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Diabetes, Obesidade e Ozempic: O que você precisa saber? 

A obesidade é frequentemente uma comorbidade do diabetes mellitus tipo 2 (DM2), visto que até 85,2% das pessoas com DM2 estão com sobrepeso ou obesas, sendo previsto que até 2025, mais de 300 milhões de pessoas terão DM2 associado à obesidade. No caso, quando analisamos a relação entre a diabetes, obesidade e ozempic, há muito que você precisa saber.

Presume-se então que a perda de peso tem implicações clinicamente significativas no DM2, uma vez que o emagrecimento não apenas melhora o controle glicêmico, mas também influencia em fatores de risco cardiovascular, hipertensão, dislipidemia, apnéia do sono e quadros de esteatose hepática não alcoólica. 

Entretanto, estratégias baseadas no estilo de vida, como dieta, exercício e mudança de comportamento, podem ser inicialmente bem-sucedidas, mas após cerca de 6 meses é possível observar o surgimento do efeito platô seguido de reganho de peso. O que, por sua vez, justifica a necessidade de se considerar novas abordagens farmacológicas a fim de obter resultados definitivos nestes pacientes. 



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Fisiopatologia da Obesidade

A obesidade é uma uma doença crônica e complexa caracterizada essencialmente pelo acúmulo do excesso de gordura corporal e em sua fisiopatologia é possível observar disfunções neuroendócrinas, fatores  genéticos,  metabólicos  e  comportamentais,  práticas  e  costumes  sociais  que  em conjunto resultam no aumento do tecido adiposo corporal e em desfechos que são potencialmente deletérios ao organismo. 

Além disso, é importante destacar que a obesidade está diretamente relacionada com o  aumento do acúmulo de gordura no fígado, repercutindo inclusive em outras comorbidades como diabetes mellitus tipo 2, hipertensão arterial e doenças cardiovasculares que também se mostram relacionadas com o aumento da mortalidade. 

O que é a semaglutida e relação obesidade e ozempic

Conhecida com nome comercial de Ozempic é indicada para o tratamento de adultos com diabetes mellitus tipo 2, adjuvante à dieta e exercícios físicos, sendo apresentado na forma de solução injetável de 1,34mg/mL em sistema de aplicação preenchido, cada sistema de aplicação contém 1,5ml e libera doses de 0,25mg e 5,0mg, aplicados uma vez na semana. A dose inicial é 0,25mg, após quatro semanas, a dose deve ser aumentada para 0,5mg, após quatro semanas, posterior a isso pode ser aumentada para 1.0mg (NOVO NORDISK, 2019). 

Entretanto, vem sendo prescrita como “off label” para o tratamento da obesidade por se tratar de uma incretina natural liberada pelo intestino durante as refeições que atua para manter a glicose em níveis homeostáticos através da secreção de insulina. Além disso, inibe a secreção pós-prandial de glucagon e a produção hepática de glicose. Ou seja, em indivíduos saudáveis, o pico de insulina após as refeições leva rapidamente a uma redução nos níveis plasmáticos de glicose, enquanto que em pessoas com DM2, o efeito da incretina é acentuadamente diminuído, resultando em concentração plasmática de glicose mais alta e sustentada após a ingestão de carboidratos. 

Outros efeitos associados a esta medicação estão correlacionados com o aumento da sensação de saciedade que induz uma redução da ingestão alimentar e, consequentemente, do peso corporal. Ademais, é importante citar sua capacidade em atuar retardando o esvaziamento gástrico, melhorando a sensibilidade à insulina e reduzindo a produção hepática de glicose e o acúmulo ectópico de lipídeos (fora do tecido adiposo).

Prática Clínica 

Quando o assunto é a diabetes, obesidade e ozempic, fica claro que a semaglutida demonstra superioridade quando comparada a  outras terapias da sua classe e pode ser uma excelente proposta de intervenção terapêutica associada a estratégias nutricionais e de estilo de vida para manejo de pacientes que sofrem de uma ou ambas doenças.  Visto que seu mecanismo de ação envolve um atraso  no esvaziamento gástrico que controla os níveis glicêmicos e reduz o peso por meio do déficit calórico resultante de uma redução do apetite de forma geral, além  de reduzir a  preferência  por  alimentos  com  alto  teor  de  gordura também  têm  efeito  sobre  os  lipídios  plasmáticos,  o que contribui para diminuição da  pressão  arterial  sistólica  e  redução do perfil inflamatório observado nestes pacientes.

Referências Bibliográficas

Assista ao vídeo na plataforma Science Play – GLP-1 no Tratamento da Obesidade: Como os prebióticos podem ajudar?

Lazzaroni E, Ben Nasr M, Loretelli C, Pastore I, Plebani L, Lunati ME, Vallone L, Bolla AM, Rossi A, Montefusco L, Ippolito E, Berra C, D’Addio F, Zuccotti GV, Fiorina P. Anti-diabetic drugs and weight loss in patients with type 2 diabetes. Pharmacol Res. 2021 Sep;171:105782. doi: 10.1016/j.phrs.2021.105782. Epub 2021 Jul 22. PMID: 34302978.

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