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Estratégias Nutricionais na Psoríase

A psoríase é uma doença crônica, multi etiológica, com profundo padrão inflamatório. É experimentado por cerca de 3% dos indivíduos em todo o mundo, afetando principalmente adultos. Ela está associada a várias comorbidades e aos pacientes com uma diminuição geral da qualidade de vida. Fatores genéticos se combinam com fatores extrínsecos para iniciar lesões psoriáticas. Entre os fatores extrínsecos, trauma, infecções, vários medicamentos, exposição à luz solar, estresse, fatores habituais (por exemplo, álcool, tabagismo), obesidade e fatores endócrinos. 

Estudos recentes têm avaliado padrões nutricionais em pacientes com psoríase com o objetivo de melhorar os desfechos clínicos da doença. Parâmetros clínicos associados ao perfil metabólico e ao estado inflamatório de pacientes, foram avaliados a partir da adoção de diversos padrões alimentares. Uma dieta hipocalórica, entre outras, foram avaliadas e aliviaram clinicamente o estado psoriático dos pacientes. 



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Eixo Intestino-Pele na Psoríase

A noção de uma ligação entre o intestino e a pele, influenciada pela microbiota, ganhou importância nos últimos anos. A inflamação presente na pele, pode causar mau funcionamento da barreira intestinal e, consequentemente, desregulação da microbiota intestinal e ação contínua de mediadores/metabólitos inflamatórios que contribuem para a inflamação sistêmica. Há uma comunicação entre a microbiota intestinal e elementos do sistema imunológico, no qual a microbiota intestinal desempenha um papel importante no desenvolvimento e regulação dos componentes inatos e adaptativos do sistema imunológico. Qualquer desordem na microbiota intestinal pode desencadear uma resposta imunológica. 

A inflamação, tanto localizada quanto sistêmica, pode ser induzida por alterações na microbiota que reside na superfície epitelial. Em pacientes com doença inflamatória intestinal, a desregulação bacteriana que induz inflamação local leva a danos na mucosa e aumento da permeabilidade. Esse dano aumenta as citocinas pró-inflamatórias (como IL-12, IFN-γ) que vazam para a circulação sistêmica, espalhando a inflamação. Embora a Psoríase seja uma doença de pele, ela apresenta um padrão claro de inflamação sistêmica, pois induz inflamação em outros órgãos e sistemas. Além disso, a Psoríase está associada a distúrbios metabólicos, portanto, os pacientes com Psoríase podem apresentar aumento do IMC, hipertensão, hiperlipidemia, diabetes tipo 2, doença arterial coronariana, entre outros. 

O conhecimento acerca do eixo intestino-pele baseia-se em dois pontos igualmente importantes: a microbiota e a autoimunidade cutânea. A Psoríase é agravada pela desregulação da barreira intestinal, pelo aumento de mediadores inflamatórios e pelo efeito sistêmico de metabólitos bacterianos. A “disbiose intestinal”, que representa um desequilíbrio na composição e biodiversidade, foi associada à Psoríase e suas comorbidades, como artrite inflamatória, doença inflamatória intestinal, síndrome metabólica, doença cardiovascular, depressão e obesidade. Assim como a disbiose intestinal desregula a homeostase cutânea, a afirmação também foi confirmada no caso oposto, visto que muitas doenças gastrointestinais apresentam manifestações cutâneas. A disbiose intestinal afeta negativamente a integridade e a função da pele. No nível molecular, microrganismos que interferem na barreira intestinal e na homeostase cutânea interferem nos componentes da imunidade mucosa e nas vias de sinalização que regulam a diferenciação epidérmica. 

Dieta de Baixas Calorias

Uma recente meta-análise dos estudos que relacionam a dieta com a Psoríase demonstrou que a dieta de baixas calorias é o tipo de dieta mais importante que induz benefícios clínicos claros na Psoríase. Estudos anteriores mostraram que uma restrição calórica de 500 kcal abaixo do requerimento dietético calculado, com 60% de carboidratos, 25% de gordura, 15% de proteína e um nível de exercício de pelo menos 40 minutos, 4 vezes por semana, melhora consideravelmente os sintomas clínicos da Psoríase. Após 24 semanas desse protoloco, no grupo da dieta, um número significativo de pacientes reduziu significativamente o score de gravidade. 

Novos dados que avaliaram a restrição calórica em pacientes com Psoríase mostraram uma regressão das lesões após 4 semanas de dieta. Além disso, uma redução significativa nos parâmetros padrão foi registrada, enquanto os escores de gravidade mostraram uma redução significativa de 50%. Sabe-se que a Psoríase leva a parâmetros bioquímicos desregulados em termos de ácido fólico, vitamina B12, cálcio, bilirrubina, cortisol, LDL e colesterol total. Após a dieta, todos esses parâmetros melhoraram significativamente. Como níveis elevados de ácido fólico e vitamina B12 melhoram a condição clínica na Psoríase, os pacientes submetidos à restrição calórica apresentaram aumentos nesses parâmetros e seus resultados clínicos melhoraram. 

Dieta Livre de Glúten

Uma dieta livre de glúten representa a evitação dessa proteína encontrada no trigo, cevada e centeio, com benefícios para pacientes com Psoríase. Curiosamente, a ingestão de glúten aumentou o risco de Psoríase em pacientes já diagnosticados com doença celíaca. Além disso, foi constatado que anticorpos antigliadina (AGA), comuns na doença celíaca, também estavam aumentados em pacientes com Psoríase.

Há mais de 20 anos, foram publicados resultados positivos em pacientes com Psoríase que consumiram uma dieta livre de glúten por 3 meses, melhorando significativamente sua pontuação PASI. O mesmo grupo demonstrou que pacientes com teste positivo para AGA submetidos a uma dieta livre de glúten tiveram uma redução nas células positivas para Ki67 em suas lesões psoriáticas, indicando um status de proliferação menor das lesões. Outros grupos confirmaram que um ano de dieta livre de glúten melhorou a pontuação PASI em grupos com altos níveis de IgA contra peptídeos de gliadina.

Suplementos para Psoríase

O óleo de peixe tem sido incluído em muitos suplementos usados por pacientes com Psoríase para aliviar seus sintomas. Em 2014, uma meta-análise de vários estudos sobre a suplementação de óleo de peixe na Psoríase observou que, enquanto alguns estudos mostraram resultados moderados, outros não encontraram relevância. Recentemente, em uma grande coorte de indivíduos (mais de 25.000 participantes de ambos os sexos), vitamina D (2000 UI/dia) e/ou ácidos graxos ômega-3 (1000 mg/dia) foram suplementados em sua dieta, e o grupo foi acompanhado por 5 anos, registrando a incidência de Psoríase entre outras doenças autoimunes. Os resultados do estudo mostram que no grupo suplementado, a incidência de doenças autoimunes, incluindo a Psoríase, foi reduzida em mais de 22%.

Produtos à base de ervas também se mostraram úteis em pacientes chineses com Psoríase, com melhorias em seus parâmetros clínicos. Os resultados obtidos são difíceis de interpretar para tirar uma conclusão, pois envolveram várias plantas e preparações. Entre todas elas, parece que um suplemento à base de Tripterygium wilfordii foi eficaz como complemento à terapia convencional (ciclosporina e acitretina).

Prática Clínica

Diante das complexas manifestações inflamatórias da psoríase e sua associação com distúrbios metabólicos, as estratégias nutricionais são abordagens relevantes. Tanto a adoção de uma dieta de baixas calorias, com composição equilibrada de macronutrientes e atividade física, quanto a implementação de uma dieta livre de glúten parecem ter efeitos positivos na melhora dos sintomas cutâneos e parâmetros metabólicos, oferecendo perspectivas promissoras para o manejo clínico da doença. Adicionalmente, a suplementação com nutrientes específicos, como óleo de peixe e vitamina D, assim como o uso de produtos à base de ervas, também têm sido explorados como potenciais aliados no tratamento da psoríase. 

Referências Bibliográficas 

Constantin C, Surcel M, Munteanu A, Neagu M. Insights into Nutritional Strategies in Psoriasis. Nutrients. 2023; 15(16):3528. https://doi.org/10.3390/nu15163528

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