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Eixo Intestino-Cérebro e Transtorno Alimentar: Há relação?

Durante sua participação no Workshop de Medicina e Longevidade, o médico Filippo Pedrinola abordou o tema “Eixo Intestino-Cérebro: Qual a relação com os transtornos alimentares?”

O Brasil, infelizmente, é um dos país mais ansioso do mundo, e a expectativa de vida para pessoas com transtornos mentais diminui significativamente. Quando se trata de transtornos mentais, há uma estreita relação com os transtornos alimentares e a ansiedade. Os transtornos mais prevalentes são a anorexia nervosa (AN), a bulimia nervosa (BN) e o transtorno da compulsão alimentar periódica (TCAP), com uma prevalência ao longo da vida de 0,48%, 0,51% e 1,12%, respectivamente.



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Anorexia Nervosa

A anorexia nervosa é caracterizada pela restrição da ingestão de energia, levando a um significativo baixo peso corporal, considerando fatores como idade, sexo, trajetória de desenvolvimento e saúde física. O baixo peso significativo é definido como inferior ao mínimo normal ou, no caso de crianças e adolescentes, inferior ao mínimo esperado. 

Os sintomas incluem um medo intenso de ganhar peso ou ficar gordo, ou comportamentos persistentes que interferem no ganho de peso, mesmo com um peso abaixo do adequado. Além disso, a pessoa pode ter uma perturbação na percepção do peso, tamanho ou forma corporal, uma influência excessiva do peso na autoavaliação e uma persistente falta de reconhecimento da seriedade do baixo peso atual.

Bulimia Nervosa

Por outro lado, a bulimia nervosa envolve episódios recorrentes de compulsão alimentar. Um episódio de compulsão alimentar é caracterizado por dois critérios principais: a ingestão de uma quantidade de alimentos definitivamente maior do que a maioria das pessoas consumiria em um período semelhante e um sentimento de falta de controle durante o episódio, como a incapacidade de parar ou controlar a quantidade de comida ingerida. 

Para evitar ganhar peso, as pessoas com bulimia nervosa recorrem a comportamentos compensatórios inadequados, como vômito auto induzido, abuso de laxantes, diuréticos ou outras medicações, jejum ou exercício físico excessivo. Esses episódios de compulsão alimentar e comportamentos compensatórios inadequados devem ocorrer, no mínimo, uma vez por semana, por um período de 3 meses. 

Transtorno de Compulsão Alimentar Periódica

Por fim, o transtorno de compulsão alimentar periódica envolve episódios recorrentes de compulsão alimentar, caracterizados pelos mesmos critérios de ingestão de uma quantidade anormal de alimentos em um curto período de tempo e a sensação de falta de controle durante esses episódios. 

Esses episódios estão associados a três ou mais dos seguintes critérios: comer mais rapidamente do que o normal, comer até se sentir desconfortavelmente cheio, comer grandes quantidades de alimentos mesmo sem fome física, comer sozinho por vergonha da quantidade de comida consumida, e sentir repulsa, depressão ou culpa excessiva após comer em excesso.

Eixo Intestino-Cérebro no Transtorno Alimentar

O eixo microbiota-intestino-cérebro é uma via de comunicação bidirecional entre a microbiota intestinal e o cérebro, mediada por sistemas como o sistema imunológico, o sistema neuroendócrino, o sistema nervoso entérico, o sistema circulatório e o nervo vago. A microbiota intestinal influencia o cérebro humano por meio de metabólitos microbianos, nervos e sinalização hormonal e imunológica.

Prática Clínica

Portanto, tendo em vista os benefícios de uma microbiota intestinal saudável, os profissionais de saúde podem recomendar o uso de probióticos, como Lactobacilos, Bifidobactérias, Enterococos e leveduras. Esses organismos beneficiam a saúde de pessoas com transtornos psiquiátricos. 

A partir da produção de ácidos graxos de cadeia curta, biossíntese de vitaminas B e K, produção de substâncias neuroativas como o ácido gama-aminobutírico e a serotonina, eles promovem a ativação do sistema imunológico, regulação da liberação de citocinas e imunoglobulinas, fortalecimento da função de barreira intestinal por meio de junções estreitas e aumento dos níveis de mucina. 

Matéria elaborada pela colunista Luiza Diniz, com base na palestra do médico Filippo Pedrinola.

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