top of page
  • Foto do escritorKcal da Science Play

Entenda os Fatores Envolvidos na Obesidade

A prevalência de obesidade no Brasil e no mundo só está aumentando, visto que dados epidemiológicos apontam aumento de 11,4% em 2006 para 19,8% em 2018. Quando se pensa em obesidade de modo geral, é preciso levar em consideração os inúmeros fatores que promovem o aumento da gordura corporal.

E, embora a genética seja um dos fatores que contribuem para a obesidade, o que irá ditar o ganho de gordura será principalmente os fatores ambientais, ou seja, a epigenética ao qual o indivíduo está exposto. Dentre os principais fatores ambientais que contribuem para a obesidade estão o aumento da ingestão energética e diminuição do gasto calórico, especialmente pelo sedentarismo, além de estresse, disruptores endócrinos, falta de sono e etc.



Table of ContentsToggle

Relação da Microbiota com a Obesidade

Diversas evidências ressaltam que a composição e diversidade da microbiota intestinal é um fator ambiental para o controle de peso. Além disso, indivíduos obesos apresentam predomínio do filo firmicutes em detrimento de bacteroidetes, essa relação representa uma assinatura microbiana dos obesos que induz quadros de resistência à insulina, bem como maior extração de calorias dos alimentos, inflamação e infiltração de células imunes do fígado no tecido adiposo.

Ainda, está associada a uma maior permeabilidade intestinal por baixa ação das “tight junctions”, aumentando a translocação de LPS. Sendo assim, para melhorar a qualidade da microbiota intestinal a presença de fibras na alimentação é essencial, e isso pode ser garantido com o consumo de beta glicana e pectina, bem como uma dieta equilibrada com alimentos ricos em polifenóis também

Alimentos que Prejudicam a Microbiota 

De modo geral, as proteínas animais quando consumidas em excesso representam o grupo alimentar que mais prejudica a microbiota devido à alta quantidade de gordura saturada. Além delas, o alto consumo de açúcar, sal e alimentos industrializados também é capaz de diminuir a diversidade da microbiota.

Por outro lado, existem nutrientes que colaboram para saúde intestinal, sendo as fibras, ômega 3, proteínas vegetais e polissacarídeos os mais importantes. No entanto, é de suma importância ressaltar que qualquer restrição ou excesso destes (ou de outros nutrientes) pode impactar de forma significativa a saúde intestinal. 

Sono e Obesidade 

De acordo com a literatura, a privação de sono pode alterar a composição corporal. Como exemplo, um trabalho onde todos os participantes realizavam dieta hipocalórica, no grupo cujo os indivíduos que dormiam 3 horas de sono a menos durante 14 dias, foi observada perda de tecido adiposo 55% menor e perda de massa muscular 60% maior em comparação ao grupo que não realizou restrição de sono, além de aumento da grelina e do coeficiente respiratório.

A restrição de sono também prejudica de forma importante os hormônios metabólicos, fazendo com que ocorra aumento de grelina e cortisol e, consequentemente, maior sensação de fome, aumento da grelina e do catabolismo muscular, ao passo que ocorre também a redução do gasto calórico. Dessa forma, estes fatores quando somados tornam-se propícios para o acúmulo de tecido adiposo. 

Além disso, estudos apontam ainda que pessoas vespertinas que preferem exercitar-se durante a noite ou realizar outras tarefas nesse período possuem maior risco de desenvolver obesidade ao ingerir alta quantidade de calorias. Para contornar esta condição, pode ser interessante realizar as refeições de café da manhã e jantar um pouco mais cedo, adicionando a refeição “ceia” com 10% do VET. Mas, independente da dieta, é necessário provocar um balanço energético negativo para promover a perda de peso.

Análise de Dietas para Obesidade

Dietas com mais de 20% de proteínas e com pouco carboidrato podem promover uma maior perda de peso. No entanto, este padrão alimentar quando realizado por longo período pode levar a condições de constipação, dor de cabeça, cãibras e fraqueza muscular. Já em dietas de médio e longo prazo a perda de peso foi muito semelhante ao resultado dos pacientes que estavam consumindo baixo teor de carboidratos. Por esse motivo, é importante verificar qual será a melhor estratégia para o paciente. 

Além disso, dietas ricas em alimentos vegetais, apresentam altas concentrações de antioxidantes, fibras e alimentos com baixa carga glicêmica. O que, por sua vez, é excelente para perda de peso em função do seu caráter de “dieta mediterrânea” no curto/longo prazo. Além disso, tem como benefícios metabólicos a regulação da glicemia, diminuição dos marcadores inflamatórios e melhora da esteatose hepática.

Jejum na Obesidade

No que se trata dos protocolos de jejum alimentar, a literatura aponta que eles não se mostram superiores às dietas balanceadas com déficit calórico aplicado. As desvantagens do jejum estão relacionadas a sua menor adesão a longo prazo em comparação com a restrição calórica diária, aumento na ingestão calórica nos dias/períodos sem jejum. Em contrapartida, como vantagens é possível citar os efeitos diretos na sensibilidade à insulina em indivíduos resistentes à insulina, restrição alimentar à noite pode ter um impacto positivo no perfil metabólico e supressão do apetite o que tende a favorecer o déficit do consumo calórico

Prática Clínica

Dentre as estratégias que podem auxiliar na perda de peso estão evitar que o paciente realize refeições muito tarde, para isso o nutricionista deve desenvolver um cardápio de modo a reduzir o horário de jantar e manutanção de um padrão alimentar estável. Além disso, é de suma importância orientar o paciente quanto a importância de não pular refeições ou alterar as sequências que os alimentos são oferecidos em uma refeição, visto que estes são pensandos de forma a induzir menor liberação de insulina, secreção aumentada de GLP1 e maior tempo de esvaziamento gástrico. Além disso, dentre os suplementos que tem atividade moderada para ajudar na perda de peso estão chá verde, ginseng, capsaicina, resveratrol, feijão branco, resveratrol e ácido linolênico

Referências Bibliográficas

Assista ao vídeo na plataforma Science Play – Obesidade e a inflamação induzida pela dieta

Rinninella E, Cintoni M, Raoul P, Lopetuso LR, Scaldaferri F, Pulcini G, Miggiano GAD, Gasbarrini A, Mele MC. Food Components and Dietary Habits: Keys for a Healthy Gut Microbiota Composition. Nutrients. 2019 Oct 7;11(10):2393.

Classifique esse post

1 visualização

Σχόλια


bottom of page