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Emagrecimento: Existe uma dieta superior?

Os indivíduos podem perder peso corporal e melhorar o estado de saúde através de uma ampla gama de intervenções dietéticas com restrição de energia (calorias), por isso, é importante compreender a eficácia das dietas mais comumente utilizadas, incluindo dietas com baixo teor de gordura, baixo teor de carboidratos e mediterrânea, além de programas comerciais de emagrecimento, substituição de refeições e dietas de jejum intermitente recentemente popularizadas.

Ou seja, é importante ir mais afundo do que dominar apenas que dietas com baixo teor de gordura tendem a melhorar mais o colesterol de lipoproteína de baixa densidade, enquanto dietas com baixo teor de carboidratos podem melhorar preferencialmente os triglicerídeos e o colesterol de lipoproteína de alta densidade. 



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Restrição de Calorias para Emagrecimento

Pessoas com sobrepeso e obesidade frequentemente compartilham em comum a característica de consumir mais energia do que se gasta, o hábito de fazer escolhas alimentares de forma errônea e também o estilo de vida sedentário. Neste contexto, a perda de peso só pode ser realisticamente alcançada com consumo reduzido de energia.

Sendo assim, quer uma dieta apresenta redução de gordura ou carboidrato, ou aumento de proteína, para que ocorra a perda de peso, é importante criar-se um déficit energético, visto que o aumento de peso ocorre quando a ingestão de energia excede o gasto e as calorias que entraram no no corpo e não foram oxidadas como combustível tendem a ser armazenadas como tecido adiposo. 

Em teoria, a restrição de energia parece simples, no entanto, existem processos complexos e rigidamente regulados por fatores ambientais e epigenéticos interativos que resultam em respostas endócrinas e comportamentais que tendem a se opor à perda de peso. Consequentemente, um outro ponto a ser pensado é que a manutenção do peso perdido e a obtenção de um estado de equilíbrio energético após um período de restrição energética deliberada pode representar um desafio formidável.

Carboidratos e Emagrecimento

Quando se trata de perda de peso, é quase que instantâneo pensar inicialmente na restrição ou até mesmo exclusão de carboidratos da alimentação. Isso porque popularizou-se o argumento simplista de que a insulina regula o acúmulo de gordura e o ganho de peso, enquanto a hiperinsulinemia, característica da obesidade, reduz a mobilização de ácidos graxos pela inibição da lipase hormônio-sensível.

Outros estudiosos também já relataram haver uma “vantagem metabólica” para dietas com baixo teor de carboidratos, sugerindo que sua restrição leva a uma maior perda de gordura por induzir aumento da termogênese e alterações importantes no  metabolismo, uma vez que à medida que a secreção de insulina cai, os ácidos graxos são mobilizados para geração de energia.

Restrição de Macronutrientes no Emagrecimento

Estudos indicam que restrição calórica de carboidratos (20,9% de proteína, 50,1% de gordura e 29 % de carboidrato) quando comparada com dieta que possui restrição de gordura (21,1% de proteína, 7,7% de gordura e 71,2% de carboidrato) por 6 dias de cada vez. É possível observar que A dieta com restrição de carboidrato resultou em uma redução de 22% na secreção de insulina e aumento da oxidação de gordura, além de ter reduzido o gasto energético e a perda de gordura quando comparada com a dieta restrita em gordura que, apesar de não impactar nos níveis de insulina e oxidação de gordura, a dieta baseada em um modelo cetogênico resultou em maior perda de gordura em comparação com a low carb. 

Sendo assim, estudos que se dedicaram a revisar os tratamentos dietéticos para obesidade, constataram que não existe nenhuma “vantagem metabólica” para dietas com baixo teor de carboidrato. Além disso, metanálises mostraram de forma convincente que as perdas de peso a longo prazo e as melhorias metabólicas ocorrem independentemente da composição de macronutrientes da dieta, ao passo que uma maior restrição energética resulta em maior perda de peso.

Alimentação Mediterrânea no Emagrecimento

É descrito como um ‘estilo’ de alimentação que pode variar entre os países, mas mantendo os mesmos princípios básicos como o consumo moderado de gordura, com aproximadamente 35% a 45% de energia proveniente da gordura, embora isso varie e as abordagens com restrição de energia possam ser menores. Além disso, no modelo de alimentação mediterrânea a ingestão de gordura vem principalmente de ácidos graxos mono e poli-insaturados, com pequenas quantidades de gordura saturada. 

Além de ser bem estabelecido que com essa alimentação tem-se bons resultados na perda peso e maiores índices de manutenção, esse padrão de alimentação tem sido associado há muito tempo a uma incidência reduzida de doenças cardiovasculares. Ou seja, no que se trata de prática clínica, é importante dar atenção a uma prescrição baseada na dieta mediterrânea a fim de garantir aos pacientes melhora dos marcadores cardiometabólicos, além de garantir maior qualidade e tempo de vida. 

Prática Clínica 

O manejo dietético da obesidade tem sido tradicionalmente baseado em uma dieta com restrição de energia e controle de porções, pobre em gordura e relativamente rica em carboidratos amiláceos. Isso é lógico, dado que grama por grama, a gordura é o macronutriente mais denso em energia e é conhecido por ter um efeito fraco na fome e na saciedade, enquanto o carboidrato é mais saciante e tem a menor densidade de energia. Entretanto, a dieta cetogênica não se difere significativamente em resultados quando comparada com estratégias low carb. Portanto, o único guia para a conduta do profissional no momento de decidir como trabalhar a perda de peso no paciente está relacionada com os objetivos metabólicos que se tem como prioridade desenvolver e também a responsividade do paciente frente à restrição energética e sua preferência para os diferentes macronutrientes.

Referências Bibliográficas 

Assista ao vídeo na plataforma da Science Play: Exames laboratoriais na avaliação da hipertrofia e emagrecimento

Thom G, Lean M. Is There an Optimal Diet for Weight Management and Metabolic Health? Gastroenterology. 2017 May;152(7):1739-1751. doi: 10.1053/j.gastro.2017.01.056. Epub 2017 Feb 15. PMID: 28214525.

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