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Disfunção Mitocondrial e Diabetes Mellitus Tipo 2: Há relação?

O papel mitocondrial na saúde e na doença tornou-se cada vez mais popular. Sabe-se que a disfunção mitocondrial e, consequente, desregulação da bioenergética celular são características de muitas doenças, incluindo diabetes tipo 2.

Além disso, a diabetes tornou-se uma epidemia que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e atinge vários países, independentemente do seu grau de desenvolvimento e características socioculturais. 

Por isso, vamos entender melhor a importância de cuidar e manter suas mitocôndrias saudáveis para a saúde, principalmente quando se fala de diabetes.



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Impactos da Disfunção Mitocondrial 

É amplamente conhecido que os indivíduos com diabetes tipo 2 e síndrome metabólica possuem conteúdo mitocondrial diminuído nas regiões do músculo, enzimas oxidativas mitocondriais, DNA mitocondrial, fatores de transcrição e genes e função mitocondrial geral. 

Além disso, a bioenergética muscular desregulada é uma característica prevalente em indivíduos com diabetes tipo 2, caracterizada por uma baixa capacidade de oxidar gorduras e carboidratos nas mitocôndrias que leva à inflexibilidade metabólica e reprogramação metabólica com maior dependência da glicólise citosólica e produção de lactato para gerar ATP. 

Além disso, a falta de capacidade mitocondrial para a oxidação de gordura pode levar ao acúmulo de lipídios no músculo esquelético. Uma vez que o músculo esquelético parece ser o tecido com maior absorção de glicose, os estudos propuseram que o diabetes tipo 2 se inicia no músculo esquelético e que a resistência muscular à insulina é a base para o seu desenvolvimento.

Etiologias da Disfunção Mitocondrial

É importante notar que o termo “disfunção mitocondrial” pode não ser completamente apropriado. Na maioria dos casos em que o termo “disfunção mitocondrial” é usado, as mitocôndrias ainda funcionam, mas não no nível total ou adequado de potencial em comparação com estados saudáveis, daí o termo “disfunção mitocondrial”. 

Das mutações genéticas ao envelhecimento, infecções e falta de atividade física, a etiologia da disfunção/comprometimento mitocondrial é múltipla e é atualmente um importante campo de pesquisa devido às suas implicações na saúde e na doença.

Exercício, o único “remédio” conhecido para manter e melhorar a função mitocondrial

Sabe-se há décadas que o exercício é o melhor estímulo fisiológico para melhorar a função mitocondrial nos músculos esqueléticos e possivelmente em outros órgãos.

Atletas bem treinados possuem a função mitocondrial mais alta de todos os seres humanos. A característica típica dos atletas de resistência de elite é uma capacidade aumentada de oxidar ácidos graxos e carboidratos, tornando-os altamente flexíveis metabolicamente.

No entanto, se o exercício for prescrito como tratamento terapêutico para melhorar a função mitocondrial (“exercício como remédio”), a prescrição correta do exercício é fundamental para direcionar as adaptações celulares e metabólicas.

Essa tarefa é um desafio, pois envolve a integração de vários profissionais. No entanto, esse esforço deve ser uma prioridade em todas as sociedades para melhorar a saúde de nossa população, diminuir as taxas de mortalidade, aumentar a longevidade e diminuir a carga social e econômica insustentável imposta pelas doenças não transmissíveis.

Prática Clínica

O músculo esquelético desempenha um papel fundamental na função mitocondrial, pois é o órgão mais bioenergeticamente ativo com o maior conteúdo mitocondrial. Embora a disfunção mitocondrial tenha sido tradicionalmente associada ao diabetes tipo 2, ela também é uma característica de várias doenças, incluindo doenças cardiovasculares, câncer e mal de Alzheimer.

Referências Bibliográficas 

Artigo: San-Millán I. The Key Role of Mitochondrial Function in Health and Disease. Antioxidants. 2023; 12(4):782. https://doi.org/10.3390/antiox12040782

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