkinson e  Alzheimer tem despertado interesse na comunidade científica. Dentre as causas da neurodegeneração, destacam-se os depósitos extracelulares de placas beta-amiloide e emaranhados neurofibrilares, disfunção mitocondrial, aumento do estresse oxidativo e neuroinflamação. Embora ainda não haja tratamento capaz de impedir o declínio cognitivo progressivo, estudos têm apontado que a modulação do sistema endocanabinoide pode retardar a progressão, impactando positivamente na qualidade de vida dos pacientes. 



Table of ContentsToggle

Canabinóides e Alzheimer 

O Alzheimer é uma doença causada pela deposição extracelular de placas beta-amiloide e emaranhados neurofibrilares compostos de proteína tau hiperfosforilada. Assim também pelos, níveis reduzidos de colina acetiltransferase. Outras patologias incluem defeitos mitocondriais funcionais, aumento do estresse oxidativo, neuroinflamação e falha de enzimas envolvidas na produção de energia, causando exaustão das células nervosas. A ativação de microglia em regiões preenchidas por placas e morte celular devido à excitotoxicidade também ocorre. 

A modulação do sistema endocanabinoide por meio do uso de canabinóides pode proteger indivíduos com Alzheimer da excitotoxicidade e neuroinflamação. Estudos sugerem que a redução dos níveis de receptores neuronais CB1 ocorre em modelos animais.  Além disso, a ativação do CB2 atenua a inflamação devido à liberação de mediadores neurotóxicos e pró-inflamatórios por astrócitos e células microgliais, modulando assim o processamento anormal de β-amiloide e estimulando a proliferação e migração microglial.

Canabinóides e Parkinson 

A doença de Parkinson (DP) é uma doença neurodegenerativa que leva a tremores e dificuldades para caminhar e manter o equilíbrio. A rigidez muscular pode causar dificuldades para iniciar e finalizar movimentos, sintomas que pioram com o tempo. Estudos pré-clínicos em modelos animais mostraram um efeito neuroprotetor de canabinoides sintéticos ou fitocanabinoides como inibidores de MAGL, como JZL184, e o bloqueio da atividade do receptor CB1.  

Em estudos clínicos, os canabinóides demonstraram potenciais benefícios nos sintomas motores como acinesia, tremor ou discinesia, bem como nos aspectos não-motores, como sono e dor. Um estudo em pacientes que tomaram brotos de cannabis por via oral relatou uma melhora geral dos sintomas, como a redução do tremor em repouso e rigidez muscular, e uma diminuição da bradicinesia. Os efeitos positivos do CBD sugerem que ele poderia complementar a terapia padrão para a doença de Parkinson. 

Os canabinóides mostraram potencial terapêutico no tratamento de doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer e o Parkinson. A modulação do sistema endocanabinoide por meio do uso de canabinóides pode retardar a progressão da doença, proteger contra a excitotoxicidade e neuroinflamação, e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. No entanto, ainda são necessários mais estudos clínicos para avaliar a segurança e eficácia desses tratamentos.

Prática Clínica 

Na prática clínica, o uso de canabinóides ainda é restrito em muitos países e requer uma prescrição médica especializada. A dosagem e o método de administração devem ser cuidadosamente avaliados para maximizar os benefícios terapêuticos. É importante lembrar que os canabinóides não são uma cura para essas doenças, mas sim uma alternativa de tratamento que pode ajudar a melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

Referências Bibliográficas 

Assista o vídeo na Science Play com Leandro Medeiros: Uso terapêutico dos canabinoides: Da base à prescrição 

Pagano C, Navarra G, Coppola L, Avilia G, Bifulco M, Laezza C. Cannabinoids: Therapeutic Use in Clinical Practice. International Journal of Molecular Sciences. 2022; 23(6):3344. https://doi.org/10.3390/ijms23063344

Classifique esse post

5 visualizações

Comments


bottom of page