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Qual é o Papel da Nutrição na Doença Inflamatória Intestinal?

Nos últimos anos, cada vez mais os efeitos da alimentação vem se entrelaçando com diversos diagnósticos clínicos. Neste cenário, compreender o impacto da nutrição nas doenças inflamatórias intestinais (DII) torna-se um fator essencial para o avanço na qualidade de vida dos pacientes.


Esse grupo de doenças, que inclui a doença de Crohn e a colite ulcerativa, por exemplo, desafia milhões de pessoas em todo o mundo. Por essa razão, a ciência nutricional vem se mostrando uma ferramenta poderosa de transformação na saúde de vários indivíduos.


Continue a leitura e entenda:


Como as doenças inflamatórias intestinais afetam a microbiota?

As doenças inflamatórias intestinais são um conjunto de desordens que afetam os intestinos delgado e grosso de maneira crônica. Apesar da sua etiologia não ser totalmente elucidada, estudos relacionam o seu desenvolvimento com a interação entre o sistema imunológico e a microbiota intestinal.


Condições como a doença de Crohn e a colite ulcerativa, que geralmente causam disfunção da barreira intestinal, são os principais exemplos desse espectro de doenças — que vem prevalecendo cada vez mais em países com estilo de vida ocidental —, afetando a composição da microbiota intestinal ao liberarem metabólitos pró-inflamatórios.


Doença de Crohn

No caso da doença de Crohn, a diversidade da microbiota é reduzida, apresentando elevada presença de Erysipelotrichales, Bacteroidales e Clostridiales. Além disso, há uma redução de Enterobacteriaceae, Pasteurellacaea, Veillonellaceae e Fusobacteriaceae, o que contribui no processo inflamatório do trato gastrointestinal.


Colite ulcerativa

Já na colite ulcerativa, a diversidade de bactérias comensais diminui e o número de Enterobacteriaceae, Enterococcus, Ruminococcus e Bacteroides aumenta a partir de um processo de superprodução. Essa condição acaba por agravar o quadro disbiótico do paciente.


Como a dieta influencia a progressão de doenças inflamatórias intestinais?

No que diz respeito à dieta na doença inflamatória intestinal, esta pode melhorar ou piorar o quadro de inflamação do paciente. Dados científicos sugerem, por exemplo, que dietas ricas em açúcares e gorduras afetam a barreira mucosa do intestino, corrompendo-a.


Além disso, esse padrão alimentar aumenta a permeabilidade entre as células, estabelecendo um quadro de leaky gut, ou seja, um enfraquecimento da barreira intestinal.


O que deve ser evitado na doença inflamatória intestinal?

A ingestão de aditivos alimentares como o polissorbato 80, comumente utilizado pela indústria alimentícia como um emulsificante, atua aumentando a translocação bacteriana e a aderência de E coli. nas células M intestinais e também nas placas de Peyer. Esse quadro resulta em um processo ainda maior de inflamação.  


Além desse aditivo, alguns dados também sugerem que os polissacarídeos dietéticos, como a maltodextrina, aumentam a produção de Biofilme bacteriano. Dessa forma, profissionais devem desencorajar o consumo de alimentos que contenham emulsificantes, espessantes e aditivos pela população geral.


Como é feito o diagnóstico das doenças inflamatórias intestinais?

Na doença de Crohn, a avaliação laboratorial por endoscopia digestiva é muito comum. Isso se deve ao fato deste ser um exame básico que permite a constatação do grau de inflamação do trato digestivo do paciente.


No entanto, nem sempre os sintomas que o paciente relata estão diretamente relacionados ao grau de inflamação apresentado no exame. Dessa forma, a solicitação de calprotectina fecal e proteína C reativa (PCR) podem auxiliar na avaliação do real estado inflamatório do paciente.


Por outro lado, a elucidação do caso suspeito de colite ulcerativa é mais simples, já que sintomas como evacuações frequentes e presença de sangramento nas fezes correlacionam-se bem com os achados histológicos da endoscopia, tanto na população adulta quanto na pediatria.


Como deve ser a terapia nutricional nas doenças inflamatórias intestinais?

O manejo nutricional nos casos pediátricos é fundamental. Dados apontam que o padrão ouro seja a oferta de nutrição enteral exclusiva a partir do uso de fórmula nutricional completa pelo período de 6 a 10 semanas. Em geral, essa terapia resulta em até 80% de regressão da doença de Crohn.


Outra possibilidade de terapia nutricional é a nutrição enteral parcial associada a uma dieta de exclusão de alimentos integrais, no qual 50 a 90% da oferta calórica são provenientes de fórmulas, enquanto o restante das calorias vem de alimentos como carne, arroz e alguns vegetais.


Além dessas terapias, a adoção da dieta low FODMAP, dieta de carboidratos específicos com restrição de glúten para celíacos, bem como a adoção de uma dieta mediterrânea parecem favorecer a remissão da doença.


Prática clínica

É evidente a relevância do manejo nutricional nas doenças inflamatórias intestinais, sendo que a melhor estratégia depende de cada caso. Desse modo, o nutricionista deve ser o profissional responsável por avaliar e determinar a sua conduta frente às DII.


De maneira geral, orientações como redução do consumo de gordura saturada, aditivos alimentares, gorduras provenientes de fontes lácteas e gordura trans, têm resultado em benefícios tanto na doença de Crohn quanto na colite ulcerativa. Além disso, os adoçantes que apresentam em sua composição sucralose e sacarina também não são recomendados para pacientes portadores de DII.


Por fim, a necessidade do uso de fórmulas nutricionais e/ou a exclusão de alimentos deve ser avaliada individualmente pelo nutricionista. Ao compreender o papel da nutrição na doença inflamatória intestinal, pode-se entender cada escolha alimentar como um passo em direção à saúde.


Continue explorando o blog Science Play para mais perspectivas e estratégias sobre saúde e nutrição. Recomendamos a leitura do artigo sobre a importância da saúde intestinal e como mantê-la em equilíbrio.


Referências bibliográficas

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REZNIKOV, Elizabeth A.; SUSKIND, David L.. Current Nutritional Therapies in Inflammatory Bowel Disease: improving clinical remission rates and sustainability of long-term dietary therapies. Nutrients, [S.L.], v. 15, n. 3, p. 668, 28 jan. 2023. MDPI AG. http://dx.doi.org/10.3390/nu15030668.

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