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Carboidrato Não Causa Resistência à Insulina

A resistência à insulina está associada a várias doenças, como diabetes e hipertensão. Quando perdemos na fisiologia e bioquímica a capacidade de indicar a restrição de carboidratos para tratar a resistência à insulina? Estudos demonstram que a dieta de baixo teor de carboidratos resulta em aumento da insulina. Quando a glicose entra no organismo, ela é transportada diretamente para a corrente sanguínea e para os enterócitos.


A glicemia de jejum é uma medida do organismo para manter os níveis de glicose no corpo, sendo composta por 50% de glicogenólise e 50% de gliconeogênese. Hormônios reguladores como adrenalina, cortisol, GH e glucagon auxiliam no aumento da glicemia. As células pancreáticas possuem GLUT2 na membrana, permitindo que a glicose entre na célula hepática e forme ATP. A sinalização do cálcio pode ser influenciada por diversos fatores, como o sistema parassimpático, que aumenta a secreção de insulina, enquanto o sistema simpático diminui.

 

A pergunta que fica é: “A gente tem medo da insulina ou medo da resistência à insulina?”

 

Atividade Física: Um Aliado Contra a Resistência à Ação da Insulina

 

Durante a prática de atividade física, ocorre a translocação do GLUT4 para a membrana celular. A insulina desempenha diversas ações benéficas para o organismo, incluindo ação nuclear, estimulando a síntese de substâncias essenciais. Sem ela, não conseguimos manter nossos estoques completos. Além disso, a insulina estimula o catabolismo proteico, atua como protetora contra trombose e auxilia na remoção de lipídios e glicose. Sua liberação está associada à liberação de hormônios relacionados à saciedade e fome. A produção de óxido nítrico é estimulada pela insulina, promovendo a vasodilatação e contribuindo para a remoção de 30% da glicose ingerida.


A atividade física ativa o NPK, resultando na liberação do GLUT4 e aumentando a captação de glicose. Considerando que nosso cérebro depende da glicose, a presença de insulina é fundamental para fornecer energia aos neurônios, promovendo uma atividade neural mais eficiente. Atualmente, não existe medicamento que reverta a resistência à insulina. É importante ressaltar que a resistência à insulina não é causada pela carga de carboidratos, mas sim por picos de glicemia. A privação de sono pode elevar os níveis de cortisol, aumentando a glicemia e promovendo a lipólise, o que não é desejado.


Carboidratos e Relação Glicemia/Resistência à Insulina


Eliminar os carboidratos pode até resultar em melhorias na glicemia, porém não resolve a resistência à insulina. Um dos fatores relevantes são as ceramidas, que podem ser provenientes de fontes animais e gorduras saturadas, além das fontes endógenas derivadas da biossíntese de novo, da reciclagem de esfingomielina e da síntese de ceramida a partir de esfinosina. A disfunção mitocondrial contribui para o aumento dos radicais livres, e fatores como o envelhecimento e a obesidade intensificam essa disfunção. Resumidamente, na célula, diversos receptores estão envolvidos na resistência à insulina, sendo que o aumento da gordura corporal promove elementos que potencializam essa resistência, culminando em um aumento da inflamação.


A Ação da Gordura e da Proteína no Impacto da Resistência à Insulina


A gordura saturada pode ter impactos mais negativos no organismo do que o açúcar simples ou a gordura insaturada. Estudos indicam que a gordura saturada pode aumentar a resistência à insulina em até 23% em comparação com o açúcar. Uma pesquisa realizou uma dieta com macronutrientes isolados por 2 dias, incluindo dietas ricas em proteínas, gorduras, carboidratos e apenas água. Os resultados demonstraram que a curva glicêmica foi significativamente menor na dieta rica em carboidratos.


Além disso, foi observado que um jantar rico em gordura pode impactar negativamente a glicemia, afetando o metabolismo da glicose no dia seguinte. Por outro lado, uma refeição rica em carboidratos teve um efeito mais pronunciado sobre o metabolismo subsequente de triacilgliceróis. Outro estudo revelou que a ingestão de gordura pode afetar a glicemia em apenas 4 horas; a administração de óleo de palma resultou em uma diminuição de 25% na sensibilidade à insulina em todo o corpo, 15% no fígado e 34% no tecido adiposo. Adicionalmente, o teor hepático de triglicerídeos aumentou em 36%, enquanto o de ATP aumentou em 16%.


A Dieta Cetogênica Reduz a Glicemia?


Um estudo comparativo entre as dietas low carb e cetogênica revelou que esta última obteve os melhores resultados na redução da glicemia. O metilglioxal, por sua vez, é até 40.000 vezes mais reativo quimicamente do que a glicose e apresenta efeitos citotóxicos, tais como a inibição do crescimento celular, apoptose, efeitos mutagênicos e inibição da atividade enzimática. Além disso, ele desempenha um papel crucial como precursor na formação de produtos finais de glicação avançada e está associado a um aumento do estresse oxidativo na doença de Alzheimer.


Como Trabalhar com a Resistência à Insulina?

 

Para melhorar a saúde metabólica, é importante reduzir a gordura corporal, limitar o consumo de gorduras saturadas, trans e ceramidas, garantir um sono adequado, regular os níveis de cortisol e adrenalina, e evitar o jejum prolongado. É relevante ressaltar que o carboidrato não é diretamente responsável pela resistência à insulina, a menos que seu consumo excessivo resulte em aumento da adiposidade. Embora uma dieta rica em gordura não cause picos glicêmicos nem de insulina, a presença de gorduras saturadas pode levar à resistência à insulina, anulando assim os benefícios da elevação da insulina.


Prática Clínica


O médico pode aplicar este conhecimento orientando os pacientes com resistência à insulina a adotarem uma dieta equilibrada e um estilo de vida saudável. Recomendar a prática regular de exercícios físicos, que melhora a captação de glicose, é essencial. Além disso, o médico deve educar os pacientes sobre os efeitos negativos das gorduras saturadas e a importância de limitar seu consumo. Monitorar a qualidade do sono, pois a privação pode aumentar os níveis de cortisol e agravar a resistência à insulina, também é crucial. A abordagem deve ser individualizada para evitar picos glicêmicos e promover a perda de gordura corporal, melhorando a sensibilidade à insulina.


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Referências Bibliográficas


NORTON, Luke; SHANNON, Chris; GASTALDELLI, Amalia; DEFRONZO, Ralph A.. Insulin: the master regulator of glucose metabolism. Metabolism, [S.L.], v. 129, p. 155142, abr. 2022. Elsevier BV.

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