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Carboidratos e Training The Gut no Esporte

Quando se pensa em esportes, o macronutriente com maior relevância para a performance esportiva é o carboidrato, no entanto, sua ingestão deve ser equilibrada de forma a se chegar na competição com os estoques de glicogênio adequados para performar da melhor maneira possível.



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Ajuste de Carboidratos Pré e Intra Treino

O ajuste prévio nos estoques de glicogênio é tão importante quanto sua reposição durante a prova ou treinamento, visando minimizar a depleção do glicogênio ao longo do treinamento. Assim, ofertar carboidratos durante o treino se demonstrou uma boa estratégia para induzir um aumento do esvaziamento gástrico de glicose e frutose, uma vez que o trato gastrointestinal é altamente adaptável e seu treinamento durante o exercício evita sintomas de desconforto. 

Trabalhar com até 60g/h de carboidratos, como a glicose, acarreta em uma saturação dos transportadores SGLT-1. Caso se deseje aumentar para 90 g/h, há a saturação do transportador GLUT5, que é conhecido como o transportador da frutose ou ainda 120g/h é recomendada mediante a um treinamento do trato gastrointestinal, técnica conhecida como training the gut.  

Carboidratos e Mecanismo de Regulação do SGLT-1 

A alta ingestão de carboidratos a longo prazo, podem aumentar o conteúdo de SGLT-1 e consequentemente aumentar a capacidade de absorção de glicose, mas a exposição prolongada pode resultar em maiores adaptações, haja vista que a glicose sensibiliza os receptores, de forma com que haja maior conteúdo de SGLT-1. 

No entanto, tem sido comum o hábito de atletas que se privam do consumo do carboidrato, destreinando o intestino. Porém, utilizando-o como intra treino durante a competição e, consequentemente, apresentando sintomas de desconforto gástrico que podem vir a comprometer seu desempenho esportivo. 

Neste contexto, a literatura demonstra que alta ingestão de carboidrato em torno de 120g/h durante uma maratona de montanha pode limitar a fadiga neuromuscular. Além disso, em comparação com ingestões em menor quantidade como 90g/h induz melhora no processo de recuperação muscular

A relação entre a ingestão de glicose e frutose é o que rege a resposta em relação à performance no endurance, sendo necessário uma ratio adequado e balanceado para que seja otimizada a taxa de oxidação. Neste sentido, a prescrição de uma solução com relação de 1:1 parece ser a mais adequada para esta finalidade.

No mais, a ingestão destas quantidades e tipos de carboidratos independe da forma de ingestão, podendo ser gel, goma, suco entre outras. Entretanto, é importante observar que os indivíduos que já realizam alta ingestão de carboidrato diário também se beneficiam do treinamento do TGI, passando a oxidar maior quantidade de carboidrato exógeno após a utilização destas estratégias.

Carboidratos e Training The Gut

A primeira coisa para o treinamento intestinal é aumentar a quantidade de carboidratos ao longo do dia, para então conseguir realizar os protocolos e treinar o esvaziamento gástrico e situações em que seja necessário realizar o treinamento físico após a refeição.

Além disso, é importante que o aumento de carboidratos intra treino seja realizado de forma gradativa, de forma que também aumente a capacidade de absorção intestinal, evitando complicações gastrointestinais. Consequentemente, melhorando o desempenho esportivo.

Ademais, o treinamento de endurance de alta intensidade, pode promover alterações na resposta imune, por conta da redução do fluxo sanguíneo, que acarretaria em menor entrega de nutrientes e alterando a permeabilidade da parede do eptélio intestinal. Com isso, haveria uma destruição da mucosa intestinal, estimulando uma resposta inflamatória e disbiose intestinal.

Dessa forma, visando uma melhora da microbiota, os ácidos graxos de cadeia curta (AGCC), como o butirato, pode atenuar essa resposta inflamatória. Tendo isso em vista, o lactato produzido durante o exercício pode auxiliar na produção de AGCC, modulando a resposta inflamatória causada pelo exercício.

Prática Clínica

O nutricionista pode trabalhar com o esportista de forma a oferecer doses de intra treino conforme a necessidade observada, as quais podem ser entre 60g/h a 120g/h. No entanto, essas estratégias exigem que seja realizado um treinamento do trato gastrointestinal de modo a se chegar na dosagem que o paciente irá usar durante a execução do esporte gradativamente. Além disso, também é importante atentar-se à microbiota intestinal, visto que se em disbiose não há capacidade da fonte energética ofertada ser totalmente absorvida. 

Referência Bibliográficas

Assista ao vídeo na plataforma Science Play –Preparando a microbiota intestinal para uma boa performance

CUNNINGHAM, Karen M.; HOROWITZ, Michael; READ, Nicholas W.. The effect of short-term dietary supplementation with glucose on gastric emptying in humans. British Journal Of Nutrition, [S.L.], v. 65, n. 1, p. 15-19, jan. 1991. Cambridge University Press (CUP). 

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