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Eixo Intestino-Fígado: O Papel do Intestino na Saúde Hepática

Cada vez mais se ressalta a importância do eixo intestino-fígado, que conecta todo o nosso sistema, sendo um órgão regulador significativo. O fígado, maior víscera do corpo humano, desempenha diversas funções vitais. Antes da pandemia de COVID-19, em 2019, observou-se uma taxa de 38 mil mortes por doenças hepáticas, que continua a aumentar ao longo dos anos. 


Além da detoxificação hepática, o fígado desempenha outras funções, incluindo a regulação da homeostase, produção de proteínas, armazenamento de vitaminas, minerais e glicogênio, bem como funções endocrinológicas, sendo um produtor de fator de crescimento. A integridade do fígado é essencial para proteger o corpo contra patógenos e para determinar a tolerância do sistema imunológico.


Eixo Intestino-Fígado: Existe?


Existe uma anatomia que associa o eixo funcional ao eixo anatômico, participando de vários processos metabólicos do nosso sistema. Quando consideramos a barreira intestinal, não estamos lidando apenas com uma barreira estrutural, mas também com uma funcional, composta por sete elementos, sendo o último deles o fígado. O intestino produz substâncias que o fígado utiliza em seus processos.


A microbiota intestinal desempenha diversas funções, como a maturação do sistema imunológico, aprimoramento da integridade da barreira intestinal e digestão de alimentos específicos. Quando o eixo intestino-microbiota está desequilibrado, isso afeta todo o sistema, incluindo o fígado. O processo de desintoxicação depende inteiramente do fígado para sua execução, e embora os sucos detox forneçam os nutrientes necessários, eles não realizam o processo em si.


O eixo intestino-fígado envolve dois metabólitos principais: sais biliares e ácidos graxos de cadeia curta. O intestino produz os ácidos graxos de cadeia curta, que, com uma microbiota funcional, resultam na produção subsequente de sais biliares. Dependendo da microbiota, podem ser produzidos sais biliares que não são bem tolerados.


A presença de sais biliares é crucial, pois eles desempenham um papel importante na homeostase, servindo como sinalizadores importantes para o corpo. Uma composição adequada da microbiota, um intestino saudável e um sistema imunológico bem regulado são essenciais para poupar o fígado. A função hepática no intestino começa a partir da obesidade e sobrepeso, onde ocorre o ponto de partida para o desequilíbrio da microbiota, desregulando o sistema hepático e afetando o eixo intestino-fígado.


Nesse cenário, a encefalopatia hepática é uma doença metabólica associada a distúrbios hepáticos, caracterizada por um desequilíbrio na microbiota intestinal. A amônia cai na corrente sanguínea, podendo levar a edema cerebral, coma e, eventualmente, morte. O tratamento geralmente envolve o uso de antibióticos, evidenciando a existência do eixo intestino-fígado. O fígado recebe uma quantidade significativa de informações, e ao cuidar da barreira intestinal, filtramos o que chega ao fígado.


Ácidos Graxos de Cadeia Curta


Os AGCC não têm efeito apenas na melhora da integridade funcional. Um estudo recente comprova que os ácidos da dieta e do fígado são importantes em uma série de mecanismos hepáticos, sendo responsáveis pelo aporte energético atuando sobre a mitocôndria. 


Sais Biliares


Os sais biliares secundários, degradados pela microbiota intestinal, são poderosos reguladores metabólicos no sistema. Considerados metabólitos microbianos, sua desordem pode desencadear problemas na barreira intestinal, o que pode ter repercussões em todo o sistema, incluindo o fígado.


Existem dois receptores de sais biliares, FXR e TGR5, que interpretam os sinais transmitidos pelos sais biliares. Esses receptores desempenham papéis importantes em tecido adiposo, sistema imunológico, função hepática e secreção de insulina, estando presentes em várias regiões do corpo. Portanto, é crucial cuidar da saúde intestinal, pois prescrever sais biliares sem compreender suas consequências pode prejudicar o paciente. Os próprios sais biliares têm potencial para danificar a parede intestinal e estão associados a várias vias metabólicas, incluindo sobrepeso, disbiose intestinal, câncer e doenças inflamatórias, estando implicados em uma ampla gama de condições metabólicas.


Probióticos


O efeito antimicrobiano deve ser estudado caso a caso para evitar a deterioração da permeabilidade intestinal. No entanto, é uma estratégia viável, pois ajuda a corrigir o metabolismo dos sais biliares, reduzindo a formação de LPS. Esse efeito não se restringe ao intestino, mas também reduz o estresse oxidativo no processo inflamatório em todo o corpo. Estudos indicam que o uso de probióticos por períodos entre 4 e 32 semanas pode ser uma opção terapêutica viável. A modulação do eixo intestino-microbiota através do uso de probióticos pode diminuir os marcadores inflamatórios, reduzindo assim a progressão para doenças hepáticas.


A adaptação da dieta é crucial devido à melhora do intestino com estratégias específicas, o que também pode beneficiar o fígado. Um intestino doente muitas vezes está associado a um fígado doente. Quando há equilíbrio na microbiota intestinal, isso se reflete em uma adequada regulação dos sais biliares, resultando em melhores desfechos metabólicos e possivelmente evitando a necessidade de transplante hepático.


Na gestão de doenças hepáticas agudas ou crônicas, a nutrição desempenha um papel fundamental na melhoria clínica do paciente. Tanto os macronutrientes quanto compostos específicos, como o azeite de oliva, podem ter impactos positivos no intestino e no fígado, melhorando a função mitocondrial e reduzindo a toxicidade hepática, prevenindo assim a sobrecarga hepática.


Prática Clínica


Diversos fatores influenciam a saúde da microbiota, incluindo fatores genéticos, idade, níveis de atividade física e uso de antibióticos. Identificar os elementos que prejudicam a permeabilidade intestinal é crucial para melhorar o tratamento de um indivíduo. É importante avaliar quais aspectos da vida do paciente podem ser modificados para promover uma melhoria, como a remoção de partículas alimentares prejudiciais, como o dióxido de titânio, e a introdução de alimentos benéficos. Isso pode ser alcançado por meio de uma intervenção dietética adequada, visando melhorar a dieta do paciente.


A relação entre o tratamento do intestino e a melhoria do fígado é evidente, considerando-se a semelhança entre a microbiota oral e intestinal. Cuidar da saúde bucal pode ter impactos positivos na saúde intestinal e, por consequência, na função hepática. Uma estratégia eficaz envolve a adoção de uma dieta padrão mediterrânea, amplamente reconhecida na literatura como benéfica para a saúde geral. Além disso, colaborar com a equipe médica para ajustar a prescrição de tratamentos é fundamental.


Certos substratos desempenham um papel fundamental na melhoria da saúde intestinal, incluindo os ácidos graxos de cadeia curta, dos quais aproximadamente 70% são absorvidos pelo fígado. Nutrir o paciente é, portanto, nutrir o fígado, uma vez que os metabólitos resultantes têm um impacto direto na função hepática. Por exemplo, os polifenóis presentes em alimentos como arroz, linhaça e café têm benefícios tanto para o intestino quanto para o fígado, contribuindo para uma produção adequada de ácidos graxos de cadeia curta, desde que a microbiota intestinal esteja equilibrada. Caso contrário, tais substratos podem agravar os problemas metabólicos do fígado.

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Referências Bibliográficas


Fasano A. All disease begins in the (leaky) gut: role of zonulin-mediated gut permeability in the pathogenesis of some chronic inflammatory diseases. F1000Res. 2020 Jan 31;9:F1000 Faculty Rev-69. doi: 10.12688/f1000research.20510.1. PMID: 32051759; PMCID: PMC6996528.

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