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Comer Transtornado e Transtorno Alimentar: Qual a Diferença?

Enquanto hábitos alimentares estão relacionados ao consumo e ingestão de alimentos, o comportamento alimentar está mais vinculado aos aspectos psicológicos da alimentação, incluindo padrões pré-deglutição. Esses padrões podem ser influenciados por crenças sobre alimentos, pensamentos relacionados à forma corporal, restrições cognitivas e preocupações com o controle de peso, culminando em sentimentos de culpa, medo, prazer ou satisfação após a ingestão. Dentro do aspecto "comportamento alimentar", existem algumas diferenciações, como comer transtornado e transtornos alimentares.

 

O que é Comer Transtornado?

 

No comer transtornado, o indivíduo pode tanto comer demais quanto não comer, e realiza práticas não saudáveis visando o controle de peso, apresentando uma grande seletividade alimentar e regras alimentares disfuncionais. Nesses casos, existem comportamentos de controle de peso patogênicos, como comportamentos compensatórios, porém sem regularidade.

 

Além disso, os pensamentos sobre comida não ocupam a maior parte do dia e, mesmo com a preocupação com "comer saudável" e a quantidade de calorias, a ingestão alimentar e energética permanece aceitável. Assim, a funcionalidade do indivíduo permanece intacta.

 

Em relação à prática de exercício físico, esta não é excessiva como forma de gastar calorias, mesmo que esse possa ser o foco cognitivo enquanto se exercita.  Como obstáculos para a mudança do comer transtornado, o indivíduo enfrenta constantemente o medo de ganhar peso, juntamente com a pressão familiar e/ou social para mudar.

 

Requisitos para o Transtorno Alimentar

 

Enquanto isso, os transtornos alimentares (TA) têm requisitos específicos. Apesar de termos diversos tipos que se diferenciam entre si, como anorexia nervosa, bulimia nervosa e transtorno de compulsão alimentar periódica, existem fatores comuns a todos os TA, que são: problemas com alimentação e fracasso em dieta, estratégias prejudiciais para controle de peso, imagem corporal distorcida, infelicidade e angústia, manutenção dos comportamentos em segredo, aversão ao risco, déficit de enfrentamento, entre outros.

 

Nesses casos, os atos compensatórios ocorrem múltiplas vezes na semana, devido aos pensamentos obsessivos com comida presentes na maior parte do tempo, fazendo com que a preocupação com o "comer saudável" leve a restrições alimentares. Ademais, os exercícios são feitos de forma intensa como maneira de gastar calorias, e esses padrões e obsessões impedem a funcionalidade do indivíduo para atividades diárias.

 

O transtorno alimentar, por sua recorrência e manutenção, traz grandes riscos à saúde. O transtorno de compulsão alimentar, por exemplo, aumenta a chance de o indivíduo desenvolver pressão arterial alta e doenças cardíacas como resultado da elevação dos níveis de triglicérides, diabetes mellitus tipo II, síndrome do ovário policístico, candidíase e doenças na vesícula biliar, além do aumento dos níveis de colesterol. Além disso, crenças alimentares como "Comer me ajuda a enfrentar", "Eu mereço" e "Uma vez que começo a comer, não consigo parar" auxiliam a manutenção desse tipo de comportamento.

 

Prática Clínica

 

No consultório, o nutricionista desempenha um papel crucial na identificação e manejo dos comportamentos alimentares disfuncionais, tendo em vista que costuma ser o primeiro profissional à ser procurado. 

 

Ao reconhecer esses padrões, o profissional pode oferecer orientações nutricionais personalizadas e estratégias para promover uma relação mais saudável com a comida. Além disso, ao saber diferenciar o comer transtornado de transtornos alimentares, o nutricionista pode ajudar a identificar sinais de alerta precoces e encaminhar os pacientes para uma avaliação mais aprofundada por profissionais de saúde mental, quando necessário. 

 

A abordagem multidisciplinar, envolvendo não apenas o nutricionista, mas também psicólogos e outros profissionais de saúde, é essencial para o manejo eficaz dos transtornos alimentares e para promover a recuperação completa do paciente.

 

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Sugestão de Estudo: Comer Emocional em Adolescentes

 

 

 

Referências Bibliográficas

 

REARDON, Claudia L; HAINLINE, Brian; ARON, Cindy Miller; BARON, David; BAUM, Antonia L; BINDRA, Abhinav; BUDGETT, Richard; CAMPRIANI, Niccolo; CASTALDELLI-MAIA, João Mauricio; CURRIE, Alan. Mental health in elite athletes: international olympic committee consensus statement (2019). British Journal Of Sports Medicine, [S.L.], v. 53, n. 11, p. 667-699, 16 maio 2019. BMJ.http://dx.doi.org/10.1136/bjsports-2019-100715.

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