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Como Avaliar o Efeito da Suplementação Através de Exames de Sangue

Bioenergética 


Bioenergética é essencial para quem deseja trabalhar na área do esporte, devido aos vários erros comuns na periodização nutricional. Ela envolve a conversão dos substratos absorvidos nos alimentos em energia utilizável, conhecida como ATP.


As fontes primárias de energia são os carboidratos, gorduras e proteínas. A origem dessas fontes de energia é medida em quilocalorias (Kcal). Uma quilocaloria (Kcal) é a quantidade de energia (calor) necessária para aquecer 1 kg (ou 1 L) de água em 1°C a uma temperatura de 15 °C. Em termos de energia, 1g de carboidratos ou proteínas equivale a 4 Kcal, enquanto 1g de gorduras corresponde a 9 Kcal.


Os 3 tipos de sistemas para produção de energia são:

  • АТР

  • АТР - СР

  • Glicolítico (lático)

  • Oxidativo (aeróbico)


O objetivo de cada sistema é liberar energia dos produtos químicos ou alimentos e transformá-la em ATP, que pode então ser utilizada nas contrações musculares e atividades físicas.


Substrato: Glicogênio


O glicogênio é composto por polímeros de glicose, sendo armazenado no fígado e músculo, sintetizado e desintegrado no citoplasma por diferentes enzimas. Sua sintetização acontece quando a quantidade de glicose na célula é maior do que a necessária para a produção de energia, o glicogênio desempenha um papel crucial no metabolismo energético. 


O glicogênio hepático regula o nível sanguíneo de glicose, especialmente durante o jejum, enquanto o glicogênio muscular serve como fonte imediata de energia para os músculos. Quando os estoques de glicogênio estão cheios, o excesso é convertido em gordura para armazenamento. Portanto, o controle adequado do glicogênio é essencial para evitar o acúmulo de gordura. Durante o treinamento, a intensidade exerce um papel fundamental: quanto mais intenso for o exercício, mais rápido os estoques de glicogênio são esgotados. Assim, estratégias que poupam glicogênio podem melhorar significativamente o desempenho.


Por outro lado, em intensidades mais baixas de exercício, o corpo ainda depende do glicogênio como fonte primária de energia. Portanto, mesmo em treinos de menor intensidade, a adequação dos níveis de glicogênio é importante para manter o desempenho. É crucial reconhecer que o corpo utiliza uma variedade de fontes de nutrientes para obter energia, e a dieta desempenha um papel fundamental nesse processo. Por exemplo, dietas com baixo teor de carboidratos podem não ser ideais para o desempenho físico, uma vez que reduzem os estoques de glicogênio e comprometem a capacidade do corpo de sustentar esforços intensos.

 

Substrato: Aminoácido


Não existem reservas de proteínas como ocorre com os carboidratos e as gorduras; toda a proteína é funcional. O estímulo do treinamento aumenta o acúmulo de proteínas contráteis, promovendo a hipertrofia muscular e o aumento do número de enzimas e mitocôndrias. 


Embora o consumo diário de aminoácidos essenciais seja fundamental, as proteínas não utilizadas são oxidadas e transformadas em carboidratos e gorduras. A oxidação das proteínas aumenta significativamente quando o glicogênio hepático está depletado, especialmente em condições de estresse metabólico e depleção de carboidratos.


O cortisol desempenha papéis distintos dependendo do contexto, seja durante a atividade física ou em estados de jejum. Durante o jejum ou a atividade física, o cortisol tem um impacto significativo, com níveis mais elevados durante o treinamento em jejum. A velocidade do treinamento influencia os níveis de adrenalina, que aumentam proporcionalmente à intensidade da atividade física.


Gliconeogênese 


É o processo pelo qual precursores como lactato, piruvato, glicerol e aminoácidos são convertidos em glicose. Durante o jejum, toda a glicose deve ser sintetizada a partir desses precursores não-glicídicos. A maioria dos precursores deve entrar no Ciclo de Krebs em algum ponto para ser convertida em oxaloacetato. Ácidos graxos não podem ser convertidos em glicose porque a reação da Acetil-CoA para Piruvato é irreversível. A Acetil-CoA não é um composto glicogênico em mamíferos. O oxaloacetato é o material de partida para a gliconeogênese.


Metabolismo


Nosso corpo emite sinais sobre o que está acontecendo, e cabe a nós reconhecê-los e intervir quando necessário. Quando utilizamos aminoácidos como fonte de energia, ocorre a transaminação, onde o piruvato se converte em glicogênio, gerando amônia, que pode ser tóxica para o organismo. O aumento da amônia e da ureia, juntamente com níveis anormais de creatinina, são sinais de que algo está incorreto, muitas vezes relacionados ao excesso de proteína ou à falta de carboidratos. 


A proteína mal metabolizada pode levar à resistência à insulina. Após o exercício, a concentração plasmática de glicose diminui, enquanto o glucagon é liberado, estimulando a lipólise e aumentando a proteólise. O emagrecimento pode não ser indicado devido ao aumento da proteólise, especialmente em casos de obesidade sarcopênica, onde há um desafio adicional na utilização dos aminoácidos essenciais como substrato energético. O corpo repõe o estoque de glicogênio quando está em repouso, através do processo de ressíntese de glicogênio.


Treino Low X Treino High 


A decisão de consumir carboidratos antes ou depois do treino depende do paciente, sendo essencial que a dieta esteja alinhada com a atividade física, e vice-versa, levando em consideração a periodização adequada para cada treino ou paciente. Por exemplo, o estímulo não é o único aspecto relevante, mas sim a intensidade do treino em jejum para a manutenção do peso. Cada indivíduo possui uma zona de treinamento específica, e a realização de uma calorimetria indireta pode fornecer parâmetros mais precisos, com variáveis fixas para uma reprodução consistente. 


Quando o limiar anaeróbico é baixo, há uma maior necessidade de glicogênio, e o corpo tende a consumir pouca gordura como fonte de energia. É crucial entender qual é o combustível disponível quando o corpo precisa, pois não adianta realizar exercícios cardiovasculares e, em seguida, consumir uma grande quantidade de alimentos à noite para compensar essa energia. O balanço nitrogenado negativo e a nutrição crônica em estado catabólico são fatores que contribuem para o envelhecimento precoce, destacando a importância de uma alimentação adequada e equilibrada para a saúde a longo prazo.


Sistema Energético


A CK (creatina quinase) é uma enzima responsável por catalisar a ressíntese de ATP por meio da fosfocreatina. Seus níveis tendem a aumentar em pessoas que praticam exercícios físicos regularmente, possuem grande massa muscular ou estão sujeitas a um processo de sobrecarga ou overtraining.


Já a LDH (desidrogenase lática) é uma enzima que catalisa a conversão do piruvato em lactato, transferindo hidrogênio e reduzindo NADH em NAD+. Seu aumento está diretamente relacionado à intensidade e duração do exercício, sendo que os valores em atletas tendem a ser mais elevados e variam conforme o tipo de treinamento realizado.


Por outro lado, as enzimas ALT (alanina aminotransferase) e AST (aspartato aminotransferase) têm pouca influência durante o exercício físico. A AST, por exemplo, catalisa a conversão de aminoácidos e pode estar elevada após a prática de atividades físicas, permanecendo assim por um período de até 24-48 horas, além de ser encontrada na gliconeogênese.


Para atletas que treinam com alta intensidade e geram lactato, é essencial entender que isso está relacionado com um poder no sistema redox compatível com esse tipo de treinamento. Além disso, o treino que envolve a geração de muita informação e o reparo tecidual é considerado o mais eficiente para os atletas.


Prática Clínica


Ao avaliar os pacientes, é crucial considerar o controle dos estoques de glicogênio para evitar o acúmulo de gordura e melhorar o desempenho físico. A intensidade do exercício desempenha um papel fundamental na rápida depleção desses estoques, destacando a importância de estratégias que poupem glicogênio, mesmo em treinos de menor intensidade. Além disso, é essencial enfatizar a relevância da dieta na obtenção de energia, ressaltando a necessidade de carboidratos para sustentar esforços intensos e alertando sobre os riscos de dietas com baixo teor desse nutriente. Ao mesmo tempo, é importante considerar o metabolismo dos aminoácidos e os impactos do cortisol e da adrenalina em diferentes contextos metabólicos, visando uma abordagem nutricional equilibrada e individualizada para otimizar o desempenho e a saúde dos pacientes.


"Sem perceber a gente torce pra vida acabar"


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Sugestão de estudo: Suplementação


Referências 


Margolis LM, Pasiakos SM. Optimizing intramuscular adaptations to aerobic exercise: effects of carbohydrate restriction and protein supplementation on mitochondrial biogenesis. Adv Nutr. 2013 Nov 6;4(6):657-64. doi: 10.3945/an.113.004572. PMID: 24228194; PMCID: PMC3823511.

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