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Desvendando os Princípios Fundamentais da Fisiologia do Exercício

A Fisiologia do Exercício, área de estudo que investiga as alterações nas estruturas e funções do corpo humano em resposta a sessões agudas e crônicas de exercícios, é um campo de pesquisa que remonta ao final do século XIX. O livro "Physiology of Bodily Exercise", publicado em 1889 por Fernand LaGrage, inaugurou essa jornada científica. Desde então, a compreensão dos mecanismos bioenergéticos e das adaptações corporais tem evoluído de maneira significativa.


O surgimento de academias modernas, métodos avançados e suplementos para otimizar a recomposição corporal, estética e performance reflete o atual boom do mercado fitness. Contudo, é essencial compreender que os conceitos explorados nesse campo não são novos, mas sim fruto de uma evolução contínua ao longo dos anos. A Fisiologia do Exercício, conforme abordada por Wilmore e Costill (2001) em seu tratado "Fisiologia do Esporte e do Exercício", teve seu impulso com o surgimento do Harvard Fatigue Laboratory em 1927. Esse laboratório pioneiro desempenhou um papel crucial na condução de estudos que exploraram os efeitos do estresse ambiental sobre o corpo humano, aprofundando conceitos bioenergéticos.


Da Fisiologia do Exercício, surge a Fisiologia do Esporte, que se concentra na aplicação desses conceitos ao treinamento atlético, visando aprimorar a performance e o rendimento esportivo. Essa evolução destaca a importância de compreender não apenas as respostas fisiológicas agudas ao exercício, mas também as adaptações crônicas resultantes do treinamento.


Princípios do treinamento


Os princípios do treinamento ideal, destacados pelos pesquisadores e profissionais da saúde, incluem a Individualidade, Especificidade, Desuso, Sobrecarga Progressiva, Difícil/Fácil e Periodização. Cada princípio visa otimizar a adaptação corporal, reconhecendo a singularidade de cada indivíduo e a importância da variação nos estímulos para promover contínua evolução.


1. Princípio da Individualidade: toda pessoa é única, e não fomos criados com a mesma capacidade de adaptação ao treinamento físico, além disso, a genética possui um papel importante na capacidade de adaptação corporal. Por isso, todo programa de treinamento deve levar em consideração as necessidades e as capacidades dos indivíduos aos quais ele é destinado. Segundo o princípio da individualidade, toda pessoa deve ser reconhecida como única, e devem ser elaborados programas de treino específicos para ela. Sabe aquelas séries de treinos padronizadas em academias? Então, estão desrespeitando o primeiro princípio básico.


2. Princípio da Especificidade: as adaptações ao treinamento são altamente específicas ao tipo de atividade, ao volume e intensidade do exercício realizado. Dessa forma, de acordo com esse princípio, o programa de treinamento deve forçar sistemas fisiológicos que são fundamentais para o desempenho ideal num determinado esporte com o objetivo de se obter as adaptações específicas do treinamento, ou seja, para se maximizar os resultados o treinamento deve ser especificamente combinado ao tipo de atividade na qual a pessoa está engajada.


3. Princípio do Desuso: da mesma forma que o treinamento melhora todas as capacidades físicas da pessoa, ao parar de treinar, o nível de treinamento irá cair a um nível que suporte apenas às demandas do uso diário. Sim, o treinamento pode ser muito ingrato, os resultados que levamos meses e até mesmo anos são perdidos muito mais rapidamente com o destreinamento. Para se evitar isso, o ideal é que todos os programas de treino incluam um período de manutenção.


4. Princípio da Sobrecarga Progressiva: dieta e treino nada mais são do que componentes que lutam constantemente contra a adaptação corporal, ao darmos um estímulo, nosso corpo irá se adaptar e para que ele continue em constante evolução, por isso ajustes constantes devem ser realizados para a progressão contínua dos nossos resultados, ou seja, “o que me trouxe até aqui, não me levará daqui para frente!” Lembre-se disso e evolua constantemente seus estímulos!


5. Princípio do Difícil/Fácil: um ou dois dias de treinamento difícil devem ser seguidos por um dia de treinamento fácil, isso permite que o corpo e a mente se recuperem antes do próximo dia de treinamento difícil. Uma grande falha que os praticantes de exercícios e atletas cometem é sempre buscarem se manter no máximo de rendimento, sem nunca permitir que o corpo descanse, favorecendo assim a incidência de dores e lesões.


6. Princípio da Periodização: segundo o princípio da periodização, um macrociclo é dividido em dois ou mais mesociclos, com variações da intensidade e do volume do treinamento, assim como da forma ou do tipo específico de treinamento.


Prática Clínica


Em um cenário onde a energia é o denominador comum para todos os aspectos da educação física, do exercício e do esporte, a Fisiologia do Exercício desempenha um papel vital. A compreensão da bioenergética está aí para desenvolver programas de treinamento eficazes, tanto para indivíduos saudáveis quanto para aqueles com doenças crônicas. Assim, a busca incessante por melhorias na saúde e no desempenho físico continua guiando os passos da Fisiologia do Exercício.


Continue Estudando…


Sugestão de leitura: Fisiologia da Contração Muscular




Referências


PERES, R. Tratado de nutrição esportiva & estética. V. 1. São Paulo: Plenitude Educação, 2021



WILMORE, J.H.; COSTILL, D.L. Fisiologia do esporte e do exercício. 2. ed. São Paulo: Manole, 2001.

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