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Como o Açúcar Afeta Nosso Cérebro?

O cérebro, sendo o órgão que mais consome energia no corpo humano, depende principalmente de glicose como fonte de combustível. Entretanto, o que ocorre quando o cérebro é exposto a quantidades excessivas de açúcares na dieta? Você já se questionou sobre os mecanismos cerebrais que tornam os alimentos doces tão irresistíveis?


Açúcar é uma categoria de carboidratos que abrange monossacarídeos como frutose e glicose, e dissacarídeos como sacarose e lactose, além de dextrose e amido. É importante compreender que o açúcar não está presente apenas em doces e sobremesas, mas também em alimentos como molhos de tomate, iogurtes, frutas secas, águas saborizadas e barras de cereais. Dessa forma, considerando a onipresença do açúcar, surge a questão: como sua ingestão afeta nosso cérebro?


O que Acontece Quando o Açúcar Entra em Contato com a Língua? 


Quando ingerimos açúcar, geralmente ativamos quimiorreceptores sensoriais presentes nas papilas gustativas, onde percebemos o sabor doce, especialmente nas papilas tipo fungiforme. Esses receptores linguais enviam sinais para o cérebro, que são distribuídos por várias partes do encéfalo frontal, incluindo o córtex cerebral. Cada região do córtex processa cinco categorias de sabores: amargo, azedo, salgado, umami e, no nosso caso, doce. A partir dessas reações em cascata, os sinais de recompensa cerebral são ativados, ou seja, o açúcar tem um impacto no nosso cérebro.


Resposta da Recompensa


O sistema de recompensa consiste em uma rede de caminhos químicos e elétricos entre diversas regiões do cérebro, responsáveis pelas ações reforçadoras positivas e negativas. Esse sistema é caracterizado por seus componentes centrais, como o núcleo accumbens (uma região central do sistema de recompensa e uma estrutura chave envolvida na mediação de processos motivacionais e emocionais), a área tegmental ventral e o córtex pré-frontal, relacionados à atenção, tomada de decisão e memória.


Além disso, esse sistema não é ativado apenas pela comida. A socialização, comportamentos sexuais e drogas são exemplos de estímulos que também ativam o sistema de recompensa. Quando somos expostos a um estímulo prazeroso, nosso cérebro lança um sinal: o aumento de dopamina, um importante neurotransmissor do sistema nervoso central (SNC), no núcleo accumbens.


A Dopamina


A principal "moeda" do sistema de recompensa é a dopamina, uma substância química produzida e liberada no cérebro na forma de neurotransmissor. A dopamina desempenha importantes funções no organismo, incluindo o controle de movimentos, humor, sono, atenção, aprendizagem, cognição, memória e emoções, principalmente associadas à sensação de prazer e bem-estar.


Assim, quando há ingestão de alimentos altamente palatáveis, como o açúcar, o cérebro produz um neurotransmissor chamado dopamina, localizado na área tegmental ventral, uma região rudimentar do cérebro. A dopamina então percorre outras áreas até chegar ao córtex pré-frontal, nossa área de modulação, que é responsável pela sensação de satisfação ou até mesmo pelo desejo de comer.


Esse processo ativa o sistema de recompensa, podendo desencadear fortemente sistemas hedônicos e incentivando a ingestão de alimentos além dos requisitos energéticos necessários. Nesse sentido, a perda de controle, os desejos alimentares e o aumento da tolerância ao açúcar são algumas das consequências.


Índice Glicêmico


Estudos recentes em humanos verificaram que alimentos com alto índice glicêmico ativam regiões do cérebro associadas à resposta de recompensa e provocam sentimentos mais intensos de fome em comparação com alimentos com baixo índice glicêmico. Isso ocorre porque alimentos que causam uma elevação mais alta da glicose no sangue produzem um impulso viciante maior no cérebro, tendo efeitos semelhantes a algumas drogas.


Há Relação entre Drogas de Abuso e Açúcar?


Drogas como o álcool, a nicotina ou a heroína liberam dopamina em excesso, sendo um sinal reforçador associado a sensações de prazer, o que torna a busca pela droga cada vez mais provável. De forma semelhante, o açúcar também libera dopamina, embora em menor quantidade do que as drogas. Assim, se você consumir muito açúcar, o nível de dopamina não diminui. Em outras palavras, o consumo adicional de açúcar continuará sendo muito prazeroso. Portanto, podemos dizer que o açúcar pode apresentar semelhanças e vícios, assim como uma droga. Essa é uma das razões pelas quais as pessoas se sentem atraídas por ele, e, portanto, essa pode ser considerada uma das razões pelas quais o açúcar afeta o nosso cérebro.


Prática Clínica


Na prática, é importante considerar o impacto do consumo excessivo de açúcar na dieta sobre o funcionamento do cérebro humano. A ingestão de açúcar desencadeia reações no córtex cerebral, ativando o sistema de recompensa e resultando na liberação de dopamina, neurotransmissor relacionado ao prazer e ao comportamento alimentar. Além disso, alimentos com alto índice glicêmico podem provocar respostas intensas de fome e ativar regiões cerebrais associadas à resposta de recompensa, semelhantes às provocadas por drogas de abuso. Compreender esses efeitos é essencial para orientar intervenções nutricionais eficazes na prevenção e tratamento de transtornos alimentares e doenças relacionadas à alimentação.


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Referências Bibliográficas


COLANTUONI, C.; SCHWENKER, J.; MCCARTHY, J.; RADA, P.; LADENHEIM, B.; CADET, J.-L.; SCHWARTZ, G. J.; MORAN, T. H.; HOEBEL, B. G.. Excessive sugar intake alters binding to dopamine and mu-opioid receptors in the brain. Neuroreport, [S.L.], v. 12, n. 16, p. 3549-3552, nov. 2001. Ovid Technologies (Wolters Kluwer Health).

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