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  • Foto do escritorKcal da Science Play

Carboidratos e seu impacto na microbiota intestinal 

Os carboidratos representam a principal fonte de energia nutricional para o corpo humano. Assim, a complexa interação entre o consumo de carboidratos, sua digestão, metabolismo e sua influência na microbiota intestinal tem despertado significativa atenção científica. Uma vez que é possível observar as conexões entre os carboidratos ingeridos e a composição da microbiota intestinal em diferentes níveis taxonômicos.



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Composição da microbiota intestinal

As bactérias são o domínio mais extensivamente estudado entre todos os microorganismos encontrados no intestino humano. Desse modo, foi demonstrado que a presença de alguns filos, famílias, gêneros e espécies de bactérias está associada a um risco reduzido ou aumentado de desenvolver certas doenças e o estado geral de saúde.

Então, os principais filos bacterianos encontrados no intestino humano são Firmicutes, Bacteroidetes, Actinobacteria, Proteobacteria, Fusobacteria, Cyanobacteria, Verrumicrobia e Spirochaetes. Destes os mais abundantes são Firmicutes e Bacteroidetes, que representam mais de 87% da microbiota total do intestino.

Fatores que modificam a microbiota

Uma ampla gama de fatores influencia a microbiota, incluindo a genética do hospedeiro, a colonização precoce, práticas alimentares iniciais, arranjos de convívio, ter irmãos mais velhos, animais de estimação peludos, o uso de certos medicamentos, especialmente antibióticos, e fatores controláveis, como dieta e estilo de vida em geral. Entre esses fatores controláveis, a dieta, especialmente os carboidratos nela contidos, parece ter um efeito significativo na modulação do microbioma intestinal.

Interação Carboidrato-Microbiota

O microbioma intestinal, um ecossistema complexo de microrganismos que habitam o trato gastrointestinal, desempenha um papel fundamental na saúde humana. Além disso, a digestão dos carboidratos depende de glicosídeo hidrolases (GHs), enzimas que quebram os carboidratos. Curiosamente, os seres humanos possuem apenas 17 GHs para a digestão de carboidratos no trato gastrointestinal superior. Por outro lado, a bactéria Bacteroides thetaiotaomicron, um habitante abundante do intestino, possui mais de 260 GHs, permitindo a quebra de diversos carboidratos e produzindo energia e metabólitos como ácidos graxos de cadeia curta (AGCC).

Numerosos estudos têm explorado a complexa conexão entre os carboidratos da dieta e o microbioma intestinal. No entanto, comparar descobertas entre esses estudos permanece desafiador devido a variações no desenho experimental, espécies hospedeiras, metodologias, intervenções, técnicas de sequenciamento e ferramentas de análise. Essa complexidade tem dificultado o estabelecimento de padrões consistentes nas interações entre carboidratos e microbiota.

Diferentes tipos de carboidratos possuem o potencial de impactar significativamente a composição da microbiota intestinal e, por extensão, a saúde do hospedeiro. Dessa forma, os carboidratos emergem como algo mais do que simples fontes de energia, eles moldam a composição da microbiota. 

Prática clínica

Ao compreender como certos carboidratos podem influenciar positivamente ou negativamente a saúde intestinal, os nutricionistas podem personalizar prescrições dietéticas de maneira a otimizar o equilíbrio da microbiota. Além disso, a consideração do impacto dos antibióticos na microbiota e a conscientização sobre o papel da dieta na modulação microbiana podem guiar a tomada de decisões na terapia medicamentosa. Dessa forma, a pesquisa acerca da interação dos carboidratos e a microbiota contribui para uma abordagem mais precisa e personalizada no tratamento de condições relacionadas à saúde intestinal, fornecendo uma base sólida para a promoção da saúde e prevenção de doenças.

Referências

MORA-FLORES, Lorena P.; CASILDO, Rubén Moreno-Terrazas Moreno-Terrazas; FUENTES-CABRERA, José; PÉREZ-VICENTE, Hugo Alexer; ANDA-JÁUREGUI, Guillermo de; NERI-TORRES, Elier Ekberg. The Role of Carbohydrate Intake on the Gut Microbiome: a weight of evidence systematic review. Microorganisms, [S.L.], v. 11, n. 7, p. 1728, 30 jun. 2023. MDPI AG.

Sugestão de estudo: A microbiota dos centenários o segredo da longevidadeAssista o vídeo na Science Play com Karina Al Assal: Microbiota e imunidade

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