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Creatina em Idosos: Há Benefícios?

Graças ao avanço tecnológico bem como ampliação ao acesso dos serviços de saúde, a população idosa tem crescido consideravelmente no Brasil. Com isso, é dever dos profissionais da área da saúde  ressaltar que, com o passar do tempo, o organismo do idoso sofre mudanças fisiológicas e antropométricas como, por exemplo, a perda da massa magra, a qual pode levar o indivíduo a um estado de sarcopenia e comprometimento de sua mobilidade bem como inapetência para realização de atividades cotidianas básicas, submetendo este grupo a uma vulnerabilidade.


Além disso, um outro comprometimento muito comum, causado pela redução da biodisponibilidade de nutrientes, é a redução da massa óssea do idoso e aumento da fragilidade dos ossos, tornando-os propensos a perda de equilíbrio com maior risco de quedas, lesões e fraturas. 



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Mecanismo de Ação 


O mecanismo bioquímico da creatina é estabelecido por meio da reação catalisada pela enzima creatina-quinase (CK) que forma um suprimento bioenergético para tecidos com alta demanda, como o muscular, o que consagra uma maior funcionalidade tecidual e possibilita, por exemplo, a utilização do treinamento de resistência em populações idosas. É válido destacar que a creatina também apresenta participação na translocação celular do GLUT4 (transportador de glicose tipo 4), o que possibilita sua aplicabilidade terapêutica na resistência à insulina e quadros de diabetes mellitus tipo 2, incidente em idosos. 


Posto isso, a molécula de creatina também apresenta efeito osmótico celular, o que promove a expressão de fatores de crescimento, como o fator de crescimento semelhante à insulina tipo 1 (IGF-1), e a fosforilação de proteínas de sinalização anabólica que, em conjunto, facilitam o anabolismo muscular. Esses mecanismos são considerados fatores de regulação miogênica que atuam mediando a ativação, proliferação e diferenciação das células satélites musculares, responsáveis pelo crescimento da fibra muscular. Promovendo, por esse mecanismo, um papel promissor a essa substância no que se trata do aumento da funcionalidade muscular no indivíduo idoso mediado pelo aumento da síntese proteica miofibrilar.  


Aplicabilidades da Creatina em Idosos  


A partir do seu mecanismo de ação, fica evidente que a suplementação de creatina é  extremamente bem-vinda na população idosa por apresentar uma ampla gama de benefícios, principalmente, quando associada a prática de atividade física regular. 

Dessa forma, a fisiologia do envelhecimento favorece uma diminuição das reservas funcionais o que afeta diretamente o sistema imunológico em um processo denominado imunossenescência.


Neste ocorre um declínio na resposta imune inata e adaptativa, representada por uma queda na função das células imunes e por uma disfunção no sistema de ativação e regulação da resposta celular mediada por citocinas. Sendo assim, o processo de senilidade associado ao sistema imune promove uma maior predisposição a doenças neurodegenerativas, cardiovasculares e imunes, assim como neoplásicas, que contribuem para a morbimortalidade dessa faixa etária. 


Além da literatura já descrever sua ação sob o processo de remodelação óssea, uma vez que promove o aumento da atividade metabólica osteoblástica, que viabiliza a síntese de osteoprotegerina (OPG) e essa se liga ao RANKL (ligante do receptor ativador do fator nuclear kappa B), impedindo a ligação com o RANK (receptor ativador do fator nuclear κB) responsável pela diferenciação dos osteoclastos, o que resulta na diminuição da reabsorção óssea. Sendo este uma possível forma pela qual a creatina deve ser considerada na clínica para pacientes que apresentem quadro de osteopenia ou osteoporose. 


Ademais, estudos demonstram que a creatina possui um efeito antioxidante que atua sobre os índices inflamatórios e a produção de espécies reativas de oxigênio pelos neutrófilos, viabilizando a partir disso, uma redução no estresse oxidativo responsável pelo catabolismo representado, por exemplo, pela diminuição da síntese de proteínas musculares. 


Prática Clínica


É certo, portanto, que nutricionistas devem utilizar da suplementação de creatina como recurso para manejo de pacientes idosos, principalmente, quando se trata de sarcopenia, osteopenia, osteoporose, osteosarcopenia, inflamação crônica, diabetes mellitus tipo 2, resistência à insulina e disbiose, visto que desempenha papel anabólico e anti-inflamatório que possibilita uma terapêutica frente às mudanças fisiológicas observadas nessa parcela da população.


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Referências Bibliográficas


Forbes SC, Candow DG, Ostojic SM, Roberts MD, Chilibeck PD. Meta-Analysis Examining the Importance of Creatine Ingestion Strategies on Lean Tissue Mass and Strength in Older Adults. Nutrients. 2021 Jun 2;13(6):1912. doi: 10.3390/nu13061912. PMID: 34199420; PMCID: PMC8229907.

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